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Minas 2032

11/11/2015

O agronegócio é exemplo de que o Brasil é capaz de fazer

Luciane Lisboa
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"Alguém disse uma vez que a grande dificuldade de se discutir hoje o futuro é que ele (futuro) não costuma mais ser como era. Eu concordo com isso." Foi com essas palavras que o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), professor Evaldo Vilela, iniciou sua apresentação.

Para ele, no geral, as dificuldades enfrentadas pelo País hoje são muitas em função da crise, que ele considera não apenas política, mas também fruto de problemas já arraigados na cultura brasileira. "Passamos por um período em que o valor maior está no individual e não no coletivo, muito a favor da corrupção e da fofoca. Hoje predomina na nossa cultura a não busca de dados, todo mundo quer reproduzir oralmente aquilo que escutou, ninguém busca saber a veracidade das fontes", lamentou.

Como exemplo, o professor citou o DataViva, plataforma de dados do governo do Estado, desenvolvido pela Fapemig. Lançado em 2013, o programa foi construído junto com o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos.

"As consultas são todas quase 100% feitas do exterior. Lá estão concentrados todos os dados sobre os municípios do Brasil.  possível saber quantos médicos existem em Nova Lima, quanto eles ganham e quantos estão trabalhando. Trata-se de um dos maiores banco de dados do País e de uma maneira plenamente acessível. Mas as pessoas simplesmente não consultam", afirmou.

Nesse sentido, Vilela acredita que a crise política e econômica atual pode contribuir promovendo mudanças. "Acredito que esta crise fará muito bem ao Brasil, porque aprenderemos duas coisas essenciais: que para gastar é preciso fazer dinheiro; e a outra é que sem ciência, sem tecnologia e sem inovação é impossível aumentar a competitividade."

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Tabu - Para o presidente da Fapemig, ciência, tecnologia e inovação ainda são "pepinos" no Brasil. "As pessoas acham bonito, mas não acreditam que a gente seja capaz de fazer. Mas está aí o agronegócio para provar o contrário.  só investir, acreditar e, mais do que isso, criar mecanismos para que isso possa acontecer, que dá certo", disse.

Sobre as universidades brasileiras, o professor não têm dúvida de que elas nunca foram tão pungentes em pesquisa, tão valorizadas em nível mundial. "O problema é que a gente não consegue fazer nada aqui dentro do Brasil. A culpa não é das universidades, é da nossa cultura, é do jeito que as pessoas fazem as coisas."

Esse jeito, explica o professor, está relacionado à falta de incentivo para a continuidade do projeto, para que a pesquisa saia do papel. "A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) exige que o pesquisador publique um artigo e não pede mais nada além disso. Quer dizer, eu faço uma pesquisa com dinheiro público, esse dinheiro público gera uma publicação que vai para o meu currículo, mas fica só nisso. Porque faltam mecanismos para que o projeto vá para o mercado", argumentou.

Um exemplo é a Embrapa, que, conforme Vilela, tem ativos espetaculares. No entanto, praticamente nada que é desenvolvido na instituição vai para o mercado. "Os ativos não saem porque nós não fazemos inovação. O poder público não entende o que é inovação. Não incentiva porque simplesmente não sabe o que é. Não temos mecanismos efetivos para transformar, fazer acontecer."


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