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Economia

28/10/2017

Retomada dos voos na Pampulha divide setor de turismo

Decisão é aplaudida e também criticada por representantes de agências, bares e hoteis
Thaíne Belissa
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A falta de infraestrutura do aeroporto é condenada pelos especialistas do setor/Divino Advíncula
A liberação de voos de grande porte no Aeroporto Carlos Drummond de Andrade (aeroporto da Pampulha), autorizada na quarta-feira (25) pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, é considerada prejudicial para o trade de turismo na Capital por boa parte das entidades representativas do setor, embora uma outra relevante parcela veja com bons olhos a decisão. Entre as críticas estão a falta de estrutura do aeroporto da Pampulha, o incentivo às viagens “bate-volta” e a possível quebra de conectividade no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, Jair de Aguiar Neto, afirma que a entidade enxerga essa decisão como um “retrocesso” para Belo Horizonte. Ele critica a falta de infraestrutura do aeroporto da Pampulha para receber os turistas e afirma que “dá vergonha” fazer as pessoas desembarcarem nesse aeroporto.

“Essa foi uma notícia muito ruim para o setor. O aeroporto da Pampulha não tem os padrões necessários para receber mais voos e essa não pode ser a nossa porta de entrada. Se querem voltar com os voos de grande porte, então que voltem depois de uma reforma”, frisa.

Neto lembra o alto investimento que vem sendo feito pela BH Airport no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e lamenta que isso possa perder a relevância com a divisão de voos com o aeroporto da Pampulha. “Temos um aeroporto novo e tecnológico, que recentemente foi considerado o quarto melhor do País. É frustrante ver essa infraestrutura de primeiro mundo ser colocada à margem dessa forma”, reclama.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih), Erica Drumond, critica a falta de estudos de viabilidade e impacto para uma liberação como essa. “É uma proposta que vem do governo federal e a gente tem que receber guela abaixo. Ela não vem acompanhada de nenhum estudo, nem sequer do impacto ambiental”, denuncia.

Ela afirma que muitos belo-horizontinos sonham com um aeroporto mais próximo, mas destaca que esse é um desejo egoísta e que não considera Belo Horizonte como destino turístico. Segundo a presidente da Abih, a liberação de voos de grande porte na Pampulha pode levar à transferência de voos que hoje operam em Confins, impactando a conectividade do aeroporto internacional.

“A BH Airport está investindo em Confins para que o aeroporto internacional se torne um hub de conexão entre Norte e Sul, tanto de transporte de passageiros quanto de cargas. Sabemos que já existem companhias aéreas interessadas em colocar voos na Pampulha, mas se o objetivo delas for transferir voos de Confins será muito prejudicial. O passageiro terá que esperar mais tempo por um voo e a conectividade será quebrada. Estamos dispostos a conversar com as companhias: se querem crescer na Capital, estamos juntos, mas se quiserem diminuir, será péssimo”, avisa.

A presidente também critica a infraestrutura do aeroporto da Pampulha. Ela afirma que ele não disponibiliza fingers (pontes de embarque que conectam sala de embarque aos aviões), de forma que todo embarque e desembarque é remoto e a pé. “Em época de chuva os passageiros vão se molhando até entrar no avião. Além disso, o aeroporto não tem banheiros, restaurantes e estacionamento que deem conta da demanda”, critica.

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Agências de viagem - O vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), Alexandre Brandão, afirma que a entidade também é contrária à liberação de voos de grande porte no aeroporto da Pampulha. O executivo critica a decisão arbitrária e a falta de diálogo com o setor.

“Se querem fazer alguma coisa em relação a esse aeroporto tem que se fazer discutindo, chamando as partes para conversar. Uma liberação assim, que tira um grande número de voos de Confins, não é positiva: que se libere um ou outro voo então, mas essa liberação como está é andar na contramão do progresso que estávamos conseguindo no aeroporto internacional em Confins”, reclama.

O vice-presidente afirma que essa liberação “de maneira nenhuma aumenta o turismo na cidade”, pelo contrário, causa má impressão em quem chega à Capital. “Quem quer descer em um aeroporto que alaga quando chove? Quem quer pegar chuva para entrar no avião?”, questiona.

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