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DMEP - Cegueira das Organizações

18/07/2017

O problema e a solução sintética

Leonardo Magalhães*
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Como gerente de projetos atuante em uma organização que apoia iniciativas inovadoras de diversas naturezas (estudos, projetos e ações), enfrento na rotina a questão de sintetizar visões diferentes em soluções únicas.

Nossos clientes cada vez mais demandam planejamento de novos negócios que capacitem crescimento acelerado ou estruturem saltos de resultado - de startups a ambientes para descoberta de oportunidades, validação, planejamento e implantação de novos modelos - com uma pluralidade de visões, valores e objetivos das equipes e parceiros, o que tem trazido grande complexidade para esta questão de sintetizar soluções. Algumas ideias e fatos podem evidenciar para vocês, que aqui lê por curiosidade ou interesse em enxergar uma síntese própria, a importância dos espaços inovativos na estruturação de pessoas que efetivamente rompem os paradigmas e trazem as novidades de impacto, as inovações.

A primeira ideia é de que para sermos capazes de promover e sustentar continuamente a inovação, precisamos de uma estrutura de serviços ambientados em algum lugar físico ou virtual, mas que também deve orientar a sua própria estrutura e serviços para a inovação continuada. São fatos observados a existência de diferentes tipos de ambientes de fomento e aceleração, com diversas finalidades. Como já expostos anteriormente em artigos desta coluna, reconhecemos os espaços colaborativos, as incubadoras de ideias e de empresas, as aceleradoras de startups, os Parques Tecnológicos e Condomínios Empresariais voltados a este propósito, e até mesmo áreas internas de corporações que reúnem seus corporate ventures. Estes espaços vêm ao longo da história se evoluindo constantemente. Não existe e não conseguiremos ter um modelo único que atenda a todas as demandas ou que compreenda todas as soluções possíveis. Cada ambiente carrega uma história única, de desenvolvimento inovador quando alcançou resultados econômicos e sociais diferenciados.

Outra ideia fundamental é a de que inovações são geradas a partir de conhecimentos diversos, e que quanto mais diversos forem os atores e seus conhecimentos maior a chance de disrupção com passado e de criação de uma situação mais eficaz, com maior grau de diferenciação. Dos atores é importante reconhecermos os três grupos destacados na Hélice Tríplice. O meio acadêmico capaz de trazer o conhecimento técnico, o setor público que ordena regras e políticas de desenvolvimento sócio econômico, e o privado que financia, demanda e oferta soluções que se integrarão nos negócios inovadores.

Além disso, podemos cada um de nós reconhecer os muitos exemplos de união de especialistas distintos, como a engenharia com a medicina que cria de próteses robóticas a instrumentos médicos cada vez com mais carga de tecnologia de ponta. Como sociólogos e economistas que desenvolvem modelos associativos de economia compartilhada, crowdfunding, crowdinsurance. Até mesmo a junção dos interesses públicos e privados na criação de Organizações Não Governamentais podem ser considerados exemplos deste tipo de união do diverso para criação do uno. Assim como nos ambientes inovativos, cada um destes exemplos envolveu de forma única seus atores diversificados, com valores e observações distintas em relação aos objetivos sociais e econômicos, formatação de trabalho e estruturação de equipes, forma de relacionamento e envolvimento com os demais atores da Hélice Tripla. Suas cargas culturais e conceitos trouxeram demandas e soluções distintas que se transformaram em sínteses de sucesso.

Mas então como podemos esperar uma síntese que solucione meu problema de desenvolvimento ao enxergarmos tamanha pluralidade de atores, caminhos e formatos? Acreditamos fortemente no planejamento que parta do alinhamento de expectativas e reconhecimento de capacidades, que absorva com transparência as demandas dos múltiplos clientes e as ofertas de diversos fornecedores, que desenvolva estratégias que respeitem os valores e alcancem os objetivos dos fundadores, dos proprietários e das outras tantas partes interessadas. No monitoramento de indicadores e no controle operacional, tático ou estratégico que absorva continuamente a inovação.

O método científico continua sendo para nós a cultura que adota meios maduros e transparentes, que capacitam equipes a sintetizar em uma solução única todas as possibilidades trazidas pela multiplicidade de conhecimentos e modelos, mantendo a inovação continuada como um meio eficaz de alcançar a sustentabilidade fim.

*Sócio-gerente da DMEP

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