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Agronegócio

07/10/2017

Produção da soja deve cair 3% neste ano e a do milho pode recuar 12,5%

Reuters
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São Paulo - A produção de soja pelo Brasil na safra 2017/18 deverá cair mais de 3% em relação à do ano passado, ficando abaixo inclusive daquela projetada por especialistas no fim de agosto, embora ainda haja divergências no mercado sobre o tamanho da colheita.
Segundo a média de dez estimativas de consultorias e instituições de mercado obtidas pela reportagem, a produção deverá alcançar 109,98 milhões de toneladas, em uma área recorde de 34,77 milhões de hectares.

Na pesquisa anterior, a produção estava prevista em 110,60 milhões de toneladas, com um plantio de 34,70 milhões de hectares.

As novas estimativas são ainda, respectivamente, 3,59% menor e 2,53% maior na comparação com as 114,08 milhões de toneladas e os 33,91 milhões de hectares registrados em 2016/17, quando o clima foi excelente e resultou em uma safra recorde para o maior exportador global da oleaginosa.

Na temporada 2017/18, a produção a ser colhida no início do próximo ano deve cair apesar da área maior, porque analistas estão cautelosos em relação à produtividade. “Estamos imaginando que o clima não será tão perfeito como foi no ano passado. Será irregular. Embora ainda seja muito cedo, há sinais de que dificilmente teremos uma produtividade cheia”, disse o diretor da Cerealpar, Steve Cachia.

A Cerealpar foi a integrante da pesquisa que mais reduziu a projeção para a produção de soja em 2017/18, de 115 milhões no levantamento anterior para 111 milhões de toneladas agora. Outras consultorias, no entanto, também demonstram certo receio com o clima daqui para frente.

“Destaca-se a apreensão em relação à possibilidade de ocorrência do efeito climático La Niña no final do ano, dado que tende a deixar o clima mais seco na região Sul do Brasil e na Argentina durante a fase de desenvolvimento das plantações”, comentou a INTL FCStone, em nota, ponderando que um eventual La Niña tende a ser de baixa intensidade.

A estimativa da consultoria para a produção de soja é a menor dentre as obtidas pela reportagem, de 106,73 milhões de toneladas. “A ausência de precipitações no Centro-Sul do País até o final de setembro trouxe preocupações para os sojicultores... a umidade regular do solo durante o início do plantio é fundamental para o desenvolvimento das sementes”, acrescentou a INTL FCStone.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgará sua primeira projeção para a nova safra na próxima terça-feira.

Otimismo - Na contramão, a Safras & Mercado aumentou sua projeção de produção para 114,70 milhões de toneladas, de 113,20 milhões de toneladas, figurando como a consultoria mais otimista da pesquisa.

“O início dos trabalhos de plantio no Brasil começa a confirmar nosso sentimento de uma forte expansão da área brasileira de soja nesta nova temporada... Além disso, o fator preço também impulsiona esta transferência... com a oleaginosa voltando a remunerar melhor o produtor”, afirmou o analista da consultoria, Luiz Fernando Roque, em nota.

Milho -  Enquanto as estimativas apontam para uma área recorde com soja em 2017/18, no caso do milho a chamada primeira safra, colhida no verão, tende a registrar um plantio quase 4 % inferior.

Na safra passada, produtores apostaram mais no milho na esteira dos altos preços do cereal após um 2016 marcado pela seca. Agora, depois de uma produção recorde em 2017, os agricultores estão optando mais pela soja.

Segundo Roque, da Safras, a oleaginosa volta a ganhar áreas destinadas ao milho na última temporada em praticamente todos os Estados. “A oferta folgada no mercado doméstico e os preços pressionados são os determinantes desse movimento, além da possibilidade de se produzir o grão na segunda safra”, acrescentou a INTL FCStone.

Pela média das estimativas, a área com milho deve alcançar 5,27 milhões de hectares, queda de 3,83 % ante os 5,48 milhões de hectares em 2016/17. A produção, por sua vez, deve desabar 12,5 %, para 26,66 milhões de toneladas, já que a expectativa é de produtividades mais dentro da normalidade neste ciclo.

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