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Economia

17/04/2018

Transportadoras de cargas cobram taxas extras no Rio

Violência leva empresas mineiras a rever contratos e cancelar rota
Mara Bianchetti
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Com o valor adicional das taxas algumas empresas perderam parte dos contratos que possuíam no Rio/Filó Alves
Embora a situação tenha se agravado nos últimos meses, não é de hoje que a segurança pública é um problema explícito do Rio de Janeiro. Os roubos de cargas no entorno da capital fluminense são constantes e crescentes, conforme dados do Instituto de Segurança Pública do Estado. Somente em fevereiro houve aumento de cerca de 50% neste tipo de ocorrência em relação ao mesmo mês de 2017. Como consequência, as transportadoras não têm alternativa senão a cobrança de taxas extras, a revisão de contratos ou até mesmo o cancelamento da rota.

De acordo com empresas mineiras com filiais naquela cidade, o aumento da violência tem elevado os custos com sistemas de rastreamento, seguros e escolta. A maioria, desde o ano passado, começou a cobrar a Taxa de Emergência Excepcional (Emex), fixada em R$ 10 por fração de 100 kg, mais um percentual do valor da carga (entre 0,3% e 1%). O percentual se soma à Taxa de Gerenciamento de Risco (Gris), que já é embutida em todo o País para cobrir os custos com a segurança.

Ônus - O gerente de segurança da Patrus Transportes Urgentes, Heroildo Assunção, afirmou que, diante do agravamento da situação, muitas empresas optaram por abandonar as rotas para aquele Estado. As que mantiveram têm adicionado taxas e valores aos contratos já existentes para transportar os produtos. “A taxa de emergência tem onerado o frete entre 8% e 10%. Mas não há outra opção”, disse.

A Patrus, segundo ele, já contava com segurança reforçada para as entregas realizadas no Rio de Janeiro, mas há algum tempo teve que investir ainda mais nos sistemas de gerenciamento de risco para as mercadorias enviadas para o Estado vizinho.

“O Exército tem feito muita coisa, mas está auxiliando principalmente na parte de investigação. Por enquanto, taxas e medidas adicionais são necessárias para amenizar os prejuízos e garantir a entrega dos itens”, justificou.

Conforme Assunção, os valores são investidos pelas empresas em ações de gerenciamento de risco, que incluem escolta, quebra de horário e seguro das mercadorias e caminhões.
O mesmo tem sido feito pela Empresa de Transportes Martins Ltda. De acordo com o presidente, Ulisses Martins Cruz, a cobrança da Emex para o Rio de Janeiro foi adotada desde o ano passado. Segundo ele, a transportadora está renegociando a maioria dos contratos, em função não somente do aumento do risco de roubo, mas também das mudanças em horários de recebimento e entrega dos produtos.

“É uma taxa de emergência, mas ao que tudo indica, terá que ser mantida ainda por bom tempo, pois dependemos dela para custear os gastos com segurança e logística na região”, lamentou.

De acordo com Cruz, desde que instituiu o valor adicional, a Transportes Martins perdeu parte dos contratos que possuía no Rio de Janeiro. Houve uma queda de 6% no número de clientes e de 2% a 2,5% no faturamento da filial fluminense.

Na avaliação do empresário, qualquer perda de contrato é significativa para a empresa, mas não havia alternativa nesta questão. “Basicamente esta taxa é aplicada no acompanhamento dos veículos, em escolta armada e na própria mobilidade das carretas pela cidade”, explicou.

O diretor de Projetos Estratégicos da Tora Logística, Altair Alvim Junior, destacou que a empresa está incluindo a taxa nos contratos que consegue, embora a maioria seja de longo prazo, de alto valor e com empresas de grande porte, o que dificulta as negociações.

Ele lembrou que os próprios carreteiros, a maioria autônoma, tem recusado cargas para aquela região, da mesma forma que as seguradoras têm elevado os preços de cobertura para determinadas rotas. “Tudo isso está dificultado o transporte para o Rio de Janeiro e arredores. A Emex veio para amenizar, enquanto o Exército e a Polícia Militar estão atuando em conjunto para diminuir as ações dos bandidos. Já temos uma sensação de melhora do cenário, mas, na prática, ainda não foi possível contabilizar”, ponderou.

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