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Economia

21/04/2017

PBH prorroga o prazo para retirar camelôs do hipercentro para 90 dias

Ana Amélia Hamdan
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O prazo para a retirada dos camelôs do hipercentro de Belo Horizonte foi prorrogado de 60 para 90 dias. A ação, anteriormente prevista para ocorrer no fim de maio, deve acontecer até 27 de junho. A informação foi divulgada na quinta-feira pela Associação Comercial de Minas (ACMinas). Na última quarta-feira, a entidade realizou reunião do Movimento S.O.S. Hipercentro, com a presença da secretária municipal de Serviços Urbanos, Maria Fernandes Caldas, que apontou a necessidade do adiamento.

“Vamos agora nos mobilizar para que esse novo prazo seja cumprido, para que não ocorram novos adiamentos”, afirma o diretor da ACMinas e coordenador-executivo do movimento S.O.S. Hipercentro, Fernando Bronca.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o adiamento ocorreu por solicitação do Ministério Público de Minas Gerais, para que se possa analisar devidamente a questão da reinserção dos vendedores ambulantes no mercado de trabalho.

De acordo com a PBH, levantamento feito junto aos camelôs que atuam no hipercentro da Capital indica que 75% deles tinham carteira assinada, estavam no mercado de trabalho – principalmente na área da construção civil –, mas perderam o emprego. Além disso, 85% disseram desejar fazer curso de capacitação e 95% têm interesse em trabalhar em shoppings populares.

O estudo apontou que a maioria desses trabalhadores informais –75% – é formada por homens; 70% têm filhos e 30% deles moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

De acordo com o mapeamento, 785 camelôs estão agindo ilegalmente no hipercentro da Capital. Esse número não inclui índios, artesãos e portadores de deficiência, que têm autorização para trabalhar na área.

A retirada dos camelôs e outras ações de revitalização do hipercentro foram anunciadas pela PBH em 27 de março, logo após a criação, pela ACMinas, do Movimento S.O.S. Hipercentro. Na ocasião foi estipulado o prazo de 60 dias para retirada dos camelôs da região. O plano da prefeitura prevê quatro diretrizes que nortearão os trabalhos na área: camelôs, moradores de rua, segurança e revitalização.

Moradores de rua - Segundo Fernando Bronca, outra medida que vem ganhando força é a criação de hotéis sociais no Centro de Belo Horizonte, voltado aos moradores de rua.
O diretor da ACMinas  explica que esses hotéis seriam instalados em prédios ociosos. No local seriam oferecidos moradia provisória e serviços que possam promover a reinserção social dos moradores de rua. “Há certa resistência, por parte dos moradores de rua, aos abrigos, até mesmo porque eles estão longe do centro”, observa.

De acordo com ele, o modelo que vem sendo pensado é de parceria entre o poder público e iniciativa privada. “Já temos o dono de um prédio, próximo à rodoviária, interessado em instalar o hotel social. Por outro lado, há interesse da prefeitura em pagar a estadia para os moradores de rua”, ressalta.

Fernando Bronca destaca que o grupo de trabalho Movimento S.O.S. Hipercentro vem ganhando novas adesões e conta com a participação da prefeitura e de entidades como Polícia Militar, Guarda Municipal, representantes dos centros de compras e shoppings populares, Ministério Público, Câmara Municipal, entre outros. “É um movimento representativo e plural que vem se fortalecendo cada vez mais”, avalia.

De acordo com ele, o grupo pretende pensar ações de longo prazo para o hipercentro. “Queremos provocar a sociedade sobre o que ela espera para região, se quer uma área para moradia, com atividade cultural, entre outras”, salienta. O grupo vem monitorando também as questões sobre segurança e revitalização urbana.

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