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Agronegócio

02/12/2017

Produtores investem no sorgo forrageiro

Mais tolerante à escassez hídrica, a planta tem sido cada vez mais usada em Minas para alimentação animal
Michelle Valverde
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A área para o sorgo forrageiro no Brasil pode dobrar, alcançando entre 400 mil e 600 mil hectares/Embrapa/Divulgação
A instabilidade climática vem contribuindo para maior investimento no plantio de sorgo forrageiro em Minas Gerais e no País. Por ser uma planta mais tolerante à falta de água, tem sido utilizada no lugar do milho para garantir alimentação do rebanho. Com valor nutritivo próximo ao obtido com a silagem do milho, o sorgo também tem a vantagem de ser uma cultura com custos menores. O desenvolvimento de novas cultivares e o manejo correto da produção contribuem para que o sorgo também tenha produtividade elevada.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Unidade Milho e Sorgo (Embrapa Milho e Sorgo, com sede em Sete Lagoas, região Central de Minas Gerais), na safra 2016/17, dos 628,5 mil hectares cultivados  com sorgo no Brasil, 309,1 mil  hectares foram semeados com o sorgo forrageiro, destinado à produção de silagem.

Apesar de os dados de Minas Gerais não terem sido levantados, o uso do sorgo para a silagem tem sido crescente, principalmente pela estiagem vivenciada nos últimos anos, o que acaba tornando o sorgo mais vantajoso que o milho. No Estado, o sorgo forrageiro é plantado e utilizado nas unidades produtoras.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, José Avelino Santos Rodrigues, a expectativa é de aumento da produção na safra atual. Baseado na venda de sementes, a tendência é de que área ocupada pelo sorgo forrageiro na safra 2017/18 fique entre 400 mil e 600 mil hectares no País.

Uma das opções mais modernas de semente é o sorgo forrageiro BRS 658, produto desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo. Segundo as informações da Embrapa, esse sorgo foi lançado na última safra, quando foram disponibilizadas cerca de 40 toneladas de sementes. Este ano a oferta da semente foi ampliada para 240 toneladas, que serão suficientes para o plantio de aproximadamente 24 mil hectares.

O híbrido silageiro foi desenvolvido por uma equipe liderada pelo pesquisador José Avelino. As pesquisas tinham como objetivo desenvolver um produto que apresentasse alta produtividade de massa, alta proporção de grão, bom padrão de fermentação, boa digestibilidade, resistência a doenças, eficiência nutricional e resistência ao acamamento.

“Assim como em outras regiões do País, os produtores de Minas Gerais vêm apostando na produção do sorgo, principalmente na região Norte, onde a seca é uma constante. Além de ser mais tolerante aos períodos de estiagem, o sorgo forrageiro é altamente produtivo e tem alta qualidade de silagem. Com as pesquisas, hoje, os híbridos modernos de sorgo estão equivalentes ao milho”, explicou Avelino.

Com produtividade alta, o custo de produção do sorgo também é menor que da cultura do milho. “O sorgo tem característica intrínseca, como é mais resistente à seca, por ser uma planta mais rústica, o produto atravessa melhor o período de deficiência hídrica, conservando a produtividade”, explicou.
 
Cuidados -
Mas, para ter um bom rendimento no campo, são necessários cuidados, desde a preparação do solo até a armazenagem. As etapas devem ser acompanhadas para evitar erros e prejuízos.

Avelino explica que o produtor deve escolher sementes de alta qualidade, cultivares adequadas e com boa produtividade. Também é importante fazer a correção e adubação do solo. Outra dica do pesquisador é a necessidade de reajustar corretamente a semeadeira, observando o volume indicado de sementes a serem liberadas conforme a área. Segundo Avelino, ao semear corretamente, o acamamento da cultura é evitado.

Outro cuidado se refere à profundidade de plantio. O ideal é plantar as sementes com uma profundidade variando de 3 centímetros a 5 centímetros.

“A velocidade do plantio também precisa ser monitorada. O ideal é que o trator rode em uma velocidade entre 5 e 6 quilômetros por hora. Se plantar em velocidade muito baixa, são liberadas muitas sementes e, isso, provoca o crescimento de plantas finas e propicia ao acamamento. Em velocidade alta, o número de sementes será inferior, causando prejuízos. É preciso orientar o tratorista para que o plantio seja correto e contribua para uma melhor produtividade”, explicou.

O pesquisador indica que a colheita do sorgo seja feita quando o grão estiver no estágio leitoso, passando para pastoso. “Colhendo neste período, o produtor terá 30% de matéria seca. A colheita do grão duro provoca perdas significativas na absorção dos nutrientes pelos animais, uma vez que a máquina não processa o grão, que acaba saindo inteiro nas fezes dos amimais”.

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