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Opinião

13/04/2018

O populismo no Brasil

JOSÉ ELOY DOS SANTOS CARDOSO *
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A Lei de Responsabilidade Fiscal vigora desde 2000 e apresenta sanções previstas para os transgressores institucionais ou pessoais. Diversos governadores como o de Minas Gerais não se conformam com essas proibições e, suspensos de conceder vantagens aos servidores, de criação de cargos, novas admissões de pessoal ou a contratação de horas extras, se valem de outros artifícios para tentar contornar a situação. No nosso Estado, as transferências de recursos para os municípios não vêm sendo feitas conforme estabelece a lei e estamos lendo nos noticiários a postergação de salários de servidores que vem sendo praticada a torto e a direito.

O que é melhor para o Brasil? Um político que “não sabia de nada” ou um político que “rouba, mas fez algo por mim”, ou ainda, “aquele que defendeu os pobres”, como afirmou dias atrás uma pessoa que mora no Nordeste. A visível parcela de desinformação de grande parte dos brasileiros ainda é grande e que, por falta de estudos ou por propagandas, ainda é um obstáculo ao desenvolvimento brasileiro. Para afastar essas desinformações serão necessárias várias décadas. Não é nada fácil querer politizar uma população que ainda possui um grande número de desempregados e outros tantos componentes da população que estavam mais interessados em “bolivarizar” incautos do que proporcionar taxas de crescimento compatíveis com os países mais evoluídos e adiantados como os Estados Unidos e a China.

Políticas populistas como as da Venezuela, Cuba, Moçambique e outros países da América Central nunca dariam certo no Brasil, que, ao contrário de outros mais, possuem uma economia baseada em investimentos externos. A prova disso é que o Produto Interno Bruto do Brasil é bem maior do que o Produto Nacional Bruto. Uma pequena explicação técnica é necessária porque, alguns países como o Brasil, receberam parcela significativa de fatores de produção pertencentes a estrangeiros que se encontram dentro de seus limites geográficos. No nosso caso, a parcela de fatores estrangeiros é bem maior do que a de fatores de produção pertencentes a brasileiros que estão localizados no exterior, o que significa que enviamos um volume de renda muito maior ao exterior do que efetivamente recebemos. É por isso que, no Brasil, o PIB é maior do que o PNB. Em outras palavras, os estrangeiros produzem em valor monetário mais dentro do Brasil do que os brasileiros produzem lá fora.

Os populismos irresponsáveis não deram certo em nenhum lugar onde foram implantados. Na Venezuela, por exemplo, mais de 50% da população hoje passa fome porque o governo populista do ex-presidente Hugo Chávez não implantou naquele país um grande processo produtivo para aproveitar dos excedentes das exportações de petróleo, cujo barril já esteve quotado a 140/145 dólares e, hoje, só está valendo 35/40 dólares, ou cinco vezes menos. O resultado disso é que hoje, no estado de Roraima, estão tentando viver mais de 50 mil venezuelanos que fugiram de lá e estão trazendo problemas para o governo brasileiro que está com dificuldades de acomodar e empregar tantos fugitivos da fome. O caso da Venezuela é uma lição para todos os brasileiros, quando alguns até que tentaram implantar por aqui esse malfadado “bolivarianismo”.

Como dizia Juscelino Kubitschek, o Brasil sempre precisou e ainda precisa de inúmeros investimentos industriais e até participações na infraestrutura de criação de portos, rodovias e ferrovias. Os chineses já se manifestaram interessados, mas qualquer investimento depende do que vai acontecer depois da posse do futuro presidente da República. Com mais de 16 candidatos que já se apresentaram, fica difícil hoje se adivinhar o que poderá acontecer. Se o populismo como queria Hugo Chávez não deu certo nem lá, muito menos daria certo por aqui.

* Professor, economista e jornalista

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