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Finanças

24/08/2017

Prévia da inflação surpreende com 0,35% em agosto

ABr/AE
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São Paulo - A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15), que calcula a prévia da inflação oficial, registrou 0,35% em agosto, resultado superior à prévia de julho, que havia acusado deflação de 0,18%, mas inferior ao percentual de agosto de 2016 (0,45%).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem, no Rio de Janeiro, os dados da prévia, o IPCA-15 acumula taxas de 1,79% no ano e de 2,68% em 12 meses. Essa é a menor taxa acumulada em 12 meses desde março de 1999 (2,64%).
A inflação de 0,35% da prévia de agosto foi influenciada, principalmente, pelos aumentos dos custos dos transportes (1,35%). A alta de 5,96% dos combustíveis representou o maior impacto individual na inflação do mês. Apenas a gasolina subiu 6,43%. Já o etanol ficou 5,36% mais caro.

Impactos - O grupo de despesas com habitação também teve um impacto importante na inflação, com uma alta de preços de 1,01%, provocada principalmente pelo aumento de 4,27% na energia elétrica. O impacto na conta de luz pode ser explicado pela entrada em vigor da bandeira tarifária vermelha a partir de 1º de agosto e pelos reajustes em concessionárias de São Paulo e Belém.

Os alimentos continuam com preços em queda. Pelo terceiro mês consecutivo, o grupo de despesas alimentação e bebidas registrou deflação (-0,65%). Os alimentos para consumo em casa ficaram 1,17% mais baratos, com destaque para o feijão-carioca (-13,89%), a batata-inglesa (-13,06%), o leite longa vida (-3,86%), as frutas (-2,43%) e as carnes (-1,37%). Já a alimentação fora de casa ficou 0,32% mais cara.

Selic - O IPCA-15 surpreendeu em agosto e reforçou a percepção dos analistas de que o processo de desinflação segue disseminado no Brasil, abrindo espaço para o Banco Central cortar os juros novamente em 1 ponto percentual na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesse cenário, aumentam as chances de uma Selic mais próxima a 7% no fim do ano e já há quem fale na taxa caindo para a casa dos 6%, de acordo com analistas ouvidos pela reportagem.  

Para a Capital Economics, o índice pode estar muito perto de atingir seu piso, mas o IPCA seguirá comportado nos próximos meses e bem abaixo da meta do BC, de 4,5%.

Nesse cenário, a continuidade do processo de desaceleração inflacionária reforça o espaço para o BC cortar a Selic até 7% este ano ou mesmo abaixo disso, se as leituras do IPCA continuarem a surpreender, avalia o economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset Management. A Infinity Asset já fala em juros caindo para 6,5% em 2018 caso ocorra aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) no Congresso, alguma versão da reforma da Previdência seja aprovada, a inflação continue comportada e a confiança dos agentes não se deteriore, segundo o economista-chefe da gestora, Jason Vieira.

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