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DC Turismo

17/02/2018

Tiradentes e Camanducaia no topo do turismo

Cidades assumem categoria "A"
Daniela Maciel
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Em Camanducaia, que, segundo o IBGE, abriga pouco mais de 22 mil moradores, a grande estrela é o distrito de Monte Verde/Marcelo Isola/Divulgação
Minas Gerais conta com 555 cidades na edição 2017 do Mapa do Turismo Brasileiro, divulgado pelo Ministério do Turismo (Mtur). A avaliação é realizada partir de quatro variáveis de desempenho econômico - número de empregos, de estabelecimentos formais no setor de hospedagem, estimativas de fluxo de turistas domésticos e internacionais - e os municípios foram divididos por letras, que vão de ‘A’ a ‘E’. O principal destaque mineiro são Camanducaia, no Sul de Minas, e Tiradentes, no Campo das Vertentes, que passaram da categoria B para a A, juntando-se a Belo Horizonte. De acordo com a nova classificação, houve crescimento da atuação do turismo em 358 municípios mineiros que estão classificados da seguinte maneira: A (03), B (18), C (80), D (348) e E (106).

Também parte do seleto grupo de cidades mineiras incluídas na lista de destinos indutores nacionais, na companhia de Diamantina (Vale do Jequitinhonha), Ouro Preto (Central) e Belo Horizonte, Tiradentes comemora a chegada ao patamar mais alto do turismo nacional e traça planos mais ousados para um futuro próximo.

De acordo com o secretário Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer de Tiradentes, Moisés Oliveira Alves, o reconhecimento não é uma surpresa, mas é fruto de um esforço que pretende tornar a política pública para o turismo permanente, e não algo que mude a cada troca de gestor. O turismo é a principal atividade econômica do município de pouco menos de 8 mil habitantes, estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017.




“Estávamos aguardando essa classificação. A cidade teve um forte trabalho de qualificação da infraestrutura. Somos um destino cada vez mais importante sob o aspecto da gastronomia e da realização de eventos. Isso também qualificou o nosso turista que fica mais tempo e gasta um pouco mais na cidade do que a média em cidades com histórico parecido. Temos um público interno muito forte, vindo principalmente de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Nossos próximos passos vão em busca da internacionalização, com a consolidação também do segmento de charme. É claro que ainda temos o que melhorar, como sinalização e acessibilidade, por exemplo. O cuidado com a infraestrutura e qualificação da mão de obra precisa ser permanente”, explica Alves.

Em Camanducaia, que, segundo o IBGE, abriga pouco mais de 22 mil moradores, a grande estrela é o distrito de Monte Verde. Em meio à Serra da Mantiqueira e parte do Circuito Serras Verdes do Sul de Minas Gerais, é um dos principais destinos românticos do País. Camanducaia faz parte da lista de 18 cidades indutoras estaduais junto com Araxá, no Alto Paranaíba; Brumadinho e Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH); Capitólio, Caxambu, Maria da Fé, Poços de Caldas e São Lourenço, no Sul de Minas; Governador Valadares, no Vale do Rio Doce; Ipatinga, no Vale do Aço; Itabira, Santana do Riacho e Sete Lagoas, na região Central; Juiz de Fora, na Zona da Mata; Montes Claros, no Norte de Minas; São João del-Rei, no Campo das Vertentes; e Uberlândia, no Triângulo.

Segundo o prefeito de Camanducaia, Edmar Cassalho Moreira Dias, a elevação à categoria ‘A’ é a concretização do trabalho duro e diário de diversos setores: a administração pública, os empresários e associações, e os moradores de Monte Verde. O distrito não é mais um destino apenas para o inverno, se posicionando para receber os visitantes durante todo o ano.

“Investimos, nos últimos anos, na capacitação dos profissionais envolvidos no Turismo. Fizemos importantes parcerias que trouxeram inúmeros cursos para o município, melhorando e capacitando a mão de obra. Os empresários, associações e comunidade entenderam a importância do turismo e trabalharam para que o segmento crescesse e prosperasse. Temos o Festival de Inverno, Festival de Gastronômico e o Festival de Natal, que já estão consolidados e realizados em parceria com associações de Monte Verde, que serão ainda mais fortes neste ano. São eventos, distribuídos durante todo o ano, para fomentar o turismo no município”, afirma Dias.

