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Minas 2032

11/11/2015

Tecnologia garante a geração de renda

Luciane Lisboa
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Quando se discutem os problemas enfrentados pelo produtor rural mineiro, é impossível não falar de tecnologia e inovação. Da confecção das primeiras ferramentas agrícolas pelos nossos ancestrais há milhares anos até osmodernos drones—aeronaves não tripuladas controladas remotamente —, o desenvolvimento tecnológico tem sido um grande aliado da agricultura, uma das primeiras atividades econômicas praticadas pela humanidade.

Não foi diferente no seminário sobre o agronegócio. Uma das conclusões a que os participantes chegaram é que não há dúvidas de que a chave para a permanência do homem no campo passa pelo aumento da produtividade, que leva a uma maior produção de renda. E ambos têm ligação direta com a tecnologia.

Também foi consenso entre os participantes do seminário a questão da infraestrutura. Ao apresentar o panorama atual do agronegócio no Estado e no País, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, foi claro ao salientar que o crescimento do setor está atrelado à melhoria da infraestrutura e logística do Brasil.

“Se a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) espera de nós um crescimento de pelo menos 40% em cima do que já somos até 2050, isso só ocorrerá se houver uma readequação do nosso sistema de infraestrutura e logística. Sem isso, vamos ficar nessa de cresce um pouquinho em um ano, reduz um pouquinho no outro. Ou seja, ficaremos inertes, porque chegou-se num ponto limite”, ressaltou.

O painel desta edição do “Minas 2032” foi conduzido pelo editorchefe do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Amaury Pimenta de Pinho. Como debatedores, participaram o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz Reis Filho; o presidente da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Evaldo Vilela; o professor da Universidade Federal de Lavras Luiz Gonzaga; a engenheira agrônoma
da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Bárbara Barroso Vieira; o diretor da instituição de ensino Rehagro, Clóvis Correa; e o ex secretário de Agricultura de Minas Gerais e engenheiro agrônomo Mário Ramos Vilela.


Favorecer a permanência do homem no campo, ou seja, evitar a migração das futuras gerações de agricultores para as grandes cidades é um dos mais graves problemas atuais do setor, na opinião do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz Reis Filho. "O maior desafio para o agronegócio é saber quem estará fazendo agricultura quando 2032 chegar. O grande problema da agricultura é a questão da sucessão", afirmou.

Segundo Reis Filho, a permanência do homem no campo é um dilema em função das imperfeições de mercado, já que, hoje, cada vez mais os custos de produção vêm aumentando, principalmente para o pequeno produtor agrícola que, por não ter escala, compra o insumo mais caro e, pelo mesmo motivo, vende o produto mais barato.

"Com isso, suas margens vão ficando cada vez mais reduzidas. Se ele (agricultor) não tem renda, não consegue ficar no campo, não consegue manter seu filho com o que produz e, infelizmente, não consegue fazer com que a atividade persista por mais uma geração", ponderou.

A solução para essa questão, conforme o secretário, além de envolver apoio do poder público, está diretamente ligada à tecnologia. "Não tenho dúvidas de que os países mais desenvolvidos resolveram isso com construtivismo e corporativismo, e nós ainda temos muitas dificuldades aqui. Em Minas Gerais, embora tenhamos bons exemplos, a migração do campo para a cidade ainda é um gargalo a ser superado. Mas a chave para a questão vem da geração de renda, e esta só vem com tecnologia. Então, tudo que formos falar sobre desafio resume-se em como vamos gerar pesquisa, tecnologia e fazer com que essa inovação chegue no campo."

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Sustentabilidade - Na opinião do secretário, o debate sobre o futuro também passa pela sustentabilidade. Para Reis Filho, o atual cenário de alterações climáticas mostra que a busca por uma agricultura sustentável é fundamental para que o setor continue forte e economicamente viável em 2032.

Nesse sentido, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que já está sendo implantado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), "será um divisor de águas".

Ele explicou que na década de 1990 procurou-se separar a agricultura do meio ambiente, o que antes era uma coisa só. "Depois desse movimento de cisão, hoje estamos novamente indo por um caminho de comunhão para voltar a ser uma coisa só, como sempre deveria ter sido. E o CAR é isso, um lugar que vai permitir separar quem tem passivo ambiental de quem tem ativo ambiental. Vai permitir que se saia do empirismo. Será um marco", disse.

O CAR é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais e tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente (APP), das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das áreas de uso restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do País.

Em Minas Gerais foi criado um sistema próprio para cadastro (Sicar), que é de responsabilidade da Semad, sendo que o Instituto Estadual de Florestas (IEF) assumiu a coordenação executiva do projeto.

Mais de 550 mil propriedades rurais no Estado deverão fazer o cadastro no sistema. Para o secretário, o CAR será uma ferramenta importante para que Minas obtenha um diagnóstico completo da questão ambiental no meio rural. A partir das informações do cadastro, serão estabelecidas ações e áreas prioritárias de atuação, com foco especial na proteção e recuperação de nascentes e no fomento florestal.

"Acredito que até 2032 o caminho que nós vamos percorrer no Brasil será um caminho próprio. Digo isso porque existem modelos bem sucedidos em outros países, como o americano e o europeu. Mas não temos como seguir um modelo pronto, temos que construir o nosso próprio modelo.  ele que vai dialogar com todas as possibilidades, desde a agricultura intensiva, concentrada em algumas regiões, até uma agricultura de pequena propriedade com alta gestão de tecnologia", ressaltou.


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