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FAPEMIG - Ciência e Inovação em Minas

17/08/2016

Pesquisa mostra relação entre mães encarceradas e seus filhos

Assessoria de Comunicação da Fapemig
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Inaugurada em 2009, na cidade de Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade (CRGPL) é uma prisão que tem como objetivo manter a relação afetiva entre mães encarceradas e seus filhos. A única da América Latina com esta característica, ela abriga gestantes a partir do 7º mês de gravidez e suas instalações não possuem grades e celas. As mães têm o direito de permanecer com os filhos até o primeiro ano de vida. Como uma ação inovadora, o projeto tem sido tema de pesquisas nacional e internacional que desejam entender o funcionamento do Centro de Referência.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o projeto “Mulheres encarceradas: laços com o crime, desenlace familiar”, coordenado pela professora Ilka Franco Ferrari, do Centro de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), tem como objetivo entender qual o contato destas mães com seus filhos e como este projeto pode ajudar na ressocialização destas mulheres.

Após este período de convivência com os filhos, muitas mães são transferidas para outras unidades prisionais para o cumprimento do restante de suas penas, enquanto a guarda de seus filhos é transferida para outras pessoas para que eles possam seguir uma vida normal e de socialização. Assim, o grande desafio é entender como continua a relação das mães encarceradas como seus filhos e qual o contato entre eles.

A pesquisa busca entender como é o desenvolvimento da criança depois de ficar encarcerada com a mãe e ser separada após um determinado período. A coordenadora do projeto, professora Ilka Ferrari, ressalta que apesar de crescerem saldáveis, as crianças demonstravam medo: “As funcionárias do Centro de Referência reconheceram que as crianças cresciam fortes em função da boa alimentação, mas demoravam muito a falar, tinham medo de tudo que chegava de fora, inclusive de homens. A separação, em geral, era muito sofrida para a mãe e criança, ainda que a mãe se sentisse aliviada da responsabilidade e desejosa que a criança conhecesse um mundo diferente daquele” fala.

Por se tratar de um tema complexo que envolve diferentes atores, e pela falta de informações, esta é uma pesquisa que traz grandes desafios, como lembra Ilka Ferrari: “Depois que mãe e filho deixam o Centro de Referência, ali não fica nada sobre sua história nem destino”, afirma. Ela também destaca a importância desta pesquisa para esclarecer a relação mãe e filho e contribuir para o desenvolvimento de novos projetos: “a pesquisa vem lançar luz sobre um assunto que se desconhece, abrindo espaço para discussões acerca da polêmica questão que é a manutenção da criança junto à mãe encarcerada.

Além de contribuir para ações das políticas públicas no âmbito do sistema penitenciário, baseadas em dados da realidade social e a construção e reconstrução de laços sociais. As informações obtidas podem se reverter em benefícios para crianças, mães e familiares que venham a viver situação semelhante”, disse.

A pesquisa também teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIP) da PUC Minas.

Os textos publicados nesta editoria são de responsabilidade da Fapemig. O Diário do Comércio não se responsabiliza e nem poderá ser responsabilizado pelas informações e conceitos emitidos e seu uso correto.

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