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FAPEMIG - Ciência e Inovação em Minas

06/07/2016

O desafio das mulheres em assumir cargos gerenciais

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Segundo a pesquisa International Business Report (IBR) - Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em março deste ano, apenas 19% dos cargos de alto escalão no Brasil são ocupados por mulheres, índice inferior à média mundial que é de 24%. Para compreender melhor este cenário, a professora de administração, Marlene Catarina de Oliveira Lopes Melo, coordenadora do Núcleo de Relações de Trabalho e Tecnologias de Gestão - Nurteg, da Faculdade Novos Horizontes, desenvolveu, a pesquisa “Mulheres de sucesso em setores predominantemente masculinos de Belo Horizonte: além do teto de vidro na carreira gerencial”. Ela tem o objetivo analisar o processo de empoderamento de mulheres em cargos de gerência em setores predominantemente masculinos.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a pesquisa foi realizada com 22 mulheres que desempenham a gerência na alta administração em áreas como informática, telecomunicação, engenharia, militar, medicina, empreendedorismo e justiça. A pesquisa utilizou um modelo de análise do processo de empoderamento destas mulheres nas organizações. Foi considerando relatos de história de vida das mesmas, o que ajudou, assim, a traçar um perfil das mulheres que conquistaram o empoderamento nas organizações pesquisadas. Os resultados demonstram que as mulheres que conquistaram o empoderamento, possuem mais de 36 anos, sendo 37% acima de 50 anos. A maioria está há mais de 10 anos na organização, sendo que 50% possuem mais de 10 anos no cargo de gerência. Todas entrevistadas possuem corso superior completo.

A pesquisa também aponta que 64% das mulheres entrevistadas não percebem limitações e problemas no ambiente de trabalho por serem mulheres. Entretanto, 36% ainda acreditam que este é um fator de relevância e um desafio a ser superado. Os resultados mostram também que 80% das mulheres acreditam possuir a mesma autonomia que o homem nas organizações e 68% percebem que não existe preferência de gênero em disputa de profissionais com as mesmas qualificações. Já em relação às diferenças salariais, apenas 27% afirmaram não existir.

Para a professora, é preciso quebrar o “teto de vidro”, termo americano que remete a obstáculos invisíveis encontrados pelas mulheres nas organizações. “A mulher precisa deixar de ser tradicionalmente dominada pelo homem, seja em suas opções de vida, seus bens ou em sua sexualidade. Na verdade, a mudança precisa começar pela própria mulher, pois a mulher é ainda a principal educadora e transmissora de valores e crenças para os filhos, ou seja, da cultura (patriarcal ou não) e a própria mulher precisa desejar e buscar uma nova posição na sociedade” afirma.

Apesar dos desafios enfrentados, a pesquisadora enxerga um futuro promissor, “as transformações sociais observadas nos últimos anos apontam para um caminho de tomada de consciência por parte da sociedade e uma quebra de antigos paradigmas e o estabelecimento de novos, pautados em valores socioculturais que diferem dos valores do patriarcalismo” fala.

A pesquisa foi realizada em duas etapas: A primeira considerou os relatos da história de vida destas mulheres. Já na segunda etapa foi utilizada entrevistas semiestruturada como fonte complementar de dados. A pesquisa foi qualitativa, por envolver aspectos como a complexidade das experiências pessoais e das relações de gênero e empoderamento no espaço organizacional dando a oportunidade às entrevistadas de passar seus conhecimentos e vivência.

Desafios - Apesar da quebra de alguns paradigmas, a pesquisa ainda verificou alguns desafios a serem superados pelas mulheres. De acordo com a professora Marlene Melo, “verificou-se que os desafios apontados pelas mulheres entrevistadas estão relacionados com a estrutura patriarcal da nossa sociedade no que tange ao machismo e ao preconceito em relação à mulher, bem como a questões culturais e a descrença da mulher na própria capacidade. Além de se limitarem devido ao medo em assumir o novo e, ao afastamento das mulheres do trabalho ocasionado pela maternidade” disse.

A coordenadora deixa claro que “a superação destas resistências está em uma nova educação das crianças em ralação aos papéis de homens e mulheres na sociedade”. Além disso, a professora ressalta que “a mulher precisa ter consciência dessa situação de desigualdade para que ela possa reagir, continuar cada vez mais se qualificando e, desejar uma nova posição no mercado de trabalho”, afirma.

Para as mulheres que buscam um novo posicionamento no mercado, crescimento e reconhecimento na profissão, Melo lembra que é preciso “apostar na própria formação, buscando níveis mais elevados de instrução e qualificação continuada. E a partir desta qualificação acreditar no seu próprio potencial, saber que é capaz e que pode desempenhar a atividade pretendida. Naturalmente vão aparecer muitas barreiras; mas elas podem ser superadas”, destaca.

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