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Legislação

26/06/2014

Quando a recuperação judicial é a melhor solução?

Douglas Duek*
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Muitas empresas vivem situações de altos e baixos, seja para manter o nível do capital de giro, em atraso com compromissos financeiros ou continuar mantendo crédito com seus fornecedores. Esses podem ser alguns dos vários sinais de que a empresa está com um desajuste e a caminho da crise. Diversos fatores influenciam, sejam eles externos, como políticos e econômicos, ou internos como falta de capital, má administração e estratégias erradas.

Promulgada em 2005, após caso Vasp, a Lei da Recuperação Judicial, nº 11.101, ainda é desconhecida entre a maioria das empresas. E isso não deveria acontecer. Essa decisão é totalmente favorável às companhias, visa a manutenção da vida financeira da empresa, empregos e pagamento aos credores. As dívidas são totalmente congeladas e novos prazos são oferecidos aos credores.

Para que tenhamos uma ideia, duas empresas do Eike Batista, a OSX, de construção civil e a OGX, estavam com faturamento abaixo do esperado. A decisão foi pedir sua recuperação judicial imediatamente, o que fez com que ambas pudessem ter mais tempo para quitar seus pagamentos e assim voltar a ser saudável financeiramente.

Por que não pode acontecer com empresas de médio ou até pequeno porte?

Dados divulgados meste ano pelo Serasa revelam que pequenas e médias empresas lideraram o volume de pedidos de falência em 2013, com 1.014 registros. Um volume alarmante para um mercado que tem condições de recuperar companhias.

A recuperação judicial possui inúmeros benefícios diretos para as companhias. Entre eles carência para reajustar operações e voltar pagar somente quando a organização estiver reorganizada; alongamento dos prazos de pagamento de acordo com as possibilidades. Seja ele um prazo longo, fora do padrão, como dez anos; possibilidade de desconto da dívida, quando necessário e, possibilidade de captação de novos recursos de capital de giro, com financiadores especializados, que entendem que após o pedido de recuperação judicial, a companhia volta a ter fôlego para efetuar pagamentos e retoma sua credibilidade no mercado.

Muitas empresas, em fase de atenção, ainda resistem. E isso acontece porque não são orientadas de forma correta. Um meio que está disponível para ajudar a manter o quadro de empresas no país deve ser usufruído. Muitas ainda preferem empréstimos em cima de empréstimos e viver na prisão do sistema financeiro com juros abusivos.

O mercado já conta, por exemplo, com executivos especializados em diagnóstico e no acompanhamento da vida financeira corporativa. Isso torna o procedimento muito mais assertivo e menos abusivo. O profissional alerta para as melhores decisões e prazos para a companhia.

Cabe a cada empresário buscar o melhor caminho para sua empresa, que muitas vezes está em sair das cadeiras e ir atrás de especialistas de fora. Um olhar interno muitas vezes já pode estar contaminado com o que vê. Neste momento um consultor pode ser a melhor solução para finalizar com tais problemas.


* Sócio-diretor da Quist Investimentos, boutique financeira, especialista em consultoria sobre saúde financeira no mercado corporativo




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