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Negócios

21/04/2017

Primeira frota da Localiza tinha apenas seis Fuscas

Empresa hoje vale US$ 3 bilhões
Thaíne Belissa
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Negócio começou nos anos 1970 com seis Fuscas usados e, hoje, é a maior rede de aluguel de carros da América do Sul/Localiza/Divulgação
Quem vê a Localiza hoje, maior rede de locadoras de veículos da América Latina, não imagina que por trás dessa grande estrutura existe a história de um mineiro do interior do Estado, que antes de sonhar com um faturamento de milhões, queria só ter uma casa com piscina. E foi a partir desse primeiro sonho “infantil” que o CEO e fundador da Localiza, Eugênio Mattar, desenvolveu seu espírito empreendedor e construiu um negócio de sucesso.

A trajetória do empresário foi tema do jantar palestra da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais Jovem (ACMinas Jovem), na última quarta-feira, no Minas Tênis Clube, na região Centro-Sul da Capital. Além de contar a história dele, o empresário falou sobre decisões difíceis na carreira e estratégias para transformar um negócio que começou nos anos 1970 com seis Fuscas usados e financiados, na maior rede de aluguel de carros da América do Sul, com mais de 100 mil carros na frota.

Oitavo filho de uma família de nove irmãos, Mattar não teve muitos privilégios na infância. A morte do pai quando ele tinha apenas 10 anos de idade também foi um dos primeiros desafios da vida do mineiro, que precisou aprender sozinho como fazer seu próprio dinheiro. “Eu tinha alimentação e casa. Mas os recursos para além disso eu mesmo tinha que providenciar. Eu olhava para o lado e via muitas pessoas com coisas que eu gostaria de ter e o meu primeiro sonho foi ter uma casa com piscina”, disse.






Ainda criança, Mattar ganhou seus primeiros trocados dando aula particular, e mais adiante passou a cultivar outro sonho que, segundo ele, foi implantado pelo pai: a formação em engenharia. “Eu era muito bom em matemática e meu pai vivia dizendo aos amigos que eu seria engenheiro. Acabei vindo para Belo Horizonte e cursando engenharia civil na Universidade Federal de Minas Gerais”, destacou. Nessa mesma época, ele começou a trabalhar com o irmão na fundação da Localiza. “Trabalhávamos muito. Era uma jornada de 7 horas às 23 horas, então a gente lanchava por lá, namorava por lá e vivia lá”, relatou.

A primeira grande decisão como empresário foi quando era recém-formado e recebeu um convite para deixar a Localiza e ir trabalhar como engenheiro na Fiat. Mattar explicou que, na época, a oferta era praticamente irrecusável, pois o mercado de engenharia era muito mais reconhecido do que o de aluguel de carros. “O salário na Fiat também era muito maior, mas acabei ficando na Localiza por lealdade ao meu irmão e porque eu já estava comprometido com a empresa”, disse.

Mal sabia o empresário que esse era só o começo das decisões difíceis. Bem mais tarde, quando a empresa já tinha um faturamento considerável e ele estava à frente da administração financeira, precisou ter muita inteligência e coragem para dizer não a ofertas de investimento na empresa. “No final da década de 80, a economia vivia um momento muito difícil e entendemos que precisávamos fazer alguma coisa diferente. Fomos pioneiros e buscamos uma operação de private equity. Decidimos que não queríamos ter sócio de fundo de pensão, nem dinheiro de estado, mas captar recurso privado internacional para ter dinheiro em longo prazo. Nessa época, o Banco Bozano quis comprar 5% da Localiza e nós dissemos não”, lembrou.

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Private equity - A empresa acabou fechando uma operação de private equity com o DLJ Merchant Banking, na qual um fundo administrado pelo banco norte-americano (hoje Credit Suisse First Boston) adquiriu 33,3% das ações da empresa por US$ 50 milhões. Pouco tempo depois, a Localiza recebeu uma grande oferta: um grupo internacional quis comprar a empresa por US$ 180 milhões, mas a direção da Localiza negou a oferta. “Hoje, a Localiza vale quase US$ 3 bilhões no mercado. Se tivéssemos vendido por US$ 180 milhões teríamos perdido muito. É claro que existe um pouco de sorte nessa história, mas acredito que ela sempre anda ao lado do trabalho”, frisou.

Estratégias - O empresário destacou que, mesmo em tempos difíceis como na hiperinflação e na atual crise econômica, a Localiza se manteve com bom desempenho porque tem uma cultura ambiciosa. Segundo ele, a empresa sempre trabalhou mudanças internas para sobreviver e crescer, independente do contexto econômico. “Nunca nos conformamos com a visão de que o ambiente dita o nosso negócio, pelo contrário, entendemos que podemos fazer mais e melhor em qualquer ambiente”, frisou. De acordo com o empresário, a estratégia da Localiza em 2014 foi garantir reservas no caixa. “Sabíamos que o mercado ia ficar difícil, que o crédito ia retrair e que se aparecesse uma oportunidade de compra a gente seria beneficiado por ter dinheiro em caixa”, disse.

Além disso, Mattar afirma que todos os processos internos foram revistos com a aquisição de ferramentas modernas de análise e de vendas. “Em 2015 e em 2016, nosso direcionamento para a Localiza era de renovação para uma empresa mais forte e melhor. Em 2017, já adotamos uma direção completamente diferente: agora a ordem é hashtag acelera Localiza. A empresa está mais moderna para se adaptar ao mundo que muda de forma rápida”, disse.

Dentro dessa lógica, a Localiza já se prepara para ter um papel em um cenário em que a posse do carro não é tão valorizada. Mattar acredita que os carros da Localiza podem ser uma boa opção para quem não quer investir no carro como bem, mas quer se locomover com rapidez. “Os motoristas do futuro poderão usar aplicativos como o Uber durante a semana e um carro alugado no fim de semana”, arriscou. Para uma realidade em que os carros autônomos ganham evidência, a empresa também se posiciona como uma prestadora de serviços de manutenção. “Podemos utilizar nossa logística para ser parte desse cenário futuro de mobilidade urbana”, disse.

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