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Política

13/04/2018

Polícia Federal apura esquema de propina em fundos de pensão

Postalis e Serpros teriam pagado R$ 20 milhões
Reuters
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O procurador Eduardo El Hage aponta contrapartida entre partidos e fundos de pensão/
Rio de Janeiro - A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Rizoma para investigar irregularidades nos fundos de pensão dos Correios, o Postalis, e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Serpros, que teria incluído o pagamento de R$ 20 milhões em propinas a lobistas e pessoas ligadas aos fundos, informaram a PF, o Ministério Público Federal e a Receita Federal ontem.

Dez pessoas foram alvos de mandados de prisão e 140 policiais federais também cumpriram 21 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. São investigados os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
De acordo com o MPF, doleiros ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, que está preso, lavaram dinheiro para o empresário Arthur Pinheiro Machado, presidente do Americas Trading Group (ATG), empresa que atua diretamente no mercado financeiro. Segundo os promotores, o empresário está envolvido em fraudes nos dois fundos de pensão.

Machado foi um dos presos na operação de ontem. Também foram alvos Marcelo Sereno, que foi assessor de José Dirceu quando ele foi chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Milton Lyra, apontado em outras investigações como suposto operador do MDB.

Machado, de acordo com os investigadores, teria pago propina a lobistas responsáveis por indicações de pessoas em fundos de pensão e a funcionários desses fundos.

“É uma organização criminosa que se instaurou dentro do Postalis e do Serpros, que estava ligada a empresas e corretoras que criavam fundos. As investigações começaram há alguns anos, mas agora a gente não visa detectar o desvio de recursos, mas a lavagem de dinheiro, a evasão de divisas e recebimento desses valores», disse o delegado da PF Alessandro Bessa.

“Foram identificados doleiros e por meio desses doleiros, por meio de quebra de sigilo, bem como uma colaboração premiada, chegamos ao pagamento de vantagens indevidas e remessas de recursos ao exterior”, acrescentou.

De acordo com o MPF, Machado criou um fundo de investimentos em 2010 que, inicialmente, teve como principais investidores as empresas de responsabilidade dele e o Postalis, que ingressou com R$ 119 milhões. Três anos depois, o Serpros passou a aplicar no fundo, com os aportes chegando a R$ 72 milhões até 2015.

As investigações apontaram que foram distribuídos pelo menos R$ 20 milhões em vantagens indevidas a lobistas e funcionários dos fundos de pensão. Lyra e Sereno estão entre os destinatários desses recursos, disseram os investigadores.

“Os fundos de pensão tem recursos altos para serem investidos e uma parte é usada em produtos com risco baixo e outros em investimentos para desenvolver a economia brasileira. Mas o que ocorreu no Brasil é que partidos políticos indicaram para fundos de pensão pessoas que escolhiam empresas para fazer aportes volumosos e depois havia cobrança de um kick back (contrapartida)”, disse o procurador Eduardo El Hage, coordenador da Lava Jato no Rio de Janeiro.

A operação foi batizada de Rizoma, uma espécie de caule que se ramifica sob a terra. De acordo com a PF, trata-se de uma referência ao processo de lavagem de dinheiro e ao entrelaçamento existente entre as empresas investigadas.

Sofisticação - De acordo com a PF e o Ministério Público, Machado aplicou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de propina aos responsáveis pelos fundos de pensão e, para isso, usou doleiros ligados a Cabral.

“As investigações começaram em outubro de 2017 e começou com colaboração premiada que veio espontaneamente e esclareceu que a rede de doleiros de Cabral foi usada para outros crimes”, disse Hage.

“Esse colaborador era ligado a Arthur Pinheiro Machado, que queria criar uma nova bolsa de valores. Os fundos de pensão aportavam recursos nos fundos dele e Arthur pagava propina aos fundos de pensão”, explicou.

Em nota, a defesa de Machado e de Patricia Iriarte, também alvo da operação e que é ligada à ATG, disse refutar “de forma veemente, qualquer relação entre os empresários e atos ilícitos”. “Informa que ambos sempre agiram no mais absoluto respeito à legislação e que não compactuam com práticas ilegais”, acrescentou a nota.

Os advogados Pierpaolo Bottini e Alexandre Jobim, que representam Lyra, afirmaram que o empresário “já havia se colocado à disposição da Justiça do Distrito Federal, que apura o caso, para esclarecimento dos fatos”.

“(A defesa) afirma também que as atividades profissionais do empresário são lícitas, o que já foi comprovado em diversas oportunidades, e que seu cliente continua à disposição para colaborar com a Justiça e com a investigação”, disse a defesa. (Reuters)

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