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Minas 2032

11/11/2015

Universidades agrícolas devem estar a serviço e ao lado do produtor rural

Luciane Lisboa
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O ex-secretário de Agricultura de Minas Gerais, o ex-professor e engenheiro agrônomo Mário Ramos Vilela começou sua apresentação criticando a eterna caricatura feita do homem do campo, considerado um verdadeiro "jeca-tatu". "Isso é ficção. Culpa do Monteiro Lobato, que deturpou a visão do agricultor. Muitos dos problemas do agronegócio começam por aí", reclamou.

Sobre a dificuldade que as universidades brasileiras têm de pôr em prática no mercado o conhecimento científico desenvolvido nas salas de aula, o professor aponta dois grandes problemas. O primeiro, é o fato de as universidades agrícolas serem na sua grande maioria federais.

"Não existe ninguém que nasce federal, as pessoas nascem nos municípios. Então, quando vamos conversar com as universidades para buscar parcerias há uma dificuldade muito grande, porque existem barreiras, não só financeiras como burocráticas. Não nos deixam ter acesso porque alegam que nós não podemos ignorar a expertise da instituição de fazer o trabalho solicitado", afirmou.

No entanto, Vilela lembra que ninguém melhor que o profissional que atua naquele local, que está inserido naquela determinada área, para saber de suas mazelas e dar suporte na hora de resolvê-las. "Se vamos procurar a universidade e ela não nos atende por considerar que não somos capazes de detectar uma necessidade que é nossa, ela para mim fracassou", ressaltou.

Além disso, o ex-secretário de Estado da Agricultura ressaltou o fato de Minas Gerais, assim como o nome diz, permanecer ainda muito centrada na questão da mineração. "Somente Guimarães Rosa, que era do mato, é que descobriu a expressão correta para denominar o Estado: Gerais de Minas."

Para o professor, enquanto o nosso centro de decisão política continuar focado apenas no Quadrilátero Ferrífero, o agronegócio terá muitos desafios pela frente. "Porque quem decide não tem a mínima ideia do que se passa além do Quadrilátero Ferrífero. Não tem ideia dessa atual pujança produtiva. Então temos uma batalha que ainda vai continuar por muitos anos", disse, como quem faz uma profecia.


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