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Opinião

06/12/2017

Posicionamento para o crescimento

João Carlos Marchesan*
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Não pretendemos aqui reeditar os velhos jargões como ‘não há crise que resista ao trabalho’ ou ‘em toda a crise há uma oportunidade’ e outros no gênero. O que pretendemos verdadeiramente é propor um movimento dotado de ações para o desenvolvimento, onde todos possamos trilhar o mesmo caminho – o do retorno ao crescimento.

É claro que não depende apenas das nossas ações, mas creio que um movimento voltado para a positividade e o crescimento, sem tanto pessimismo, possa ajudar. Por exemplo, todos sabemos do potencial do Brasil, todos temos certeza que vivemos em um País sem terremoto, tsunamis ou qualquer outra grande catástrofe ambiental.

As nossas tempestades são de outra natureza e, como tudo na vida, vão passar. E nós todos sabemos todos os esforços que temos envidado no sentido de pelo menos minimizar os efeitos da tempestade política no nosso setor, criando uma Frente Parlamentar e tendo uma ação direta e incisiva em todas as frentes governamentais, especialmente as ligadas ao poder de alterar certas medidas capazes de melhorar o nosso status quo.

No entanto, conhecemos também que o nosso setor tem muitos problemas da porta da fábrica para dentro, para isso desenvolvemos várias parcerias para ajudar na capacitação das nossas empresas e respectivas lideranças e isso pode se tornar uma poderosa ferramenta para o crescimento. Uma certeza temos, não adianta se desesperar e tomar atitudes impensadas para tentar resolver os problemas de agora sem pensar no futuro. Precisamos nos concentrar minimamente em estudos que possam indicar tendências como os que temos feito na área de competitividade, porque se soubermos mais ou menos o que vai acontecer podemos traçar planos para quando a crise acabar e certamente sairemos dessa mais forte.

De outro lado, sabemos que ações visando o desenvolvimento para gerar efetivo crescimento nessa altura do campeonato podem vir de duas frentes: exportações de manufaturados e/ou investimentos públicos. Sabemos que grande parte do nosso setor de máquinas e equipamentos já exporta, mas a ampliação da estratégia baseada no mercado externo demoraria mais a se consolidar, enquanto que a elevação dos investimentos públicos exerceria impactos mais imediatos. O impulso de demanda gerado por estes investimentos alavancaria o nível de renda do setor privado. Vale dizer que, além de importantes injeções de demanda no curto prazo, a melhora na infraestrutura também conferiria ganhos de competitividade à produção doméstica no médio/longo prazo. Todos compreendemos que investimentos nas políticas básicas como infraestrutura, saúde e educação são a base para a volta do crescimento do País.

Obviamente, além da sugestão de investimentos, continuaremos insistindo na nossa agenda de competitividade para o País, pedindo um câmbio previsível, juros menores e uma redução sensível da carga tributária, não nos esquecendo que com toda a crise, tem muitas possibilidades para a indústria de máquinas e equipamentos e o foco do nosso trabalho junto ao governo deve ser desenvolver o setor industrial, principalmente levando em consideração o  grande mercado consumidor que existe no Brasil.

Nesse sentido, podemos trabalhar a favor do crescimento e tentar analisar as tendências sem se descuidar do dia a dia das nossas empresas, tomando atitudes sempre com atenção aos nossos planos de negócios, ao fluxo de caixa e às nossas efetivas possibilidades de crescimento.

* Administrador, empresário e presidente do Conselho de Administração Abimaq/Sindimaq

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