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06/12/2017

Patente detecta idade gestacional de prematuros

Pesquisadores da UFMG lançam solução inédita e recebem apoio de entidades internacionais e do governo
Mírian Pinheiro
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Sensor em contato com a pele do bebê permite descobrir quantas semanas tem o recém-nascido/Divulgação
Com investimentos que já chegam a US$ 150 mil, o projeto Skinage, inédito no mundo, desenvolvido e patenteado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e que dará com mais precisão a idade gestacional de bebês, se prepara para entrar na etapa de validação. O projeto recebeu US$ 100 mil da Fundação Bill & Melinda Gates, e outros US$ 50 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Novo aporte de US$ 50 mil estão previstos pelo governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde. O Skinage, nome dado ao sensor, poderá ser fabricado em escala industrial em 2020.

“Nos próximos dois anos, testaremos no maior número de bebês possível, revela a coordenadora do projeto, a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFMG, Zilma Reis. Ela diz que o Skinage será muito benéfico nos casos de bebês prematuros. Aliás, a fragilidade do bebê prematuro foi outro fator determinante nas escolhas realizadas no desenvolvimento da tecnologia não invasiva.

“A correta identificação da idade gestacional ao nascer, em especial quando os parâmetros clínicos e o ultrassom são inconclusivos ou não existem, pode auxiliar a equipe de saúde a tomar decisões para o melhor cuidado com o bebê”, observa. O dispositivo encontra-se na terceira prototipagem após passar por testes nas maternidades do Hospital das Clínicas e Sofia Feldmann, onde 120 recém-nascidos já tiveram o tempo confirmado pelo aparelho, com sucesso.

A equipe do projeto escolheu as duas maternidades para os testes por se tratarem de ambientes hospitalares de excelência, nos quais era possível ter certeza das idades gestacionais para comparação do resultado oferecido pelo dispositivo. “Precisávamos de parâmetros confiáveis. As mães deveriam ter feito ultrassom desde o início da gravidez e todo o acompanhamento pré-natal”, justifica Zilma Reis. Com base nos testes, foi possível criar o modelo tecnológico para ser aplicado em locais que não oferecem as mesmas condições.

Inovação - Cerca de 12 profissionais, entre médicos, biomédicos, cientistas da computação, físicos e engenheiros da universidade, trabalham há três anos em cima da solução inovadora que, por meio de um sensor, determina com precisão se o bebê é ou não prematuro. De funcionamento simples, semelhante a um oxímetro, uma luz em ondas específicas com propriedade de interação com a pele é direcionada na planta do bebê e a partir daí o aparelho portátil, que poderá ser operado por qualquer profissional de saúde, traz informações que permitem o cálculo da idade gestacional.

“A luz interage com a pele, e a forma como ela se reflete gera um fenômeno que conseguimos analisar cientificamente. Um bebê prematuro, que tem a pele muito fina, absorve mais luz e reflete pouco. À medida que ele vai amadurecendo, a pele fica mais espessa, refletindo mais luz”, exemplifica. Zilma esclarece que saber a idade gestacional correta é fundamental para definir uma série de medidas necessárias à saúde do bebê. Ela ressalta que a cronologia gestacional é o marcador mais importante de sobrevida do recém-nascido.

Ela também afirma que metade dos nascimentos no Brasil traz informações imprecisas do tempo da gravidez, seja por falta de informação, pré-natal tardio ou total falta de acesso à saúde, daí o potencial social enorme do dispositivo desenvolvido. A equipe pretende disponibilizá-lo, a baixo custo, nas maternidades brasileiras e do resto do mundo, principalmente em países mais pobres, como a África, até 2020.

“Em lugares como a África, apenas 5% das mulheres têm acesso à ultrassonografia. A grande maioria não dispõe de parâmetros para identificar a idade gestacional. Dessa forma, quem mais se beneficiará dessa tecnologia são os países de baixa e média renda, onde não há pediatra na sala de parto ou não é comum fazer o pré-natal”, afirma a coordenadora.

Problema global - Zilma Reis esclarece ainda que a identificação da idade gestacional dos bebês recém-nascidos é um problema mundial, e a falta dessa informação pode comprometer suas chances de sobrevida. “De 15 milhões de bebês que nascem prematuros a cada ano no mundo, um milhão morre por causa das complicações da prematuridade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as causas de morte neonatal são responsáveis pela metade dos casos de comprometimento neurológico em crianças”, diz.

Na maioria dos casos, esses bebês precisam receber cuidados especiais, como suporte respiratório e controle de temperatura, ou ser encaminhados a uma unidade neonatal. Para que isso ocorra de maneira satisfatória, é necessária a identificação exata da idade gestacional, calculada, atualmente, por um pediatra ou enfermeiro neonatólogo treinado.

Com o dispositivo, patenteado pela equipe, a margem de erro é de 11 dias, nas primeiras 48 horas de vida.

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