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Política

21/10/2017

Reforma da Previdência pode ficar para o próximo ano

Temer já admite mudanças restritas
Reuters/AE
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O presidente Michel Temer adiantou que vai sancionar a medida provisória do Refis com alguns vetos/Beto Barata/PR
Brasília - O presidente Michel Temer admitiu, em entrevista ao site Poder 360 publicada na sexta-feira, que a reforma da Previdência poderá ficar restrita à idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, à regra de transição e ao fim das diferenças entre o sistema público e privado.

Na conversa, da qual participaram também os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, Temer afirmou que se transição e idade mínima forem aprovados pelo Congresso, “já estaria de bom tamanho”.

Padilha acrescentou, então, a necessidade do corte de privilégios aos servidores, afirmando que esses três itens preservariam 75% da reforma planejada pelo governo.
O presidente ainda admitiu, na entrevista, que não sabe se o governo terá condições de levar adiante a reforma, mesmo limitada, ainda em 2017, como pretendia.

“O ideal é que isso seja aprovado neste ano. Agora, eu faço mais uma ressalva aqui, para tirar qualquer pretensão. Temos de consultar as bancadas novamente, como foi feito na primeira vez. Na primeira vez estava tudo ajustado para aprovar, não fosse uma certa irresponsabilidade denunciativa”, disse Temer, fazendo referência à primeira denúncia apresentada contra ele pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em junho.

“Então, vamos fazer uma nova avaliação e verificar se é possível ou não. E tentar aprovar este ano”, acrescentou.

Orçamento - O presidente disse ainda que poderá enviar o pacote de medidas de ajuste fiscal, com que a equipe econômica conta para fechar o Orçamento, por projeto de lei, e não por medida provisória. Entre os temas estão a suspensão do reajuste dos servidores, a elevação da contribuição previdenciária dos servidores de 11% para 14% e a equiparação do modelo de tributação dos fundos fechados de investimento com o dos fundos abertos.

“Se acontecer o que aconteceu agora com o projeto referente ao Banco Central (sobre acordos de leniência), aprovado praticamente em um ou dois dias, pode ser via projeto de lei”, afirmou Temer. “Se isso acontecer, posso até mandar o projeto de lei. Se houver dificuldade, aí sou obrigado a me utilizar da medida provisória”.

Temer disse ainda “não ser improvável” que edite uma medida provisória (MP) prorrogando mais uma vez a adesão ao Refis. Segundo o presidente, vai haver vetos no projeto, mas esses ainda não estão definidos. O governo tem até o dia 3 de novembro para sancionar o projeto, mas a adesão é apenas até o final deste mês.

Cooperação - Em cerimônia para inauguração de um abatedouro de peixes em Palotina, no Paraná, o presidente Michel Temer aproveitou a plateia composta por membros da cooperativa C Vale para dizer que o Brasil passa por um momento em que os brasileiros devem trabalhar juntos. “Este conceito de cooperativa serve muito a nós, é muito forte para o nosso País. É o que precisamos, brasileiro cooperar com brasileiro. Não admitimos um brasileiro contra o outro. A sensação é que o Brasil quer isto, quer cooperar”, declarou o presidente.

Em seu pronunciamento, Temer citou a queda da inflação e dos juros a “patamares suportáveis”, além da retomada do emprego nos últimos seis meses. “Hoje, examinando esta multidão de entusiastas da C Vale, entusiasmados pela atividade que desenvolvem, entusiasmados com o Brasil, volto para Brasília dizendo que o Brasil definitivamente voltou”, disse Temer, aplaudido pelos presentes.

A reação do público, explicou, é um sinal de que o País está no caminho certo. “Ao longo do tempo, nós, da vida pública, nos acostumamos a detectar e analisar os aplausos. Em certas solenidades, o aplauso é cerimonioso, em outras protocolar, em outras há alguém que puxa a palma”, apontou. “Aqui não, o aplauso é verdadeiro porque vem do coração”, disse.

Já no encerramento do discurso, Temer exaltou o papel do agronegócio na sustentação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2017. “Não fosse a atuação do agronegócio, estaríamos numa situação muito negativa. Isso se deve ao trabalho dos senhores, ao trabalho que se faz no campo”, finalizou o mandatário.

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