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FAPEMIG - Ciência e Inovação em Minas

08/06/2016

Nanotecnologia pode ajudar em tratamento para o câncer

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Professora Edésia Souza, pesquisador Tiago Ferreira e equipe de pesquisa no laboratório da CDTN/Divulgação
Responsável pela morte de quase 190 mil pessoas no País em 2013, e com estimativa de mais 600 mil novos casos entre 2016 e 2017, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer vem se tornando um dos maiores males do século. Devido aos números alarmantes e aos crescentes casos no Brasil, uma equipe de pesquisa do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear sediada em Belo Horizonte, tem se dedicado a encontrar um novo tratamento para a doença por meio da nanotecnologia.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e sob a supervisão da pesquisadora Edésia Martins Barros de Sousa, o projeto é desenvolvido com base nas atividades do grupo de materiais nanoestruturados para bioaplicações. Ele consiste em avaliar o potencial de aplicação biomédica de determinados materiais, de acordo com as suas propriedades.

Nanotecnologia - O projeto é desenvolvido especificamente com uma nonopartícula sintetizada no CDTN, denominada nanotubo de nitreto de boro (BNNT). Este material possui propriedades interessantes que permitem sua utilização na terapia do câncer, tais como baixa toxicidade sobre as células sadias e grande capacidade de entrar na célula doente. Além disso, pode ser ligada a certas moléculas de modo a ser direcionada ao tumor.

Um dos pesquisadores envolvidos no projeto, Tiago Hilário Ferreira, destaca a eficácia do nanotubo de nitreto de boro no tratamento: “Uma vez que as nanopartículas estejam dentro da célula tumoral, é possível irradiar o tumor com um feixe de nêutrons, ativando os átomos de boro presentes no nanotubo. Assim, será produzida uma partícula no interior da célula tumoral que tratará o tumor de dentro para fora”, fala.

Portanto, a nanopartícula é utilizada para atacar de maneira direta o tumor, matando-o localmente, por dentro da célula. Este processo, além de eficaz, reduz ou até elimina efeitos colaterais provocados pela atuação das drogas convencionais, uma vez que atua diretamente nos tumores não atingindo os tecidos sadios.

A princípio, esta tecnologia pode ser aplicada a qualquer tipo de câncer, mas a aplicação dos nanonotubos ou nanomateriais em geral, como agentes terapêuticos, deve ser direcionada para cada tipo de tumor devido às peculiaridades de cada problema. Este direcionamento pode ser realizado por meio da funcionalização de sua superfície com biomoléculas como proteínas, peptídeos, aptâmeros e anticorpos específicos que reconheçam especificamente células ou tecidos de interesse.

Com relação a outras doenças, as pesquisas indicam que há várias possibilidades de uso dos nanotubos, como o tratamento de doenças de retina, de doenças pulmonares como a fibrose, de retinopatias diabéticas, inflamações, doenças gástricas crônicas, tratamento de leishmaniose e até mesmo o uso como plataforma para adjuvantes de diversas vacinas. Os cânceres cerebrais são os mais complicados de tratar, devido à barreira hematoencefálica que restringe bastante a entrada de agentes na circulação cerebral, entretanto a nanotecnologia apresenta características que permitem que alguns nanomateriais atravessem essa barreira.

Hoje, a pesquisa está em estágio de avaliação de ensaios de desempenho em células para comprovar a eficácia dessa nova tecnologia. Segundo Tiago Ferreira, os resultados dos testes têm sido animadores, e o projeto se prepara para entrar em uma nova fase.

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