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Negócios

20/04/2018

Produtos feitos à mão ganham mercado

Empreendimentos que trabalham neste segmento vêm registrando crescimento nos negócios
Thaíne Belissa
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Produtos artesanais estão sendo mais valorizados que os itens de produção em série/Divulgação/Pixabay
Em tempos de tecnologia de ponta e produtos digitais, uma cultura que valoriza o “feito à mão” e a criatividade do Do It Yourself (faça você mesmo) parece ganhar força no sentido contrário. Da agulha à colher de pau, do martelo ao prego, as ferramentas ancestrais ganham status em uma geração ávida pela experiência de construir seus próprios móveis, decorar seus apartamentos, ser o chef de sua cozinha e de consumir produtos que foram feitos por mãos reais e não numa esteira de produção em série.

Nessa cultura crescem os negócios que vendem o produto feito à mão, mas também aqueles que ensinam como fazer as coisas, assim como os negócios que fornecem matéria-prima. Em Belo Horizonte, empresas ligadas ao segmento ganham relevância, como é o caso do Elo7, plataforma que se intitula como um “marketplace de produtos criativos e autorais”. Levantamento recente realizado pela empresa apontou que a capital mineira é um dos destaques no País em compra e venda de artigos artesanais.

Entre as 3,7 mil cidades onde a plataforma atua, Belo Horizonte ficou em terceiro lugar entre as que mais compraram produtos em 2017. Além disso, a Capital ocupa o quarto lugar em relação ao número de vendas realizadas pelos artesãos e lojistas cadastrados. O CEO do Elo7, Carlos Curioni, acredita que o resultado positivo está diretamente ligado à cultura de consumo na cidade, que pode ser pautada pela valorização do que é feito artesanalmente e também pela preferência do que é personalizado e original. “Acredito que temos uma geração que quer consumir com consciência, sabendo quem produziu e valorizando esse produto”, diz.

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Capacitação - Nessa mesma onda de Do It Yourself , surfam os negócios que oferecem cursos que dão o passo a passo de como fazer produtos. A startup mineira Hotmart é uma plataforma de cursos on-line que tem experimentado resultados positivos nesse segmento. De acordo com o coordenador de Novos Negócios da empresa, Alexandre Abramo, os cursos com o formato “faça você mesmo” representam mais de 30% dos produtos vendidos na plataforma.

De acordo com ele, a venda de cursos dessa categoria teve um crescimento de 54% no ano passado em comparação a 2016. Ao todo, a plataforma contabilizou mais de 800 mil transações em cursos com esse perfil nos últimos 12 meses. Entre os empreendedores que disponibiliza seus cursos na Hotmart está Fernando Oliveira. Há nove anos, ele criou o site Revista Artesanato, que traz conteúdo gratuito sobre como fazer diversos trabalhos em artesanato. A partir do fluxo de visitantes desse site, o empreendedor passou a monetizar com a oferta de cursos on-line.

“Nosso objetivo é capacitar artesãos para que eles transformem esse trabalho em profissão. Hoje ofereço aulas de 30 técnicas diferentes, entre feltro, pintura, mosaico, costura, reciclagem, entre outros”, explica. Os cursos do empreendedor são produzidos por uma equipe que convida e remunera artesãos para dar as aulas. De acordo com Oliveira, são cerca de mil alunos formados por mês e 45 mil desde que os cursos foram criados. Eles custam entre R$ 67 e R$ 240 e têm entre 20 e 30 horas de aula.

O empreendedor afirma que a empresa cresce cerca de 30% em faturamento por ano. Para ele, esse sucesso é reflexo de uma “geração maker”. “Tudo que é feito à mão está em alta, inclusive entre os jovens. Acredito que a internet, o Youtube e as redes sociais alimentam essa cultura, pois esses espaços facilitam a dispersão do conteúdo e a organização de grupos que conversam entre si e trocam ideias e técnicas”, analisa.

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