MINAS TEM OUTROS 47 MUNICÍPIOS CATEGORIZADOS

De maneira geral na categorização feita pelo Ministério do Turismo (Mtur), por meio do Mapa do Turismo, o desempenho das cidades mineiras foi satisfatório. 189 municípios subiram da categoria ‘E’ para ‘D’, tornando-as aptas a receber recursos federais para promoção de eventos, por exemplo. Isso porque, segundo portaria 39/2017 do MTur, somente municípios classificados entre ‘A’ e ‘D’ podem pleitear apoio a eventos geradores de fluxo turístico. Ainda seguindo essa portaria, apenas 82 cidades ficarão de fora da lista de pleitos do MTur por descer de categoria, uma vez que deixaram a categoria ‘D’ e passaram para ‘E’.

De acordo com o secretário interino de Estado de Turismo de Minas Gerais, Gustavo Arrais, Minas Gerais tem outros 47 municípios categorizados pela Setur-MG que podem ser avaliados e fazer parte da lista do Mtur. Para ele, o resultado mostra que com empenho e criatividade a superação grandes obstáculos como a crise econômica brasileira é possível.

“Essa é uma questão de estratégia e posicionamento. O resultado mostra que estamos acordando para o turismo como alternativa econômica. O exemplo da França, que soube substituir a mineração pelo turismo como principal fonte econômica, nos cabe perfeitamente. Minas Gerais já é uma potência turística. Falta agora sermos mais estratégicos. Camanducaia e Tiradentes - cidades que agora estão na categoria A - são lugares bastante distintos mas que souberam igualmente se colocar como produto turístico.

Foto: Samuel Flores

São ótimos exemplos do que podemos fazer. A presença de empresários estrangeiros nessas cidades exemplifica isso. Eles viram a força do turismo em seus países. Aos poucos os mineiros também tem percebido e o Mapa do Turismo mostra isso”, explica Arrais.

Destinos importantes como Conceição do Mato Dentro e Mariana, ambas na região Central, também conseguiram melhorar a classificação, pulando da categoria C para B, apesar das dificuldades comuns à crise econômica brasileira que atravessam, associadas às dificuldades locais como a paralisação das atividades da Samarco - depois do desastre de 2015 -, no caso de Mariana.

O secretário de Cultura e Turismo de Mariana, Efraim Rocha, avalia o estabelecimento de um calendário de eventos como determinante para que a cidade se recuperasse - ao menos em parte - do abalo econômico e de imagem sofrido depois da tragédia causada pela mineradora. O turismo, embora ainda seja uma atividade econômica secundária no município, vem se tornando uma ferramenta cada vez mais forte de desenvolvimento social e econômico.

“Trabalhando com criatividade estamos determinados a mostrar que Mariana continua viva e dona de um patrimônio que merece ser conhecido. Em 2017, desenvolvemos um calendário de atividades esportivas e culturais - com festivais e seminários voltados para a história e patrimônio cultural - capaz de atrair a atenção da mídia e o interesse dos turistas. Em 2018, o trabalho continua nesse sentido, valorizando, especialmente, os saberes e tradições locais para que eles se tornem depois disso produtos turísticos. O sucesso do Carnaval desse ano demonstra que estamos em um bom caminho. Estamos envolvendo os distritos nesse trabalho”, ressalta Rocha.

De outro lado, municípios importantes como Caraí, no Vale do Jequitinhonha/Mucuri; e Pouso Alegre, no Sul de Minas, ficaram fora da lista. De acordo com a equipe técnica da Setur-MG, esses municípios deixaram de cumprir requisitos federais e estaduais por isso não aparecem na categorização.

Para serem avaliados, os municípios precisam atender critérios estabelecidos pelo MTur por meio da Portaria nº 205, de 9 de dezembro de 2015: possuir órgão responsável pela pasta de turismo (Secretaria, Fundação, Coordenadoria, Departamento, Diretoria, Setor, Gerência). Comprovar a existência de dotação para o turismo na lei orçamentária anual vigente. Ela não precisa, necessariamente, ser exclusiva do turismo. Apresentar Termo de Compromisso assinado por prefeito ou dirigente responsável pela pasta de turismo, conforme modelo disponibilizado no Sistema, aderindo de forma espontânea e formal ao Programa de Regionalização do Turismo e à Região Turística.

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