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18/05/2017

O que acontece quando alunos de Harvard e do MIT se reúnem para falar sobre o Brasil?

Confira os melhores momentos - e as discussões mais relevantes - da Brazil Conference 2017
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Criar um espaço para o diálogo — foi com esse grande objetivo que alunos de Harvard e do MIT se uniram esse ano para organizar a Brazil Conference 2017. O evento que aconteceu no campus de ambas as faculdades nos Estados Unidos contou com um conjunto notável de palestrantes, que incluía importantes nomes no cenário Brasileiro e Mundial, como a ex-Presidente Dilma Rousseff, o Juiz Sérgio Moro, o economista Armínio Fraga, o investidor Warren Buffet, entre vários outros. Mas muito além do banho de inspiração, o evento ajudou o público ali presente a enxergar “o lado cheio do copo” da situação do Brasil e discutiu algumas formas de como avançar em meio a crise que o país vive hoje. E para muitos de nós, alunos morando no exterior que só ouvimos reclamações do Brasil, esse evento teve um efeito que não foi trivial. Em particular, gostaria de compartilhar cinco reflexões que permaneceram comigo após o encerramento do evento, e que podem dizer muito ao empreendedor.

O gigante acordou

Em sua palestra, Luciano Huck contou como seu acidente de avião deu início a uma nova etapa de sua vida, movida pela vontade de transformar a vida de pessoas a sua volta. No contexto do Brasil, palestrantes mencionaram os recentes eventos como o “acidente” que o país precisava viver para que as pessoas mudassem seus comportamentos e se engajassem mais na política. Eu acredito que a capacidade de mobilização desse evento, reunindo tanta gente boa e importante aqui nos Estados Unidos, é um bom indicativo disso. Seria bastante improvável termos conseguido reunir o mesmo nível de palestrantes há 5 anos atrás. Afinal, hoje é uma prioridade na agenda de muita gente resolver o problema político e econômico do país. E esse interesse e o envolvimento de tantos é algo que não podemos ignorar. Por mais que ainda exista pouco consenso, acredito que o Brasil tem muito a ganhar no longo prazo de ter mais pessoas engajadas. E tudo isso não só está fortalecendo as instituições brasileiras, mas também está fortalecendo a democracia brasileira, e ajudando a sociedade a amadurecer. Hoje estamos todos fora da nossa zona de conforto e cabe a nós aproveitar esse “acontecimento” para realmente transformar o nosso caminho e conduta daqui para frente.

Derrubando paredes e construindo pontes

A solução? Segundo os palestrantes passa por uma importante reforma política e a nossa habilidade de “derrubar paredes e construir pontes”. O problema é que, como defende o professor e palestrante Dan Shapiro, é muito difícil sair da mentalidade “nós-eles” que a política brasileira vive hoje, também rotulada por ele de “efeito de tribo” (tribe effect). Uma negociação entre duas partes, por mais que bem intencionada, pode despertar uma postura defensiva se as partes não souberem genuinamente ouvir e valorizar a opinião contrária. E ao participar dos bastidores desses dois dias de evento, vi a organização lidar com alguns desses problemas oriundos do ego, afinal a polarização é tamanha que torna-se difícil para os envolvidos ignorarem suas tribos e estabelecerem um diálogo aberto. O meu aprendizado está na importância de um bom mediador para estabelecer um ambiente de confiança para essa interação e para o entendimento. Sem isso, por hora, dificilmente conseguiremos ter diálogos produtivos.

Empreender e o teste de resistência imposto pela burocracia

Minha experiência aqui no MIT me fez perceber o quão mais fácil é começar um negócio aqui. Um exemplo são os inúmeros “business plan competitions” e oportunidades para se levantar quantias entre U$5.000-100 mil para tirar um projeto do papel. Mas começar é bastante diferente de fazer um negócio crescer. E para este último, não cheguei em uma conclusão se o melhor é estar nos Estados Unidos ou no Brasil, pois ambos lugares tem desafios distintos. Enquanto ao empreender no Brasil o empreendedor enfrenta desafios de acesso a capital, infraestrutura e um ambiente regulatório hostil, ao empreender nos Estados Unidos o nome do jogo é competição. De forma díspare, o que notamos é que a mera vontade de empreender passa a ser insuficiente: para empreender é necessário ter obstinação. E, apesar de dedicar meus últimos três anos a combater a burocracia e melhorar o ambiente de negócios no Brasil, hoje reconheço uma vantagem: acredito que todas as barreiras enfrentadas por aqueles que empreendem no Brasil ajudam a fortalecer e preparar o empreendedor para sua jornada de constantes batalhas.

O jeitinho brasileiro

Empreender no Brasil tem também mais uma grande vantagem: o brasileiro. Seja pela alegria e receptividade ou pela teimosia e vontade de não seguir regras. Esse jeitinho brasileiro, se bem explorado, possui ingredientes indispensáveis para uma cultura empreendedora. E na era dos serviços, o sucesso das empresas depende mais e mais da qualidade das pessoas. E por isso, Nizan e o Oskar defenderam em seu painel que precisamos aprender a vender as coisas boas do Brasil. Hoje somos experts em vender nossos problemas. Mas cabe a nós aprender a vender nossa capacidade criativa, nossa alegria, nossas cores, entre vários outros aspectos do Brasil e do brasileiro. Só assim poderemos ressignificar o “tinha que ser brasileiro” como mencionou Taciana Pereira, co-Presidente da Brasil Conference, em sua fala final que emocionou a plateia.

Texto originalmente publicado no site da Endeavor Brasil.


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