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17/05/2018

Processo de criação da moeda é complexo

AE
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São Paulo - Os bitcoins são criados por um processo complexo no qual supercomputadores processam continuamente cálculos matemáticos de alta complexidade, em milésimos de segundos, por meio de um software específico.

A cada 10 minutos, o software lança uma equação matemática diferente. Ligados em uma espécie de rede paralela na web, os computadores competem pela chance de desvendar essas equações, para criar a próxima cadeia de transações. O usuário do comutador que decifrar primeiro os códigos é premiado com um lote de 12,5 bitcoins. Esse processo é conhecido como “mineração”.

“Você está gerando números o tempo todo e as máquinas que são usadas para isso gastam eletricidade. Se você quiser uma fatia maior do bolo, vai precisar aumentar seu poder computacional. Com isso, há um grande incentivo para que as pessoas aumentem seus gastos em computadores e em eletricidade”, explica De Vries.

Metodologia - A metodologia de estimativa do gasto de energia utilizada por De Vries se baseia em calcular em que momento o incentivo deixa de ser economicamente viável. Os princípios econômicos, segundo ele, sugerem que toda a rede de bitcoins em determinado momento alcançará um equilíbrio no qual os custos dos computadores e da eletricidade utilizados na mineração chegarão a igualar o valor do bitcoin produzido. A partir da obtenção desse dado, ele consegue quantificar a eletricidade que a rede utilizará até alcançar o ponto de equilíbrio.

Outros pesquisadores já haviam utilizado o mesmo princípio em estudos anteriores, mas De Vries foi mais longe. Ele utilizou as informações do Bitmain, o maior fabricante de máquinas de mineração de bitcoins, para estimar quanto dos custos de mineração estão associados aos gastos com hardware, excluindo a eletricidade.

Embora De Vries tenha confiança em suas estimativas, ele afirma que o problema de seu método é que os fabricantes dos computadores são extremamente sigilosos com seus dados. “Às vezes a melhor informação que temos é um relato instável de testemunhas oculares. É com esse problema que temos que trabalhar a partir de agora.”

Segundo De Vries, fazer uma boa estimativa do consumo de eletricidade pelo bitcoin é importante para determinar a sustentabilidade das criptomoedas e para ajudar a formular as políticas relacionadas a elas. Ele afirma que, nos Estados Unidos, alguns estados já começaram a impor restrições à mineração de bitcoins.

“Mas é preciso que essas políticas tenham fundamento em estudos sérios. Acredito que meu método é importante nesse aspecto, porque ele permite olhar para frente. O seu foco não é o que fazemos agora, mas para onde estamos indo. Acho que isso é algo que realmente precisamos conhecer para poder traçar políticas sobre o assunto”, disse.

De Vries afirma, porém, que seus resultados deixam espaço para discussões sobre o método. “Acho que todos concordarão com os números que obtivemos sobre o consumo mínimo de energia utilizada para a produção do bitcoin. Mas as estimativas futuras realmente deixam grande espaço para discussão. De fato, não temos uma abordagem consensual, neste momento, para estimar o consumo de eletricidade no futuro. Espero que meu trabalho abra essa discussão. Eu estou fazendo essa pesquisa, mas tem muita gente que também deve estar estudando isso”, declarou.

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