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Economia

12/09/2017

Reajustes dos combustíveis afastam clientes dos postos

Movimento caiu após a adoção da nova política de preços da Petrobras
Ana Amélia Hamdan
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Os postos tentam se adaptar à nova política de reajustes diários da Petrobras/Alisson J. Silva
As constantes altas nos preços de combustíveis estão levando à redução do movimento nos postos de Belo Horizonte e fazendo empresários do setor a segurarem os valores repassados ao consumidor, reduzindo as margens de lucro. Além disso, as mudanças frequentes estão sendo uma verdadeira prova de fogo para os donos de postos se adaptarem à nova política de preços anunciada pela Petrobras no final de junho, que permite alterações até mesmo diárias nos valores cobrados pelos produtos.

Proprietário do posto Leste-Oeste, na avenida Tereza Cristina, bairro Calafate, região Oeste da Capital, o empresário Rogério Guimarães percebeu uma redução de 5% a 10% no movimento após os últimos aumentos. “Num primeiro momento, o consumidor recua, passa a andar mais de ônibus, moto ou Uber”, diz.

Para evitar prejuízos, ele vem segurando o repasse de preço ao consumidor final – no último sábado, ele estava vendendo o produto a R$ 3,89. Além disso, ampliou o horário de funcionamento do posto, que passou a fechar uma hora mais tarde para aproveitar o movimento de saída das faculdades.

Por fim, ele disse que faz acompanhamento diário dos preços praticados pela concorrência e dos valores de compra dos produtos. Essa característica, ele acredita ser primordial para o empresariado do setor após a Petrobras mudar a política de preços. Com as alterações constantes, o planejamento ficou mais difícil. “Com a nova política da Petrobras, tudo interfere no preço: do estoque no posto até furacão em outros países”, diz o empresário.
Ainda assim, ele acredita que a mudança deveria ter ocorrido, já que o método anterior da Petrobras vinha dando prejuízos ao País.

Chefe de pista do posto Vila, na avenida Nossa Senhora de Fátima, no bairro Carlos Prates (região Oeste), Hudson Giovani dos Santos disse que sentiu uma leve queda no movimento. Para manter a clientela, o posto vem tentando manter o preço mais baixo possível. Ontem, a gasolina era vendida no local a R$ 3,83 o litro.

Ele relata que os aumentos repentinos vêm dificultando o planejamento. “Temos que manter os estoques na média para não sofrer com a flutuação. Se compro muito combustível por determinado preço, pode ser que amanhã o valor do combustível baixe e eu tenha prejuízo”, exemplificou.

Proprietário do Posto Quick, às margens da avenida Teresa Cristina, no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de Belo Horizonte, Ricardo Figueiredo Costa viu o movimento cair em 28% após os sucessivos aumentos no preço do combustível. “Não temos como repassar todos os aumentos. Isso está causando impacto no capital de giro”, disse. Ontem, ele estava vendendo o litro da gasolina a R$ 3,83. “Estou numa área muito competitiva. Então, temos que segurar o preço mesmo”, diz.

O empresário acredita que a nova política da Petrobras funcionaria melhor num cenário de economia estável, que possibilitaria o empresário ter reservas para segurar as mudanças nos preços.

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Tíquete médio - No posto Xuá, na avenida Nossa Senhora do Carmo, Centro-Sul da Capital, houve redução de 30% no movimento. De acordo com o proprietário, Tomás Lisita, a retração no mercado vem ocorrendo há mais tempo, com o tíquete médio do consumidor tendo caído de 30 litros para 10 litros. No comércio, ontem, a gasolina estava sendo vendida a R$ 3,99.

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