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10/11/2017

Sign Weaver promove inclusão de surdos

Ana Carolina Dias
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O primeiro dia de provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) 2017, no último domingo (5), trouxe para o debate a inclusão educacional de pessoas com deficiência auditiva no País, acompanhando a relevância dada aos alunos surdos que, pela primeira vez, tiveram uma versão em vídeo disponível para realizar as avaliações.

Com o tema “Os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, a redação do Enem deste ano demandou dos candidatos a discussão e a proposta de estratégias para uma metodologia de ensino inclusiva para os surdos, tendo como base o contexto educacional do País, além de dados que mostram o desenvolvimento do número de alunos surdos matriculados na educação básica entre 2010 e 2016, informações sobre a Língua brasileira de sinais (Libras) e a exclusão de deficientes auditivos no mercado de trabalho como resultado do preconceito.

Uma pesquisa iniciada em 2008 no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) com o intuito de compreender o motivo da ausência de alunos surdos no ensino profissionalizante da instituição, mostrou que a realidade da educação dos deficientes auditivos passa pela construção de palavras e, consequentemente, identificou a falta de uma metodologia eficaz causada pela ausência de palavras atreladas a conceitos na Língua brasileira de sinais (Libras). Desde então, a startup Sign Weaver aliou a linguística à engenharia de computação para buscar caminhos que possam acelerar o preenchimento dessa lacuna e atua na produção de terminologias científicas com foco na inclusão de estudantes surdos.

A professora do Cefet-MG, doutora em linguística teórica e descritiva e CEO da startup, Vera Lúcia de Souza e Lima, afirma que o objetivo principal é a produção de dicionários terminológicos de forma escalável para que os estudantes surdos tenham acesso a conceitos científicos e tecnológicos e, assim, sejam capazes de cursar os vários níveis acadêmicos. Segundo ela, para construir a carreira profissional do estudante surdo é preciso, primeiro, construir a palavra. “Podemos considerar que, desde o primário, o surdo não tem acesso a conteúdos científicos porque essas palavras ou sinais não existem em Libras. Um surdo pode, por exemplo, concluir o 2º grau sem compreender Física, Química, Matemática, Biologia e outras disciplinas. O aluno, muitas vezes, está diante de uma prova como a do vestibular e não entende aquele texto”, diz Vera Lima.

Desenvolvido no âmbito acadêmico e com cerca de 500 sinais cadastrados nas áreas de Desenho Arquitetônico, Eletrônica e Química, o módulo capaz de criar esses sinais está concluído, mas ainda não há uma interface gráfica disponível para o usuário final. A startup está em fase de captação de investimentos na busca de viabilizar o produto e conseguir compatibilizá-lo com os diferentes tipos de mídias existentes, como smartphones e computadores. O cofundador da Sign Weaver e professor associado do Departamento de Computação do Cefet-MG, Flávio Cardeal, reforça a ideia de que, para alcançar o objetivo de um sistema educacional inclusivo, é necessário que existam sinais atrelados aos conceitos de ciência e tecnologia.

O planejamento, de acordo com ele, é de que o software seja usado nas instituições de ensino, com o auxílio de um intérprete, para ensinar os conceitos necessários aos alunos, que também poderão ter acesso aos novos sinais para treinar e estudar em casa. “Acreditamos que é possível um sistema educacional brasileiro que vai integrar os estudantes surdos nas disciplinas que envolvam ciência e tecnologia e vai proporcionar a eles o acesso ao mercado de trabalho qualificado, o que não acontece atualmente. Mas, para que isso aconteça, precisamos que, na Língua brasileira de sinais, eles tenham acesso a palavras específicas e equivalentes”, explica.

Carência de intérpretes - Além do desafio da construção de um vocabulário específico, que é o foco da Sign Weaver, Vera Lima avalia que o pequeno número de intérpretes disponíveis para auxiliar as pessoas com deficiência auditiva também é um obstáculo na formação educacional dos surdos. “A formação acadêmica do intérprete começou em 2008, com os primeiros cursos de bacharelado nos polos Letras Libras desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Até 2012, o Cefet foi um dos polos e formou 23 bacharéis em quatro anos”, comenta a CEO.

Lima aprofunda ainda a questão da exigência de competências relacionadas a esses intérpretes que precisam traduzir palavras de áreas específicas e que ainda não foram estipuladas pela Língua brasileira de sinais.“Quando o intérprete entra na sala de aula e começa a traduzir todas as disciplinas sem ter acesso a dicionários terminológicos, o resultado são alunos surdos que não aprendem de forma satisfatória e que não conseguem alcançar níveis acadêmicos mais elevados, permanecendo em trabalhos operacionais”, analisa.

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