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Minas 2032

11/11/2015

Planejamento é fundamental

Luciane Lisboa
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Como não poderia ser diferente, o presidente da Faemg considera fundamental os investimentos em pesquisas de base tecnológica para o avanço do agronegócio. "Chamo a atenção também para as nossas universidades. Sabemos que em todo o mundo a presença da universidade no crescimento das nações mais desenvolvidas é fortíssima, estudando, propondo soluções. Nós precisamos que a universidade saiu em busca de resultados voltados para a região em que ela vive", afirmou.

Simões disse que o setor espera que o governo federal cumpra o prometido e lance o mais rápido possível a política plurianual para o agronegócio. "A ministra Kátia Abreu (da Agricultura) já sinalizou nesse sentido. Precisamos aprender com nações como os Estados Unidos e países da Europa que planejamento é fundamental. No agronegócio é preciso planejar um horizonte pelo menos de médio prazo. Esse negócio de todo ano começar um novo plano-safra que você não faz ideia de como vai ser prejudica muito, pois não temos planejamento para nada. Vira uma verdadeira loteria", criticou.

Já no âmbito do governo do Estado, o dirigente disse que o agronegócio esbarra fundamentalmente na questão ambiental. "Minas Gerais parou. Nós hoje somos considerados o 14º, 15º Estado para se investir no Brasil. Aqui não se aprova, não se licencia, não há autorga, então como faz? A Faemg apoia o governador, que teve a coragem de propor um plano que está tramitando na Assembleia Legislativa.  um plano ousado, que pretende simplificar a questão ambiental. Porque o que temos feito é um rosário de atitudes burocráticas que travam tudo e não beneficiam em quase nada o meio ambiente", desabafou.

Minas também enfrenta o velho problema de ser considerado um Estado produtor de commodities. O presidente da Faemg deixou claro que não há motivo nenhum para se ter vergonha disso. "Uma commodity agrícola carrega hoje em seu bojo tanta tecnologia que se torna mais nobre que muitos produtos manufaturados produzidos por aí. São pesquisas que envolvem tecnologia de ponta, satélites, formação de gente altamente qualificada, genética de altíssimo nível, nanotecnologia, entre outras, tudo embutido em um grão de soja. Não se trata apenas de commodities extrativas como antigamente", justificou.

Por outro lado, Simões faz questão de frisar a importância de se ter projetos de incentivo à agregação de valor ao produto agrícola, tendo em vista que Minas Gerais é carente em certificação de origem e melhoramento da produção. "Temos que trabalhar isso também", ressaltou.

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Concentração - Pesquisa recente feita com dados do IBGE mostrou que de 18% a 20% dos produtores brasileiros produzem 85% da produção nacional. No entanto, esse não é um problema apenas do Brasil, ocorre no mundo todo.

Para o presidente da Faemg, é fundamental o desenvolvimento de estudos e pesquisas em prol do desenvolvimento do médio e pequeno produtor, que tem ficado à margem do avanço tecnológico que o setor agropecuário conseguiu obter nos últimos anos. "Temos empresas de ponta, com tecnologias de última geração, com rendimentos muito altos e essa grande marginária de pequenos e médios produtores que vêm arrefecendo. Nesse caso, vale lembrar o velho problema mundial que consiste na concentração da produção nas mãos de poucos."

O que fazer com os menores então? "Este é um dos maiores desafios que temos na agricultura. Tínhamos um programa de assistência técnica que, no início da década de 1990, o ex-presidente Fernando Color de Melo resolveu acabar com ele. Desde então, pouca coisa foi feita. Hoje, a assistência técnica está mais focada em produtos. Temos que repensar como voltar com o programa", disse.

Para finalizar, Simões acredita que se a maior parte desses desafios apontados por ele não for sanada até 2032, o agronegócio brasileiro está fadado ao fracasso. "Seremos cada vez menos, mais concentrados e teremos expulsado boa parte do nosso pessoal do campo. Acho que a tarefa que temos em mãos é gigantesca. Temos que entrar nela de corpo e alma, e se houver vontade, planejamento e recursos chegaremos lá", concluiu.


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