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Política

12/10/2017

Presidente da República está com obstrução parcial de uma artéria

FP
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São Paulo - O presidente Michel Temer está com obstrução parcial de uma artéria coronária, mas ainda não há previsão de que seja submetido a cateterismo para sua desobstrução. O problema foi detectado em exame de imagem, segundo apurou a reportagem. Temer deverá passar por tratamento medicamentoso e dieta. Se o tratamento for bem-sucedido, poderia se dispensar a cinecoronariografia por cateterismo.

Temer tem 77 anos e é o mais velho presidente da história brasileira. Na noite da última terça-feira, a TV Globo informou que o presidente seria submetido a cateterismo após a votação de pedido de abertura de processo na Câmara de Deputados. A assessoria do presidente negou que ele vá passar por tal procedimento. O médico de Temer, Roberto Kalil, também não confirmou a necessidade do cateterismo.

A obstrução parcial de uma artéria coronária é mais comum do que se imagina, segundo médicos especialistas. Em um grupo de cem pessoas com mais de 65 anos, entre 20 a 30 tem algum tipo de doença coronária, que atinge uma artéria do coração e pode levar a um ataque cardíaco.

De acordo com o Planalto, Temer não deve passar por procedimento cirúrgico, mas sim por um tratamento medicamentoso e dieta. É o que acontece com a maior parte das pessoas que tem a doença. Elas continuam exercendo suas atividades, com o uso de medicamentos ou não.

A idade do presidente é um dos fatores que o coloca em um grupo de risco, com mais chances de adquirir a doença que atinge principalmente a idosos. Além da faixa etária, o stress, o sedentarismo, a pressão alta e a diabetes são outros fatores que aumentam a probabilidade da doença.

Infarto - Apesar de não ser raro, o paciente deve ficar atento. A obstrução total da artéria leva ao infarto, sendo essa uma das principais causas de morte no Brasil. “Hoje em dia as pessoas morrem por duas causas principais: ou doenças cardiovasculares ou o câncer. Acidentes, por exemplo, são menos”, diz o cardiologista e especialista em infarto agudo do miocárdio do Hospital do Coração (HCor) Leopoldo Piegas.
Segundo ele, a obstrução acontece quando uma espécie de placa de gordura se acumula, formando coágulos que dificultam a circulação sanguínea.

A depender do tamanho dessas placas, o paciente sequer apresenta sintomas. Conforme esses coágulos aumentam, entretanto, o paciente pode passar a sentir dores no peito quando aumenta o seu consumo de oxigênio.

O melhor tratamento é a mudança de hábito, com a alimentação saudável e a prática de exercícios regulares. Quando a doença atinge nível mais avançado, é necessário o uso de medicamento que reduzem o colesterol ou alteram a coagulação do sangue.

Segundo o vice-presidente do cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, o cardiologista Marcos Knobel, são poucas as pessoas que têm acesso a exames para detectar a obstrução parcial de artérias, como uma tomografia coronália.

“Tem muita gente andando por aí com essas artérias quase que totalmente entupidas. As pessoas que vemos que têm condições de fazer o exame são a ponta do iceberg”, diz Knobel. “(A obstrução parcial da artéria) é muito mais frequente do que imaginamos”, observa.

Em casos extremos, há a necessidade de procedimentos invasivos, como o cateterismo. Nesse processo, há introdução de um tubo plástico de calibre milimétrico que alcança o coração para detectar regiões obstruídas. Se necessário, há a possibilidade de desobstrução, com a introdução de um balão que infla e deixa no local um stent - dispositivo que possibilita melhor circulação no sangue.

Há, ainda, a opção pela cirurgia, quando o médico faz um corte no tórax do paciente. “O mais importante é fazer a prevenção para essas placas não crescerem e não se transformarem em uma doença obstrutiva”, diz Knobel. 

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