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Negócios

21/09/2017

Universidade apresenta os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável aos alunos

Professora da Federal de Uberlândia trabalha projetos que têm ajudado na implementação dos objetivos na prática
Thaíne Belissa
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Projetos de extensão da UFU são um instrumento mais apropriado, uma forma mais didática de mudar a visão dos alunos em relação à sociedade/Divulgação
Com um público predominante de pesquisadores e atores ligados à academia, a 4th RME Research Conference também abordou a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) no ambiente das universidades. Um case de destaque apresentado foi o da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro, por meio da professora-doutora Luciana Cezarino. Ao falar sobre o processo de apresentar aos alunos a proposta do desenvolvimento sustentável, a professora destacou a importância de se utilizar estratégias práticas.

“Quando você simplesmente apresenta os ODS aos alunos e pede para que eles pesquisem sobre o tema, muitas vezes você não consegue engajamento. Os projetos de extensão da universidade são um instrumento mais apropriado, uma forma mais didática de mudar a visão dos alunos em relação à sociedade”, disse. Nesse sentido, a professora vem trabalhando em uma série de projetos na UFU que têm ajudado na implementação dos ODS na prática.

Ao fim do projeto, apresentamos o relatório para a prefeitura e algumas ações foram realizadas, revelou Luciana Cezarino - Foto: Jorge Quintão



Um desses projetos foi o “Sustentabilidade da avenida Rondon Pacheco”, que consistiu na elaboração de um relatório sobre essa avenida, que é a mais importante da cidade. Os pesquisadores avaliaram questões relacionadas ao fluxo de carros, pedestres, tráfego, condições e riscos da via, número de árvores, limpeza, entre outros.
“Ao fim do projeto, apresentamos o relatório para a prefeitura de Uberlândia e algumas ações foram realizadas, como a instalação de lixeiras na avenida. Outra consequência interessante foi a limpeza em frente a um fast food. Até então, o local ficava sempre sujo, mas com a pressão do relatório, a empresa disponibilizou um funcionário para a limpeza diária”, relatou.

Ugreenlândia - Outro projeto protagonizado pelos pesquisadores da UFU foi o “Ugreenlândia”, que tem o objetivo de tornar a cidade mais verde. Luciana Cezarino afirma que seu ideal era que o projeto fosse além da plantação de árvores, por isso ela desenvolveu uma estratégia para incluir adolescentes grávidas no processo de aprendizagem e criação de hortas verticais. Elas são capacitadas a construírem hortas verticais, que são vendidas à população e geram renda para as adolescentes.

“A gravidez para uma adolescente é uma experiência difícil, que vai mudar para sempre a vida dela e, por isso, é acompanhada de muito medo e stress. Com esse projeto nós incentivamos o cultivo do verde, mas também formamos essas adolescentes, dando a elas fonte de renda e ajudando-as a viver esse momento com um trabalho que desenvolve a autoestima”, disse.

Durante as oficinas realizadas na parte da tarde da conferência, o tema dos ODS na academia também foi amplamente debatido. Entre as pesquisas apresentadas nesse sentido está a tese de doutorado da pesquisadora Heloísa Cronemberger de Araújo Goes, da Fundação Oswaldo Cruz. Ela desenvolveu um instrumento brasileiro para avaliação do nível de sustentabilidade no ambiente de universidades. De acordo com ela, até então só existiam instrumentos com essa funcionalidade no exterior, o que torna sua pesquisa uma grande inovação para o setor no Brasil.

Heloísa Goes destaca a importância de a universidade ser uma promotora de práticas de sustentabilidade. “É a universidade que forma especialistas que vão atuar de forma cidadã no mundo. É nela também que as pesquisas são desenvolvidas, assim como ações de interação com a sociedade por meio de projetos de extensão. É muito importante que a universidade desenvolva os aspectos da sustentabilidade nessas três grandes funções que cabem a ela. Além disso, a sustentabilidade tem que estar em seus processos internos, em suas operações, de forma que ela crie uma cultura de sustentabilidade real e não maquiada”, afirma.

A construção do instrumento brasileiro de avaliação de sustentabilidade em universidades foi baseado nos instrumentos internacionais já existentes, mas considerando aspectos locais, como a legislação brasileira. A pesquisadora afirma que já apresentou a proposta aos Ministérios de Meio Ambiente e Educação e espera agora que o instrumento seja validado e usado no País.

PRINCÍPIOS PARA EDUCAÇÃO EMPRESARIAL RESPONSÁVEL


Princípio 1 / Propósito:
Desenvolver a capacidade dos alunos para serem futuros geradores de valor sustentável para as empresas e a sociedade em geral e trabalhar para uma economia global inclusiva e sustentável.

Princípio 2 / Valores: Incorporar em atividades acadêmicas e currículos os valores da responsabilidade social global como retratado em iniciativas internacionais, como o Pacto Global das Nações Unidas.

Princípio 3 / Método: Criar estruturas de ensino, materiais, processos e ambientes que possibilitem experiências de aprendizagem eficazes para a liderança responsável.

Princípio 4 / Pesquisa: Participar de pesquisas conceituais e empíricas para avanço da compreensão sobre o papel, dinâmica e impacto das corporações na criação de valor social, ambiental e econômico sustentável.

Princípio 5 / Parceria: Interagir com os gestores das corporações de negócios para ampliar o conhecimento sobre seus desafios no cumprimento de responsabilidades sociais e ambientais e explorar abordagens conjuntamente eficazes para enfrentar esses desafios.

Princípio 6 / Diálogo: Facilitar o diálogo e apoiar o debate entre educadores, estudantes, empresas, governos, consumidores, mídia, organizações da sociedade civil e outros grupos interessados sobre questões críticas relacionadas à responsabilidade social global e sustentabilidade.

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