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Negócios

12/09/2017

Motoristas adiam, ao máximo, troca de pneus

Na Capital, revendedores admitem que o preço em alta do produto anda assustando os consumidores
Mírian Pinheiro
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Os proprietários de veículos estão optando por rodar com pneus desgastados/Charles Silva Duarte
A venda de pneus no primeiro semestre de 2017 registrou queda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2016. No mesmo período, a produção aumentou 2,6%, com destaque para pneus agrícolas (33,2%), de camionetas (11,7%) e fora de estrada (11,4%). Já a produção para veículos de passeio apresentou queda de 0,2%. No total, foram produzidos 34.467.058 de pneus em 2017, contra os 33.603.113 no primeiro semestre de 2016.

“Mesmo com o aumento da produção de pneus e de um pequeno avanço nas vendas no ano, os resultados seguem abaixo do esperado”, diz o presidente-executivo da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Klaus Curt Müller.

Em Belo Horizonte, os revendedores de pneus admitem que o preço em alta do produto andam assustando os consumidores. De acordo com o gerente comercial da Garra Pneus, Daniel Gonçalves, o adiamento da troca nas nove lojas da marca tem sido recorrente. “Percebemos pelo estado do pneu que chega, a maioria no arame”, comenta. Para ele, as pessoas estão negligenciando a própria segurança em consequência da crise. O gerente diz que, embora as vendas tenham permanecido estáveis na comparação com o mesmo período de 2016, o crescimento estimado foi menor que o esperado. “Tínhamos uma expectativa que se frustrou, mais isso não quer dizer que o mercado esteja ruim”, avalia, acrescentando que o mercado mineiro é muito competitivo.

Na opinião de Gonçalves, os preços do produto costumam oscilar em razão dos custos de insumo ou da própria sazonalidade do mercado, mas nem todo aumento é repassado para o consumidor final. “Temos casos de pneus que sofreram algum reajuste mas, em média, não passaram de 6%. Um pneu aro 13, por exemplo, passou de R$ 159 para R$ 169, mesmo assim continua muito barato”, diz. A Garra Pneus está no mercado há 23 anos e possui lojas em Belo Horizonte, Contagem, Betim e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Comportamento - O gerente comercial da Pneus BH, Fernando Mário de Arruda, também percebe o comportamento arriscado do consumidor, que prefere colocar a própria segurança em risco a trocar os pneus na hora certa. Para ele, é claro que o prolongamento do uso é um efeito da crise, mas ele chama a atenção para o barateamento do produto. “Hoje, é possível encontrar um bom pneu aro 17, por exemplo, por menos de R$ 300”, compara, dizendo que o mesmo produto já chegou a custar R$ 430, em média.

O mercado, na visão de Arruda, está muito mais pulverizado. Com produtos de marcas importadas a preços competitivos e de qualidade. Ele também esclarece que há uma sazonalidade natural no comércio de pneus. “De novembro a março, vendemos mais, por que as pessoas viajam mais e recebem 13º salário e férias”, observa. Nesse aspecto, agosto é o pior mês para revenda de pneus.

Segundo o gerente comercial da Pneus BH, a loja trabalha com estoque, comprando, em média, 3 mil pneus por mês, de marcas como Pirelli e Michelin, entre outras.
“Vendemos muito, por isso absorvemos mais do que repassamos os reajustes dos fornecedores. Preferimos obter lucro com volume de venda”, explica Arruda, admitindo, no entanto, que no 1º semestre houve 20% de queda nas vendas na comparação com o mesmo período do ano passado. A Pneus BH, conta com duas lojas em Belo Horizonte: no bairro Buritis, região Oeste, e na Pampulha, e atua há três décadas neste segmento.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Revenda e Prestação de Serviços de Reforma de Pneus e Similares do Estado de Minas Gerais (Sindipneus), Paulo Bitarães, os pneus são os itens de segurança mais importantes de um veículo e, exatamente por isso, os motoristas devem estar atentos ao TWI (Tread Wear Indicator), que sinaliza o momento certo de substituí-los, antes que se tornem ‘carecas’ e impróprios para circulação. “A economia com esses itens e a própria postergação da troca coloca em risco a vida dos passageiros”, alerta.

Segundo Bitarães, o que se percebeu com a crise foi um aumento na procura por pneus reformados, tendo em vista a economia que esse tipo de pneu representa para o motorista. “Todavia, alertamos para a importância de o consumidor reformar o pneu apenas em empresas credenciadas pelo Inmetro”, reforça.

BALANÇO SEMESTRAL

Venda às montadoras


Foram vendidos 6.680.650 pneus para montadoras no primeiro semestre, 9,1% a mais do que os 6.125.758 do ano passado. A venda de pneus para veículos de passeio para montadoras registrou um crescimento de 11,9%, reflexo do aumento da produção de veículos no semestre. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a diferença positiva na produção de veículos foi de 23,3% quando comparado ao mesmo período de 2016, sinal da recuperação econômica do setor. Os dados negativos ficaram por conta dos pneus de moto (-9,7%) e de carga (-4,6%).

Mercado de reposição

As vendas para o mercado de reposição fecharam o semestre com aumento de 1%, em relação ao mesmo período de 2016. O resultado positivo foi puxado principalmente pelo aumento de 12,6% nas vendas de pneus de moto. Já os destaques negativos ficaram por conta dos pneus para veículos industriais e de passeio, que viram seus volumes de vendas caírem 6,4% e 2,6%, respectivamente.

Exportações

Foram comercializados 6.097.780 pneus para o mercado exterior, o que representa uma queda de 14,6% em relação aos 7.143.880 do mesmo período de 2016. Das sete categorias, apenas as vendas de pneus agrícolas (21,9%) e de camioneta (3,1%) apresentaram resultados positivos. Pneus para veículos fora de estrada (-71,8%), industriais (-43,4%), moto e carga (-22,4%), bem como para veículos de passeio (-18,2%) puxaram o índice para baixo.

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