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Agronegócio

10/01/2017

Preços pagos pelo leite aos pecuaristas recuam

Em dezembro foi apurada queda de 3,48%, mas tendência é de estabilidade em Minas
Michelle Valverde
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Os preços do leite já subiram no mercado spot e houve reação nos preços do longa vida e de outros lácteos/Armando Alves/Secs
Pelo quarto mês consecutivo, os preços pagos pelo leite em Minas Gerais recuaram. Em dezembro, referente à produção entregue em novembro, foi verificada queda de 3,48% no valor líquido do produto, que foi negociado, em média, a R$ 1,20 por litro. Com mais este recuo, a tendência para o pagamento de janeiro, referente à entrega de dezembro, é de estabilidade nos valores, uma vez que o estreitamento da margem de lucro dos pecuaristas e o comprometimento da capacidade de investir na produção vão contribuir para que o volume captado fique menor.

De acordo com o zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho, ao contrário de novembro, quando a produção estadual cresceu, para dezembro é esperada queda na captação.

“A tendência é de redução da oferta de leite. Os primeiros levantamentos referentes à produção de dezembro mostram a expectativa de queda nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, sendo que no Sul a redução já ocorreu em novembro. Com a oferta diminuindo, para janeiro, mais de 70% das indústrias falam em manutenção dos preços pagos”.
A expectativa de sustentação dos preços em janeiro é atípica para o período.

Normalmente, a estabilização dos valores pagos aos produtores ocorre em fevereiro. Em março, é verificada reação nos preços. Ribeiro explica que a atual condição dos produtores, que ao longo de 2016 tiveram as margens comprometidas pelos preços menores e custos elevados, justificam a menor produção e antecipação da recuperação do mercado.

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Na média do Estado, valor foi de R$ 1,20


A manutenção dos valores recebidos abaixo dos custos de produção fez com que muitos produtores reduzissem o rebanho, secassem as vacas mais cedo, suspendessem os investimentos e, em casos mais severos, abandonaram a atividade leiteira.

“Com o menor investimento, a tendência é de queda na produção. A antecipação da firmeza de mercado ocorre em função da menor disponibilidade de leite, o que deve conferir aos produtores preços mais altos no começo do ano, já a partir do pagamento do leite entregue em janeiro”, disse Ribeiro.

Ainda segundo o consultor da Scot Consultoria, os preços do leite já subiram no mercado spot (comercialização entre as empresas) e houve reação nos preços do leite longa vida e de outros lácteos no atacado.

“O aumento não ocorreu pelo maior consumo de lácteos, mas pelo varejo, que vinha comprando menos nos últimos meses de 2016. O varejo enxugou os estoques e retornou ao mercado. No curto prazo, a sinalização é de mercado mais firme para o produtor”, disse Riberio.

Mesmo com perspectiva de antecipação da retomada dos preços, Ribeiro destaca que os produtores devem ficar atentos ao mercado e planejar os investimentos.  
Previsão - “2017 não será o ano de recuperação forte da margem de lucro, já que tivemos dois anos bem complicados para a produção leiteira. Será preciso ter cautela, planejar os investimentos e a compra de insumos”.

Ribeiro destaca que em médio e longo prazos a questão dos custos será favorecida pelo cenário de preços mais baixos do milho e do farelo de soja, e também pelo clima, que, até o momento, tem sido mais favorável para a agricultura.

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