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Internacional

21/11/2017

Sem apoio, Merkel fala em novas eleições

Mesmo com o fracasso da coalizão que daria suporte ao seu governo, chanceler não pretende renunciar
Reuters/ABr
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Angela Merkel vive momento tenso, com apoio de uma minoria de partidos a seu governo/Julio Cesar Hernandez Reyes/Divulgação
Berlim - A chanceler alemã, Angela Merkel, apontou ontem que preferiria novas eleições a liderar um governo de minoria, após o colapso de conversas para formação de uma coalizão de três partidos.

“Meu ponto de vista é que novas eleições seriam um melhor caminho”, disse Merkel à emissora ARD, em entrevista que seria exibida ontem, reforçando que seus planos não incluem ser chanceler em um governo de minoria.

Merkel ainda falou não ver motivo para renunciar ao cargo após o fracasso das negociações para coalizão, acrescentando que seu bloco conservador entrará na eleição mais unificado que antes.

Ela falou à emissora alemã ZDF estar pronta para servir mais quatro anos como chanceler alemã, citando a importância de enviar sinal de estabilidade para o país, a Europa e o mundo.

Perguntada sobre a possibilidade de outra “grande coalizão” com o Social Democratas, a chanceler disse que aguardaria para ver a resposta de seu partido, após conversas com o presidente Frank-Walter Steinmeier, amanhã.

Mas ela ressaltou que qualquer demanda de intervir não seria um bom começo para formar nova coalizão. Finalmente, a chanceler citou desapontamente a decisão do pró-empresariado Democratas Livres de sair do grupo, mas completou não esperar que o partido invertesse o curso.

Os liberais alemães anunciaram, por volta da meia-noite de domingo, sua saída das negociações para formar uma coalizão com o objetivo de governar o país. Há pouco mais de um mês, quatro partidos alemães vinham mantendo negociações. A saída dos liberais deixou a chanceler Angela Merkel em situação complicada. Os pontos de maior discordância entre os partidos foram as políticas para os refugiados e as questões ambientais.

Em setembro deste ano, após vencer as eleições alemãs sem ter a maioria dos votos, Merkel já sabia que enfrentaria um desafio: conseguir formar a coalizão para governar.
Na madrugada de ontem, a chanceler afirmou que lamentava o fracasso, por considerar que “o ritmo das conversações indicava que seria possível chegar a um acordo”. Os verdes acusaram os liberais de intransigência.

A tentativa de formar uma coalizão entre conservadores (CDU/CSU), liberais e “verdes”, apelidada de “Jamaica”, por causa das cores dos partidos e da bandeira do país jamaicano (preto: CDU, amarelo: FDP e verde: Os Verdes), não se concretizou. Os liberais, após extensas tentativas de acordo, anunciaram que não foi possível chegar a um consenso.

“É melhor não governar do que governar mal”, afirmou o líder liberal do FDP, Christian Lindner, que lembrou divergências insanáveis entre os três partidos. Lindner disse ainda que os partidos não compartilhavam o mesmo ponto de vista e que, após as conversas, haviam ficado “muitas inconsistências, questões e conflitos sem resposta”.

Opositores - Com a oposição dos sociais-democratas (SPD), liderados por Martin Schulz (principal adversário de Merkel nas eleições), e do AfD, partido de extrema-direita, restava à chanceler formar uma coligação suficientemente forte para governar.

Com a saída dos liberais, forma-se um momento político delicado para Merkel, que pode acabar, inclusive, em novas eleições. Em princípio, analistas traçam três possíveis situações: ou Merkel tenta governar com uma coligação minoritária (se unindo aos Verdes, apenas), ou tenta persuadir o SPD de Schulz para formar uma coligação majoritária e poder governar com mais efetividade, ou novas eleições podem ser convocadas.

“Como chanceler, farei tudo para garantir que esse país seja bem gerenciado nas próximas semanas. Nós pensamos que estávamos no caminho para encontrar uma solução”, frisou Merkel.

Na manhã de ontem, Angela Merkel esteve com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, para informar formalmente sobre o fracasso das negociações.

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