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02/09/2014

Pequenas empresas entram no mercado provedor de internet

Demanda na zona rural fomenta criação de empreendimentos do setor
Thaíne Belissa
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Neger: crescimento de pequenos é resposta à demanda/Marcelo Kahn / Divulgação
A crescente demanda por acesso à internet em cidades do interior e na zona rural do país está fomentando a criação de pequenas empresas provedoras do serviço. A conclusão é do presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger, diante dos números de pesquisa sobre o setor apresentada no evento "Desafios e Oportunidades para os Profissionais de Internet", nos dias 26 e 27 de agosto, em Belo Horizonte.

Além de traçar um perfil geral dos provedores de internet no Brasil, o estudo mostrou a importância das empresas locais para a democratização do acesso à internet e para o crescimento do setor.

A pesquisa foi realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) e levou em conta dados colhidos com 2 mil empresas. Entre as principais conclusões apresentadas pela estatística, Suzana Alves, está a grande quantidade de pequenas empresas provedoras de internet no país.

De acordo com ela, o estudo mostrou que 54% das empresas do setor no país têm até nove funcionários; 24% têm de 10 a 19; 14% têm de 20 a 40 e apenas 1% possuem mais de 250 empregados.

Para o presidente, o crescimento desses pequenos empresários é uma resposta direta à demanda em cidades do interior, que não são atendidas pelos grandes players. Segundo ele, a Abranet estima que, levando em consideração o número total de usuários que esses pequenos provedores atendem, todos eles juntos resultariam na quarta maior empresa de telecomunicações do país.

"Tenho visitado cidades do interior e até hoje não encontrei nenhuma que não tenha um provedor local de acesso. Às vezes elas atendem 10 ou 20 usuários, mas por uma questão de necessidade elas surgem. E mais do que isso: temos visto a consolidação dessas empresas que atuavam em apenas um município e acabaram indo para um distrito, para outra cidade e até chegando a uma atuação regional", afirma.

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Importância - Neger destaca a importância desse movimento, tendo em vista que as grandes empresas não têm interesse em ampliar suas redes para esse lugares mais distantes e com menos estrutura. "Esses pequenos estão atuando justamente onde os grandes não vão, pois são cidades com mais dificuldades, onde há o desafio da inclusão digital e eles não querem investir comercialmente", diz.

Segundo o presidente, como essas cidades não atraíam a iniciativa privada, acabavam entregues ao poder público. Com a chegada dos pequenos provedores essa realidade está mudando, pois eles estão levando o que tem de melhor do setor a áreas muito longe das capitais.

"O que me surpreende é o avanço dessas empresas instalando infraestrutura de fibra ótica em cidades que a gente nem imaginava. Elas estão mostrando que não há necessidade de investimento público direto, pois estão fornecendo o serviço, gerando emprego local e lucrando", destaca.


Oportunidade - Mas a pesquisa do Cetic.br mostra que, apesar do crescimento dos pequenos provedores, a zona rural ainda é muito pouca atendida, o que representa uma grande oportunidade de negócios para o atores do setor. De acordo com o estudo, há uma concentração de empresas que oferecem internet em velocidade de até dois megas na região Sudeste do país.

"Identificamos provedores fornecem internet para 40% das cidades do Sudeste, 25% na região Nordeste, 24% no Sul e apenas 3% deles mandam acesso para todas as regiões do país. Percebemos que a maioria atende as cidades mais próximas deles", afirmou Suzana Alves, durante a apresentação.

De acordo com ela, uma outra pesquisa do Cetic.br sobre acesso domiciliar à internet no Brasil mostrou que 49% dos domicílios no Brasil têm computador, mas não possuem acesso à internet. Além disso, esse levantamento apontou que apenas 15% dos domicílios situados na zona rural do país têm acesso à internet, em contraste com 48% dos domicílios na área urbana.

Para o presidente, uma forma de influenciar o crescimento das pequenas empresas nessas áreas é uma política de acesso ao crédito mais eficaz. Ele destaca que os empresários que se estabelecem nessas regiões estão crescendo a duras penas, investindo capital próprio em lugares com pouquíssima infraestrutura, pois não conseguem acesso a financiamento.

"Quando você tem uma atividade convencional, pode dar garantias reais para conseguir um financiamento, como seu terreno ou maquinário. Mas estamos falando de internet e onde está a garantia real para financiamento? Uma fibra ótica no poste na rua? Não existe isso, então eles não conseguem crédito", diagnostica.


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