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Negócios

21/03/2017

Vendas no Mercado do Cruzeiro recuam com a crise

Embora 100% ocupado, houve queda superior a 30% nos negócios
Mírian Pinheiro
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As 56 lojas do Mercado Distrital do Cruzeiro permanecem ocupadas mesmo com a crise/Alisson J. Silva
A realidade atual do Mercado Distrital do Cruzeiro, na região Centro-Sul da Capital, não lembra, nem de longe, a de outras épocas, quando a clientela, de bolso cheio, lotava o espaço nos finais de semana, consumindo de verduras, frutas e biscoito a uma variedade de outros produtos que o local oferece. A afirmação é do presidente do mercado, Edelvais Moraes Júnior. Para ele, embora todas as 56 lojas estejam ocupadas, houve uma queda de mais de 30% no volume de vendas dos comerciantes.

Dono de um bar no mercado, Moraes Júnior também sente na pele o impacto da diminuição no apetite do consumidor, que, na sua avaliação, repercute em 20% do seu faturamento bruto.

Na presidência do centro de compras há apenas 15 dias, ele admite estar ainda tomando conhecimento da real situação, mas diz que é notória a queda no movimento. “Não dá para precisar em termos percentuais, mas que a crise bateu na nossa porta, isso é fato”, afirma. Há 27 anos com negócios dentro do mercado, o comerciante não teme piores consequências, como o fechamento de estabelecimentos, tanto que se arrisca a dizer que já houve uma pequena mudança positiva nos dois últimos meses deste ano. “As pessoas estão vindo mais”, comenta. Para ele, a tendência é melhorar.

O custo de funcionamento do distrital do Cruzeiro é alto. O mercado paga à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) cerca de R$ 200 mil a R$ 300 mil por mês. Os comerciantes chegam a pagar um condomínio de R$ 2 mil mensais. A PBH também fica com 30% do lucro bruto do estacionamento do local, com 200 vagas. Cerca de 30 funcionários diretos trabalham no distrital. Por enquanto, diz Moraes Júnior, não está previsto no orçamento novas contratações e nem novos investimentos, a não ser o necessário ao funcionamento adequado do empreendimento.

Recuperação - Ex-presidente do mercado e atual membro do conselho deliberativo, Wayne Stochiero Vasconcelos Caetano, 45 anos, é dono da loja “A Churrasqueira”, há 25 anos. Filho de feirante, seu comércio foi um dos primeiros no local. Para ele, a queda no volume de vendas é natural em um momento de recessão econômica. “Percebo que meus clientes migraram para opções mais baratas, é assim”, pondera. Conhecedor do mercado de varejo e demonstrando otimismo, ele diz ter passado por crises semelhantes e, como todas, acredita que esta também vai passar.

Para isso, o comerciante aposta na recuperação da economia do País e na continuidade dos eventos (feiras de artesanatos e gastronomia) que são realizados ao longo do ano no mercado para alavancar o movimento. “Chamar o público é fundamental”, avalia. Segundo Stochiero, o local recebe, em média, só nos finais de semana, cerca de 8 mil pessoas. Ele afirma que o número de visitantes, em comparação ao do ano passado em igual período, diminuiu, mas não de forma expressiva. “Hoje devemos receber uns 10%, 15% a menos”, avalia.

Já na opinião do fotógrafo e comerciante Tiago Wilson Ferreira, 26 anos, sócio da “Só Biscoitos”, o movimento no mercado caiu demais, algo em torno de 50%. Diz não estar trabalhando ainda com prejuízo, mas a margem de lucro caiu muito. “No Natal, época de maior movimento, costumava vender três caixas de 20 quilos de castanha, vendi somente uma no ano passado”, exemplifica.

Há 42 anos em atividade no mercado, no ramo de biscoitos e chocolates, Ferreira diz que, em uma tentativa de driblar a crise iniciada em 2016, passou a comprar a metade do que comprava de seus fornecedores e a não repassar o aumento dos produtos para a sua clientela. A mesma estratégia foi adotada pela comerciante de hortifrutigranjeiro, Cristina Maeda. Ela e o marido Sérgio são donos da “Banca do Japonês” desde a inauguração do mercado e já viram o movimento cair outras vezes. Para seguir em frente, diz ter mantido os preços nos últimos meses mesmo comprando mais caro e aposta na fidelização da clientela. “Meus amigos são meus clientes. Eles estão aqui desde o início e passam essa preferência para seus filhos e netos. Estou em uma idade em que já não preciso trabalhar por necessidade. Hoje em dia, trabalho por prazer. Lucro é a última coisa que penso. Dando para pagar as contas, já está ótimo”, festeja. Ainda assim, Cristina Maeda reforça o coro de ter havido uma queda de 30% nas vendas, mas acredita que o pior momento já passou. “Com as bancas todas ocupadas, o crescimento virá”, completa.

O Mercado Distrital do Cruzeiro foi criado em 1974, sob a administração da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), com a finalidade de retirar os feirantes das ruas, a maioria na avenida Getulio Vargas, na Savassi, região Centro-Sul da Capital, e instalá-los em um local seguro, onde pudessem comercializar livremente seus produtos. Os primeiros feirantes foram convocados para ocupar os primeiros boxes - hoje denominadas lojas - sem passar por licitação. O sucesso da iniciativa diante da população local foi tanta que a partir daí quem se candidatasse a uma vaga teria que, obrigatoriamente, se submeter a uma licitação junto à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. E assim funciona até hoje. O processo de revitalização de suas instalações, iniciado em 2011, ainda continua no papel. Além de hortifrutigranjeiros, carnes, vinhos, especiarias e utilidades domésticas, o mercado promove feiras de artesanato e outros eventos culturais.

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