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Minas 2032

07/10/2015

Setor é suporte para o desenvolvimento

Leonardo Francia
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O tema central do seminário foi infraestrutura, mas duas vertentes sobre o assunto  dominaram os debates. A primeira delas foi o gargalo que a infraestrutura nacional e estadual representa para o setor produtivo. A segunda tratou das oportunidades que os investimentos no setor podem criar e, por consequência, estimular a economia, especialmente em  momentos de crise. Os trabalhos foram mediados pelo economista
da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Sérgio Luís Guerra Xavier e tiveram como debatedores o vice-presidente e presidente do Conselho de Infraestrutura da entidade, Alberto Salum, que representou o presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior; o presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG),Marco Aurélio Crocco; o presidente da BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (RMBH), Paulo Rangel; e o presidente da Associação de Desenvolvedores do Vetor Norte (AV Norte), Gilson Brito Júnior


Os investimentos em infraestrutura como catalisadores da economia. Foi essa a premissa defendida pelo vice-presidente da Fiemg e presidente do Conselho de Infraestrutura da entidade, Alberto Salum. "Em primeiro lugar, tenho que dizer o seguinte: diversas linhas de pesquisas mundiais investigaram os impactos sociais dos investimentos públicos em infraestrutura e confirmaram os efeitos positivos sobre o crescimento de economias desenvolvidas ou em desenvolvimento. Um país que está em franco desenvolvimento precisa de infraestrutura para dar suporte", disse.

No entanto, Salum ponderou que é exatamente esse um dos grandes gargalos atuais do País. "Se não tiver uma melhora no investimento, na infraestrutura, não vamos conseguir andar para a frente", frisou. Segundo ele, desde a Constituição de 1988, com a perda da antiga Taxa Rodoviária Única (TRU), que trazia os investimentos travados para a infraestrutura, o déficit da infraestrtura nacional passou a ganhar mais peso. "Não adianta investir como estamos investindo hoje, aquém do que precisamos, até para manutenção, já que temos muito mais a fazer porque tivemos grandes perdas antes", afirmou.

Salum lembrou que em países em desenvolvimento, como é caso do Brasil, 1% dos investimentos públicos em transportes e comunicações gera um aumento de 0,16% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos anos. "Toda vez que se investe em infraestrutura tem retorno na base, distribuição de renda, e isso volta na economia informal de uma forma mais célere", enfatizou.

O presidente do Conselho de Infraestrutura da Fiemg, que durante anos também presidiu o Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), considera que os investimentos em infraestrutura rodoviária provocam um avanço importante na geração de riquezas. Para ele, os aportes direcionados para obras em qualquer modal são a forma mais rápida para trazer retorno para a comunidade. "Mas não adianta querer melhorias sem investimento. Hoje estamos em uma situação crítica", ponderou.

Salum usou o exemplo da crise de 1929 nos Estados Unidos, quando, segundo ele, a saída foram os investimentos em infraestrutura, para reforçar a importância dos aportes no setor. "O que acontecia lá naquela época era que se abria buraco e se fechava buraco para a economia girar. O calçamento de ruas, que era retirado e colocado de novo. Você investia através do emprego e rodava a economia de uma forma mais célere", disse.

"Não cabe aqui fazer grandes críticas a políticas governamentais, mas o que estamos vendo hoje é exatamente o oposto. Estamos tirando dinheiro da infraestrutura devido à crise econômica e vamos pagar por isso lá na frente. Não adianta aumentar a carga de impostos se na outra ponta temos uma diminuição da arrecadação na linha de produção", completou.

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Integração - Para o vice-presidente da Fiemg, a razão para a perda da qualidade e da oferta de infraestrutura no País é a deficiência do volume e da qualidade dos investimentos em estradas, ferrovias, aeroportos e portos, bem como na "completa falta de projetos bem planejados que promovam a integração desses modais". "Quanto menos investimentos, mais crise teremos e essa deficiência vai impactar na indústria de uma forma geral, seja em termos de aumento de custos ou da necessidade de trânsito de cargas", disse.

De acordo com Salum, entre 1971 e 1980 os investimentos em infraestrutura em relação ao PIB no Brasil representavam de 2% a 3%. Depois, na década de 1981 a 1989, esse índice caiu para 1,48% e, nas décadas seguintes, passou para 0,63% e 0,71%. "Isso é muito pouco. Hoje, 2% seriam razoáveis para se manter a estrutura que já existe, mas para retomar o tempo perdido tínhamos que trabalhar entre 5% e 7% do PIB. Não tem como ser menos e todo mundo paga essa conta, seja nos produtos transportados ou na falta de eficiência dos aeroportos, e com isso temos um custo Brasil elevado, que reflete na indústria", lamentou.

Além disso, Salum avalia que as estradas que cortam o País não estão melhorando no mesmo ritmo da venda de automóveis. "Estamos indo rapidamente no caminho para o esgotamento na nossa capacidade de infraestrutura. São engarrafamentos gigantescos, além de estradas que não têm segurança e eficiência para o transporte", criticou.

Ainda referindo-se aos gargalos das rodovias nacionais, Salum afirmou que "algumas vezes isso é resolvido através das concessões". "Porém, não podemos esquecer que as concessões têm um lado bom, que é a qualidade melhor, mas o usuário paga por isso. Teoricamente, se os investimentos viessem sendo feitos ao longo do tempo, o custo não seria arcado pelo usuário, mas o próprio governo já teria promovido essas melhorias", ressaltou.


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