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Agronegócio

17/03/2017

Setor de bovinos apurou queda de 13,1% nos abates

O resultado de 2016 foi influenciado pela seca, em Minas Gerais, e pela alta dos custos de produção
Michelle Valverde
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Em 2016, segundo o IBGE, foram abatidos 2,46 milhões de bovinos em Minas/CFM/Divulgação
A seca que atingiu Minas Gerais nos últimos anos continua interferindo nos resultados da produção pecuária. Um dos impactos foi verificado no abate de bovinos, que em 2016 recuou 13,1% devido à baixa oferta de animais. No ano passado, o aumento dos custos de produção também comprometeu a produção, principalmente de leite, que ficou 5,2% menor. Por outro lado, a crise econômica e a demanda por proteínas de preços mais acessíveis estimulou o abate de suínos, que cresceu 4%, e de frangos, que encerrou o ano com aumento de 4,5%. Os dados são da Pesquisa Trimestral de Abate de Animais, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, ao longo de 2016 foram abatidos em Minas Gerais 2,46 milhões de bovinos, retração de 13,1% frente a 2015, quando o abate somou 2,84 milhões de cabeças. Queda também foi verificada no peso das carcaças, que ficou 11,4% inferior em 2016. Enquanto em 2015 o peso das carcaças era de 665 mil toneladas, no ano passado o volume caiu para 588,8 mil toneladas.

No último quadrimestre de 2016 foi registrada retração de 9,8% no abate de bovinos, quando comparado com igual período de 2015. No intervalo, foram abatidas 582,5 mil cabeças. O peso das carcaças caiu de 156,9 mil toneladas para 140,2 mil toneladas, volume 10,6% inferior.

“As involuções verificadas no abate e no peso das carcaças de bovinos são justificadas pelo período severo de falta de precipitação, o que influenciou de forma negativa nas pastagens. No ano passado, o pecuarista precisou desfazer do rebanho pela falta de recursos para manter o gado no campo ou em confinamento, que estava com os custos elevados. Dessa forma, muitos anteciparam o abate, incluindo animais mais leves”, explicou o analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca.

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Leite - A produção de leite em Minas Gerais também recuou em 2016, o que já era esperado pelo setor produtivo. Neste caso, o aumento dos custos de produção, impulsionados pela elevação dos preços do milho e da soja, comprometeram a margem de lucro dos pecuaristas, que reduziram os investimentos e optaram pela redução da produção para minimizar os prejuízos.

Ao longo de 2016, Minas Gerais industrializou 6 bilhões de litros de leite, ante os 6,43 bilhões processados em 2015, resultado 5,3% inferior. No último quadrimestre, a queda foi de 5%, com a industrialização de 1,6 bilhão de litros.

De acordo com o IBGE, tradicionalmente, o quarto trimestre é caracterizado pelo pico da produção de leite no ano, resultado da melhoria das condições das pastagens com a chegada das chuvas nas principais regiões produtoras a partir do final do trimestre anterior.

Apesar do custo menor de produção no período, o comprometimento da renda ao longo dos demais trimestres interferiu de forma negativa na produção.

No ranking dos maiores produtores de leite, Minas Gerais continua liderando amplamente a aquisição, com 26% do volume nacional, seguido por Rio Grande do Sul (13,6%) e Paraná (11,9%).

“A alta verificada nos custos da pecuária de leite, em 2016, foi maior que a registrada nos preços pagos aos produtores. Os pecuaristas ficaram desestimulados e, por isso, não houve investimentos. Outro fator que prejudica o mercado do leite é o aumento das importações vindas, principalmente, da Argentina e do Uruguai”, disse Fonseca.

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