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Agronegócio

09/08/2018

Projeto recupera pastagens em Minas Gerais

Objetivo é levar aos pecuaristas tecnologias para atenuar gases emitidos pela atividade, causadores do efeito estufa
Michelle Valverde
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Com o apoio do Senar Minas, a capacitação envolve quatro áreas, sendo a regeneração de áreas degradadas a prioridade no Estado/Emater-MG/Divulgação
As ações desenvolvidas pelo projeto ABC Cerrado têm contribuído para o avanço sustentável da pecuária de leite e de corte em Minas Gerais, incluindo a recuperação de cerca de 15 mil hectares de pastagens degradadas.

O projeto, que foi iniciado em 2016, tem como objetivo levar para o produtor tecnologias que visam à mitigação dos gases emitidos pela atividade e que provocam o efeito estufa. Junto ao projeto, também são desenvolvidas ações que têm como objetivo a conservação da água e do solo nas propriedades. Desde que foram iniciados os trabalhos, já foram capacitados 715 produtores. Os resultados são positivos e incluem o melhor gerenciamento da atividade, a recuperação de áreas degradadas, o aumento da produção e da renda do produtor rural. 

De acordo com o analista técnico de formação profissional rural do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Minas Gerais (Senar Minas) e coordenador do ABC Cerrado em Minas Gerais, Caio Sérgio Santos de Oliveira, o projeto é desenvolvido em parceria com várias entidades. O projeto é do Banco Mundial, que entra com o aporte financeiro, e conta com os trabalhos de pesquisas e tecnologias geradas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o monitoramento e coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a execução no campo que fica por conta do Senar.

Oliveira explica que o programa é uma iniciativa para estimular a agricultura de baixo carbono. O projeto trabalha com tecnologias que visam à mitigação dos gases de efeito estufa e, em paralelo, desenvolve ações de conservação de água e do solo dentro das propriedades rurais.

No momento, o projeto está designado para atender produtores da cadeia da pecuária de leite e de corte. Em Minas Gerais, são atendidos pecuaristas de todos os portes, predominando os de pequeno em função do maior número de propriedades leiteiras presentes no Estado.

“Nosso objetivo é trabalhar com tecnologias que minimizam os impactos da pecuária. O programa foi iniciado, em Minas Gerais, em 2016 e contempla a capacitação profissional dos produtores”, explicou Oliveira.

A capacitação tecnologia acontece em quatro áreas: recuperação de pastagens degradadas, sistema de plantio direto, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) e floresta plantada.

De acordo com Oliveira, em Minas Gerais, devido às características do Estado, os trabalhos estão mais focados na capacitação para a recuperação de áreas degradadas. Parte dos produtores que participam do projeto, além de receber a capacitação, também tem acesso à assistência técnica, o que é decidido por meio de sorteio. 

“Decidimos trabalhar com maior ênfase a recuperação das pastagens, baseados no estudo do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), que apontou que Minas Gerais tem mais de 90% das áreas de pastagem com algum estagio de degradação. Não adianta falar de plantio direto, ILPF ou outro tema se a terra e a área estão degradadas. Mobilizamos e trabalhamos forte na recuperação das pastagens, abordando não só a recuperação das áreas, mas práticas de conservação de água e solo dentro da propriedade”.

Os resultados obtidos têm sido positivos e vem contribuindo para o avanço sustentável da pecuária de leite e de corte no Estado. Hoje o projeto é desenvolvido em 295 propriedades e conta com 13 técnicos de campos e dois supervisores.

RESTAURAÇÃO SOMOU 15 MIL HECTARES

No Estado, as ações já recuperaram cerca de 15 mil hectares de pastagens degradadas, sendo a média de hectares recuperados por propriedade assistida em torno de 47 hectares. Com orientações e maior segurança para tomar decisões, os produtores têm investido, em média, cerca de R$ 1.127 por hectare.

Segundo o analista técnico de formação profissional rural do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Minas Gerais (Senar Minas) e coordenador do ABC Cerrado em Minas Gerais, Caio Sérgio Santos de Oliveira, o retorno para o produtor que participa das capacitações e da assistência técnica é muito positivo. Além de recuperar as áreas degradadas, são observados avanços importantes na gestão das propriedades – que é um dos maiores gargalos da atividade - na produtividade, na geração de renda para os produtores rurais, nos índices de reprodução do rebanho e nas formas de trabalhar.

“Tudo isso é fundamental para a pecuária ser sustentável, rentável e lucrativa, o que favorece a permanência na atividade e estimula a participação dos jovens. Hoje, ao participar do programa, o produtor tem acesso a uma gama de informações, conseguindo otimizar os recursos e empregá-los de forma correta. Então, essa é a grande importância do projeto”, explicou.

Do início do projeto, em 2016, até a primeira semana de agosto, 74 turmas de produtores já haviam passado por capacitações. Em 2018, já passaram pelo processo 11 turmas e mais 24 deverão ser realizadas até dezembro. As capacitações, que têm duração total de 56 horas, estão focadas na recuperação de pastagens. Cada turma é formada por 20 a 25 produtores rurais e são definidas conforme demanda levantada pelos sindicatos rurais e repassada ao Senar Minas.

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