Publicidade

FAPEMIG - Ciência e Inovação em Minas

29/06/2016

Preservação de campos rupestres é fundamental para a sociedade

Email
A-   A+
Campos rupestres: vegetação campestre encontrada nos topos das serras mineiras/Divulgação
Ecologicamente rico, o Brasil é um país com a maior biodiversidade de plantas e vegetações. Entretanto, diferentemente do que as pessoas imaginam, não são nas florestas tropicais que se concentram as maiores diversidades de plantas. Os campos rupestres, vegetação campestre encontrada nos topos das serras mineiras, ocupa menos de 1% do território brasileiro, mas contém mais de 15% de todas as espécies de plantas registradas no País, sendo mais de 5 mil. Esta variedade transforma os campos rupestres na maior biodiversidade do País e uma das maiores do mundo.

Em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o professor do departamento de botânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fernando Silveira, desenvolve uma pesquisa que estuda esta vegetação e seus impactos. O objetivo é investigar aspectos da ecologia e da evolução de plantas que ocorrem em ambientes geologicamente antigos e pobres em nutrientes para a sobrevivência de vegetações, ao mesmo tempo que se mostra extremamente rico em espécies de plantas. O local de estudo é uma das áreas mais antigas do planeta e seus solos estão entre os mais pobres do mundo.

Muito comum nas paisagens mineiras, o campo rupestre pode ser facilmente encontrado na Serra do Cipó, Serra do Caraça, Serra da Canastra, em Diamantina, Ouro Preto, entre outros. Devido às belas paisagens formadas a sua volta, eles também impactam diretamente na indústria de turismo de Minas Gerais, uma vez que é considerado a típica paisagem mineira. Assim, sua conservação é fundamental para a sobrevivência de cidades, povoados e uma indústria de serviços diversificada que sustenta a imagem ambiental de minas gerais.

Preservação - Devido às ações humanas, entre elas a mineração, esta vegetação tem sofrido grande destruição. A maior parte do minério de ferro extraído em Minas Gerais vem do Quadrilátero Ferrífero, importante região de campo rupestre e de nascentes de água.

Para se ter uma ideia, grande parte da água que abastece Belo Horizonte, por exemplo, vem de cursos destas áreas. O pesquisador Fernando Silveira lembra que nestas áreas “o solo é poroso e acumula uma grande quantidade de água que abastece os mananciais e 20% da população belo-horizontina. Com o avanço da mineração, estas áreas estão cada vez mais ameaçadas, o que intensifica a crise hídrica” destaca.

Para o pesquisador, é fundamental conscientizar as pessoas da importância dos campos rupestres: “A visão dominante de que florestas são os ecossistemas mais importantes para a conservação resultou em impactos negativos para a conservação de outros tipos de ecossistemas. Precisamos entender que outras vegetações precisam de atenção da mesma maneira que as florestas tropicais”, afirma. Silveira lembra que geralmente as pessoas têm como hábito imaginar a floresta amazônica ou mata atlântica quando se fala em preservação, no entanto, o campo rupestre é mais biodiverso do que ambas.

Outro fator fundamental para a preservação dos campos rupestres é sua taxa de espécies endêmicas. No Brasil, ela é assustadoramente alta, chegando a 40% das espécies, a maior do País. Isto significa que se o campo rupestre desaparecer, aproximadamente 2 mil espécies serão extintas.

Este projeto tem tido a participação de pesquisadores de diferentes países como Bélgica, França, Dinamarca e Austrália que estão interessados em entender como funciona o ecossistema do campo rupestre, devido a sua grande relevância para a sobrevivência humana e ecológica.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

23/11/2016
Inatel oferece workshop sobre tecnologia 5G na Fapemig
O padrão da nova geração da comunicação móvel vai ser definido em 2020, mas instituições de pesquisa e empresas do mundo todo já...
03/11/2016
Pesquisa contribui para a melhoria do plantio de café em Minas Gerais
Responsável pelo cultivo de aproximadamente 50% do café tipo exportação, Minas Gerais é o maior produtor do fruto no Brasil. Pensando em melhorar a qualidade da...
14/09/2016
Fórum debate novos rumos para a mineração
Com o objetivo de encontrar novas saídas para a mineração, de modo a transformá-la em uma atividade mais sustentável, a Fundação de Amparo à...
10/09/2016
Estudantes desenvolvem sistema de segurança para bicicletas
Cada vez mais comum nos grandes centros, as bicicletas são um veículo de transporte caracterizado pelo baixo custo de manutenção e por possibilitarem boa prática...
24/08/2016
Peixe-zebra torna-se modelo de pesquisa científica
O peixe-zebra, também chamado zebrafish ou peixe paulistinha, tem se tornado uma espécie aliada da ciência nas pesquisas da área biomédica, nos estudos...
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.