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Opinião

19/05/2018

Uma conta que vai para filhos e netos

Carlos Rodolfo Scheider*
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Em evento da Confederação Nacional do Comércio, o ministro do Planejamento Dyogo Oliveira informou que 57% de todo o gasto do governo hoje é com a Previdência Social e apenas 2% com investimento. Considerando que as contas públicas apresentaram déficit de R$ 124,4 bilhões em 2017, as demais contas do orçamento tiveram que fazer um superávit de R$ 144 bilhões para cobrir o rombo de R$ 268 bilhões da Previdência.

O economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, observou que “se hoje gastamos 57% do orçamento com a Previdência Social, em 20 anos serão 100%”. O rombo dos benefícios pagos ao setor público somou R$ 1,292 trilhão entre 2001 e 2015, muito mais do que o governo gastou com saúde e educação no período. Na sua avaliação, a Previdência tende a ser hoje o maior mecanismo de concentração de renda do País.

O problema de seguridade social é provocado por um misto de envelhecimento acelerado da população, privilégios, má gestão, desvio e aposentadorias precoces. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que os 59 anos de aposentadoria do Brasil são incompatíveis com a curva demográfica, especialmente se comparados com a idade de outros países. Alemanha, Estados Unidos e Holanda, por exemplo, já aprovaram regras para elevar a idade mínima para 67 anos, com igualdade de regras para homens e mulheres.

Os generosos fluxos de recursos, que privilegiaram o Rio de Janeiro na Copa do Mundo, nas Olimpíadas e com royalties do petróleo não foram suficientes para compensar a falta de gestão e a corrupção no governo do Estado. Com a intervenção decretada, a União passa a coordenar os esforços da segurança em meio ao caos que tomou conta do Rio. Com o dinheiro dos contribuintes de todo o país. Com isso, a votação da reforma da Previdência teve que ser suspensa por determinação constitucional.

Adiamentos e desidratações transferem para frente contas cada vez mais altas a pagar, especialmente pela população mais pobre, massa de manobra dos que defendem privilégios. Os excessos que cometemos hoje são exatamente a conta que estamos transferindo aos nossos filhos e netos. Não creio que queiramos isso.

* Empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE); crs@brasileficiente.org.br

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