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FAEMG

16/12/2016

Recursos naturais: fontes de vida e renda

Michelle Valverde e Andrea Rocha
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Programa Nosso Ambiente recupera e protege nascentes/Reprodução Faemg
A cada ano aumenta a conscientização do produtor rural de que os cuidados ambientais são meios de se promover uma boa produção, com garantia de trabalho e renda. Um dos exemplos é o Programa Nosso Ambiente, lançado pelo sistema Faemg em meados do ano passado, que tem atendido a uma crescente demanda por informações e orientações visando ao melhor aproveitamento da água.

“Com a crise hídrica, a procura para projetos, para arranjos locais ou em dias de campo cresceu demais”, observa a coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente da Faemg, Ana Paula Mello. Segundo ela, até bem pouco tempo a maior demanda era relativa a licenciamentos ambientais e questões trazidas pelo Código Florestal, além do próprio Cadastro Ambiental Rural (CAR). “Do ano passado para cá, a questão da água tomou muito a nossa agenda”, relata.

Desde o lançamento do Programa Nosso Ambiente, o Senar já promoveu mais de 500 cursos de recuperação e proteção de nascentes, com pelo menos 5 mil pessoas, e neste ano já foram iniciados os cursos de recuperação de áreas degradadas. “Estamos participando de algumas iniciativas do projeto Produtor de Água da Agência Nacional de Águas (Ana), que prevê recursos e apoio técnico para vários municípios”.

A fase atual é de formação de arranjos locais. “Alguns já estão formados e outros estão em desenvolvimento, como no Sul de Minas e Alto São Francisco, que visam a execução de ações e manejo de conservação água do solo e de estradas rurais, por conta da erosão”, explica Ana Paula. Segundo ela, a erosão merece atenção especial, pois implica em redução de produção, com perda de solo fértil e renda.

“Não há como separar meio ambiente de questões econômicas. Os recursos naturais usados para produção rural devem ser conservados para a própria produção e para a sustentabilidade”, indica. Segundo Ana Paula, a perda do solo acaba assoreando nascentes, cursos d’água, levando terra e nutrientes. “É um problema ambiental que influi na qualidade e na quantidade da água. Várias dessas nascentes recuperadas pelo Senar estavam completamente assoreadas, a maioria com vazão zero. O próximo passo é fazer cobertura vegetal do entorno, tanto para proteger quanto para cumprir a legislação, sem descuidar da área produtiva.

“O produtor está percebendo que é necessário. Mas não sabe como fazer. Não conhece as técnicas. Daí a importância da assistência técnica”, sustenta. Apesar do sucesso da iniciativa, a Faemg tem enfrentado alguns desafios, como o entendimento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) de que essas intervenções promovidas pela Faemg, de recuperação das nascentes, precisam de autorização. “O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) já manifestou que tem todo interesse nisso, mas diante da posição da Semad, fizemos um seminário para promover um alinhamento. Talvez tenhamos que fazer comunicados à Semad, talvez haja uma norma para isso”, acredita.
 
CAR – Após reivindicações da Faemg e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o CAR, que venceria em maio deste ano, foi prorrogado para 31 de dezembro de 2017. Em Minas já foram feitos mais de 550 mil cadastros.  “De acordo com o último censo agropecuário, de 2006, tínhamos 551.621 estabelecimentos rurais. Então, nós ultrapassamos 100%. E sabemos que ainda falta”, analisa Ana Paula, para quem o trabalho apenas começou. “É bem complexo. E por isso montamos um grupo de trabalho com entidades do setor para as ações de regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA), que demanda um grande trabalho de análise. Será de longo prazo, contínuo”, projeta.
 
Seminário - Promovido regularmente pela Faemg, neste ano o tema foi sobre “Resíduos, fertilização e bioenergia - as boas práticas no meio rural”, refletindo, assim com outras ações, a Agenda Brasil 2030 de objetivos de sustentabilidade estabelecidos pela ONU.
“Pensando nesses objetivos, inclusive o da erradicação da pobreza, o acesso à água está intrínseco ao programa Nosso Ambiente, às questões de saneamento, que estão ligadas à saúde. E esse seminário mostrou a importância de tratar os efluentes de uma atividade de forma a reaproveitá-los enquanto insumos em outro processo produtivo. E havendo viabilidade econômica, ainda pode gerar energia”, explica, lembrando que essas ações contribuem também para a manutenção dos jovens no campo.

“E isso tudo tem a ver com os objetivos sustentáveis. Precisamos aumentar em70% a produção de alimentos nas próximas décadas, ainda mais no Brasil, que tem essa possibilidade. Já do ponto de vista da água, a ONU diz que há aumento de demanda de 55% até 2050”, sustenta Ana, lembrando que, para alcançar esses objetivos, é preciso trabalhar de forma sustentável, aliando atividade econômica à preservação dos recursos naturais.

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