17/07/2018
Login
Entrar




Opinião

17/04/2018

Sistemas agroalimentares são essenciais

Benjamin Salles Duarte*
Email
A-   A+
Nos sistemas agroalimentares do campo à mesa do consumidor é estratégico e essencial o setor supermercadista ao gerar milhares empregos e abastecer milhões de brasileiros na diversidade socioeconômica dos estados da Federação. Segundo a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), em 2017 as vendas atingiram R$ 353,2 bilhões ou US$ 110,6 bilhões, a preços correntes, ou 5,4% do PIB brasileiro, com uma logística de 89,3 mil lojas, que emprega diretamente 1,82 milhão de pessoas, e criou mais 20 mil vagas de trabalho.

No caso de Minas Gerais, 2017, esse faturamento foi da ordem de R$ 34,7 bilhões ou US$ 10,86 bilhões, a preços correntes, 2º lugar em nível nacional, e empregou diretamente 190.400 pessoas em 7.173 lojas (Amis). Pode-se presumir que minimamente 55% resultem das vendas de alimentos in natura, processados e agroindustrializados, o que revela uma sintonia fina, no que couber, com o desempenho da agricultura, pecuária, horticultura e fruticultura.

Noutro cenário, não menos importante, o setor de panificação e confeitaria, em nível nacional, no ano passado, movimentou R$ 90,3 bilhões, a exigir, entre outras matérias-primas, a regular oferta de trigo, e trigo é agricultura. E as bebidas fermentadas, entre elas as cervejas, os vinhos, e as destiladas como as exponenciais cachaças mineiras! O mundo da agropecuária não tem fronteiras e as dependências do urbano com o rural, sistêmicas, são caminhos de mão dupla e realidades, convergentes, plenamente mensuráveis no produzir, abastecer e exportar.

Minas Gerais ainda abriga 85% da população nas áreas urbanas, que é um processo irreversível numa série histórica, quando, em 1950, havia 70% da população vivendo nas áreas rurais do Estado. O que houve então? Tracionados pelos mercados, pelas logísticas, pelo crédito rural, acesso aos insumos, mais assistência técnica pública e privada, os produtores ao adotarem as inovações geradas pela pesquisa obtiveram ganhos significativos de produtividade nas culturas e criações, mas, deve-se entender que a lucratividade é determinante à adoção ou rejeição!

Segundo o pesquisador Eliseu Alves, ex-presidente da Embrapa, “das conjecturas decorrentes da exaustiva análise do Censo Agropecuário de 2006 e dos Censos Demográficos, consultados, podem-se deduzir que a concentração da produção vai se agravar; a população residente no meio rural e o emprego rural serão cada vez menos expressivos, bem com as políticas de transferência de renda, que também procuram deter o êxodo rural, continuarão sendo, neste aspecto, derrotadas pelas forças do mercado, e incapazes de atenuarem seus efeitos. Na safra de grãos 2017/18, o Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás devem responder por 69% da oferta brasileira, e os ganhos de produtividade crescem desde o Censo de 2006.

E mais, se não forem atenuadas ou removidas as imperfeições de mercado, pelas quais a pequena produção vende mal o que produz e, da mesma forma, compra mal os insumos, a solução do problema da pobreza rural via agricultura continuará sendo inviável!” Minas Gerais abriga 437.415 estabelecimentos rurais, que podem ser enquadrados nos perfis da agricultura familiar, indispensável, num universo de 551.617 recenseados em 2006 (IBGE).
É presumível também, segundo Alves, “que os centros urbanos e os mercados externos, por seus consumidores, exigências, e rendas per capita, que estimulam o consumo de alimentos, definam num futuro próximo os cenários das atividades agrossilvipecuárias nos contextos da economia rural mineira e nacional nas artes de criar, plantar, abastecer, agroindustrializar, exportar, e conservar os recursos naturais nos processos sustentáveis.”

* Engenheiro agrônomo

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

17/07/2018
EDITORIAL | Futuro fica para depois
A Câmara dos Deputados está em recesso, em nome das férias parlamentares, mas em termos práticos isso significa que a atual legislatura, que definitivamente não...
17/07/2018
Do mundo a ser conquistado
O Brasil não vende, com raras exceções, mas é comprado. Nossos principais produtos de exportação são comprados pelos importadores que, na sua...
17/07/2018
As sugestivas revelações da Copa
“numa arquibancada, nos apertões de um  estádio,(...) vejo e escuto o povo em plena criação”. (José Lins do Rego) Futebol é mesmo uma...
17/07/2018
Delações premiadas e prisões preventivas
Não resta dúvida de que o instituto jurídico da colaboração premiada é um avanço em nosso ordenamento jurídico, possibilitando ao Estado...
14/07/2018
EDITORIAL | Andando em círculos
“Reafirmo a absoluta incompetência do juízo plantonista para deliberar sobre questão já decidida por este Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo...
› últimas notícias
Prado Shopping não deve ser inaugurado até 2020
MPF pede cassação de fase 3 do Minas-Rio
Arrecadação estadual registra redução de 13,4%
Produção de minério de ferro da Vale recua em Minas Gerais
Vale D'ouro investe R$ 15 mi para atender mercado externo
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


17 de julho de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.