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FAEMG

16/12/2016

Um ano de safra recorde na cafeicultura, com 28,9 milhões de sacas

Alta foi de 29,7% frente a 2015
Michelle Valverde
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Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil, sendo responsável por 58% do volume produzido, com alta qualidade/Emater MG/Divulgação
O ano de 2016 foi considerado positivo para a produção de café em Minas Gerais. No período, que, ao contrário dos anos anteriores foi marcado por variações climáticas pontuais, foi colhida uma safra recorde de 28,9 milhões de sacas, o que significou um crescimento de 29,7% frente ao ano anterior. Os preços também apresentaram recuperação. Para o próximo ano, a expectativa é de queda na produção devido ao período de bienalidade negativa e ao desgaste dos cafeeiros após a safra alta.

Minas é o maior estado produtor de café, sendo responsável por 58% do volume nacional. A produção estimada para o Brasil é 49,6 milhões de sacas, aumento de 14,8% em relação ao período produtivo anterior, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, o ano foi positivo para a cultura.
“Este ano tivemos uma safra excelente em Minas Gerais. Os dados da Conab confirmam uma safra de 28,9 milhões de sacas de 60 quilos em Minas e de 49 milhões no Brasil, o que é recorde para o Estado. Tivemos um bom ano, com boa produtividade e os preços competitivos”.

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Preços - Os preços pagos pelo café mantiveram-se acima dos custos em parte do ano, cenário que no início de dezembro foi modificado. A queda dos valores, segundo Mesquita, não condiz com a realidade entre a oferta e a demanda pelo grão, já que existe um déficit mundial na produção do café. Os estoques oficiais de café no Brasil estão em torno de 750 mil sacas, ou seja, o volume é praticamente nulo.

“Não existe explicação para a queda dos preços do café. O grão é uma commodity tão complexa que vários fatores influenciam, como o câmbio, as questões políticas, as eleições dos Estados Unidos, entre outros. Então, tudo isso faz com que o ambiente comercial do café sofra interferências externas. Mas, hoje, baseado no que o Brasil e o mundo produzem e consomem, sabemos que teremos um déficit de café. Isso já vem acontecendo há algum tempo”.

Com a retração verificada nos preços, a situação dos produtores é considerada desafiadora. Se em meados de novembro a cotação do grão estava em torno de R$ 600 por saca de 60 quilos, o preço na segunda semana de dezembro já variava de R$ 530 a R$ 550, o que dificulta o planejamento.

Mesquita explica que o preço atual está no limite, principalmente na cafeicultura desenvolvida nas regiões montanhosas, onde o custo é mais elevado. O cafeicultor não está perdendo, mas também não ganha.

“Olhando os anos anteriores, quando a safra mineira foi amplamente prejudicada pela estiagem, a ideia era que, com uma safra boa e preços atraentes em 2016, o produtor teria condições de fazer o planejamento, continuar na atividade e investir, melhorando alguns processos e a gestão. Tomara que as coisas melhorem. No atual contexto, o cafeicultor está sem capacidade de investimento”.

O café se mantém como o principal produto do agronegócio mineiro. É responsável por 45,1% das exportações do setor no Estado, acumulando US$ 2,7 bilhões entre janeiro e outubro de 2016. A Alemanha continua sendo o principal importador (21,1%), seguida pelos Estados Unidos (20,5%) e Itália (10,7%).

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