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DC Turismo

28/04/2018

Valorização do dólar preocupa o setor

Alta da moeda norte-americana deve impactar diversos segmentos da cadeia de prestadores de serviços
Daniela Maciel
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Cotação da divisa norte-americana é influenciada pela possibilidade de alta nos juros dos EUA/Divulgação
A forte desvalorização do real frente ao dólar ao longo dos últimos dias fez com que a cadeia produtiva do turismo ligasse o sinal de alerta. Turistas com pacotes comprados ou mesmo ainda apenas sonhando em viajar para o exterior e também os que vão transitar pelo Brasil, usando especialmente o transporte aéreo, acompanham com atenção o noticiário econômico internacional, observando, especialmente, a trajetória da taxa de juros nos Estados Unidos. Tão ou mais apreensivos que os consumidores, os fornecedores da cadeia traçam estratégias para se defender em diferentes cenários.

O dólar fechou em alta de 0,46% na quarta-feira (25), cotado a R$ 3,4840, no quinto dia consecutivo de valorização da moeda americana em relação ao real. O valor é o maior desde 13 de junho de 2016, quando o dólar valia R$ 3,4862. Na quinta-feira (26), aconteceu uma queda de 0,22%, fechando a R$ 3,4763, interrompendo ciclo de alta. Apesar do recuo, o dólar acumula alta de 5,24% no mês de abril. O real foi a oitava moeda que mais perdeu valor frente ao dólar este ano.

De acordo com o especialista financeiro Messias Pedreiro Neto, essa desvalorização cambial já era esperada pelo mercado, mas, mesmo assim, o turismo é um dos setores mais impactados. “Com a economia menos aquecida outros setores podem se ressentir menos da alta do dólar, mas o turismo não tem essa possibilidade. O impacto é imediato. Quem vai para o exterior vai precisar de mais reais para fazer a mesma viagem, enquanto quem vem para o Brasil vai precisar de menos dólares. Do ponto de vista dos custos internos, o setor aéreo é o que deve sofrer mais, já que é dolarizado”, explica Pedreiro Neto.

Além da política econômica de Donald Trump e a recente crise comercial aberta entre China e Estados Unidos, a elevação do preço do dólar no Brasil tem a ver também com fatores internos. O clima de insegurança política e econômica gera descrédito junto à comunidade internacional e ajuda a afugentar investimentos. Tudo isso gera um real fraco diante da moeda norte-americana.

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Receptivo - Se de um lado o cenário não favorece o turista brasileiro que quer conhecer o mundo, do outro também não melhora a nossa posição como receptivo. “Não acredito que a desvalorização do real atraia mais estrangeiros, porque a maioria das moedas também se desvalorizou frente ao dólar. Então, essa queda não nos tornou mais competitivos externamente porque os nossos principais concorrentes estão passando pelo mesmo processo”, avalia o especialista financeiro.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Agências de Viagem de Minas Gerais (Abav-MG), Alexandre Brandão, a receita para o viajante é antecipar o planejamento e para as agências de viagem, trabalhar com cautela na hora de investir e caprichar, ainda mais, no atendimento aos clientes.

“Essa alta repentina impacta fortemente na nossa atividade. A orientação para quem vai viajar para o exterior é que antecipe a compra do pacote. Mesmo que o dólar recue – fato pouco provável – e ele perca um pouco, é possível recuperar na compra da moeda para viagem. E para as agências é pensar com calma antes de agir. Há sempre onde melhorar o atendimento. E importante conhecer bem o seu cliente, saber oferecer opções para que ele não deixe de fazer uma boa viagem mesmo mudando o destino”, pontua Brandão.

O executivo destaca que pior que o dólar caro é a instabilidade cambial. O medo costuma afugentar mais clientes do que o preço caro. Outro problema é o custo da aviação no Brasil que deve impactar fortemente o turismo interno de negócios. “O mercado se retraiu fortemente essa semana. Se o dólar ficar entre R$ 3,40 e R$ 3,50 o mercado deve se recuperar no médio prazo. Se ficar mais alto que isso a dificuldade será grande. Mas é a imprevisibilidade o nosso maior inimigo. No mercado interno a aviação já está mais cara porque as taxas e o leasing das aeronaves também são dolarizados. Então, em um país do tamanho do nosso, isso tem impacto sobre o turismo de negócios”, analisa o presidente da Abav-MG.

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