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Agronegócio

12/06/2018

Pesquisa identifica mercado para carne ovina no País

Da Redação
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Foram criadas linhas como as de presunto, copas e bacon/Paulo Lanzeta/Embrapa/Divulgação
As carnes bovina, suína e de frango já estão presentes na mesa do brasileiro. Mas o mesmo não acontece com a carne ovina, que ainda precisa conquistar seu espaço na preferência do consumidor. Resultados de pesquisa realizada recentemente pela Embrapa demonstraram que 25 milhões de brasileiros, 12% de consumidores do País, nunca sequer experimentaram a proteína oriunda de ovelhas, carneiros ou cordeiros.

Mesmo entre aqueles que já provaram carne ovina, a maior parte não criou hábito de consumo. Dos entrevistados listados na seção de consumo ocasional, 27% revelaram comer esse tipo de carne algumas vezes por ano e 35% consumiram alguma vez na vida, soma que corresponde a 128 milhões de pessoas. O consumo é frequente apenas para 52 milhões de brasileiros, ou 25% da população nacional, com 17% dos pesquisados saboreando a carne ovina pelo menos uma vez por mês, 7% uma vez por semana e 1% diariamente.

Ou seja, boa parcela daqueles consumidores que já provou, não fez disso um hábito. “Mesmo no Sul, onde há tradição na criação e consumo, a carne ovina é mais lembrada para os churrascos de fim de semana, para assar em momentos festivos, mas ela não está presente no cardápio durante a semana”, resume a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul (RS) Élen Nalério, coordenadora do projeto “Aproveitamento Integral da Carne Ovina (Aprovinos)”, que busca levar ao mercado novas opções de consumo dessa carne.

Pouca oferta - Os motivos do baixo consumo da carne ovina vão desde a pouca disponibilidade do produto no mercado até a falta de costume e inexistência de cortes mais apropriados para o preparo no dia a dia, como acontece com outras proteínas animais. Esses pontos também foram levantados pela pesquisa intitulada “Percepção do consumidor brasileiro em relação à carne ovina e produtos derivados”, realizada no âmbito do Aprovinos e defendida pela engenheira de alimentos Juliana Cunha de Andrade em sua tese de doutorado em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em seu trabalho, Juliana detalhou um cenário com a percepção dos consumidores que pode servir de bússola para a cadeia produtiva da ovinocultura. “A falta de adequação da carne ovina a uma situação de consumo frequente foi identificada como a principal barreira, sendo considerado um produto para ocasiões específicas, em oposição às refeições diárias”, destaca.

Para a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) Rosires Deliza os resultados do estudo forneceram uma visão abrangente da percepção do consumidor brasileiro sobre a carne ovina. “Entre as estratégias identificadas para aumentar o consumo estão: campanhas de comunicação, degustação em grandes centros comerciais, desenvolvimento de novos produtos e viabilização do consumo em situações cotidianas”, completa a cientista, que, ao lado do professor Gastón Ares, da Universidad de la República (Uruguai), foi orientadora do trabalho de doutorado da pesquisadora Juliana Cunha.

Novos produtos - Inspirados em processados suínos, pesquisadores criaram linhas de produtos inéditos no mercado: presuntos crus defumados e não defumados, copas, mortadelas, hambúrgueres e até bacon, já nominado de oveicon, tudo feito a partir de carne ovina.

De acordo com a coordenadora do projeto “Aproveitamento Integral da Carne Ovina (Aprovinos)” pela Embrapa, Élen Nalério, todos esses produtos são feitos com categorias animais com pouco valor comercial, como ovelhas mais velhas, porém, ainda com bastante qualidade nutricional. Além do desenvolvimento de derivados, o projeto trabalhou com cortes diferenciados de carne para apresentação e comercialização. Hoje a maior parte da carne ovina é vendida em peças grandes, como o pernil e a paleta, o que torna mais difícil o manuseio e o preparo.
 
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Seleção de empresas – Ainda no primeiro semestre de 2018, a Embrapa deve lançar edital público com o objetivo de transferir, para empresas do segmento de carnes, o know how sobre os processos agroindustriais para produção dos derivados de ovinos elaborados pelo projeto Aprovinos. “O desafio está em identificar empresas e organizações que vislumbrem as oportunidades de novos produtos para gerar novos negócios. Além disso, esses parceiros ajudarão a combater a informalidade no abate e na comercialização de carne ovina no País; a colaborar com a organização da cadeia produtiva da ovinocultura; e a oferecer outro leque de produtos com qualidade e segurança alimentar aos consumidores”, indica a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Estefanía Damboriarena.

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