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23/02/2018

Viagens a lazer mais curtas são tendência

Consumidor não vai deixar de sair de férias, porém, vai optar por ficar menos dias longe de casa
Daniela Maciel
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Demanda pelo transporte aéreo doméstico cresceu 3,51% em 2017 sobre 2016/Divulgação
A leve recuperação da economia brasileira em 2017 e as boas - ainda que tímidas - perspectivas para 2018 já animaram os brasileiros a voltar a viajar. A demanda pelo transporte aéreo doméstico cresceu 3,51% em 2017, em comparação com 2016. No total, foram transportados 89,9 milhões de passageiros pelo Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Pesquisa do Ministério do Turismo (MTur) coloca o avião entre os meios de transporte mais utilizados em viagens domésticas. Segundo o estudo, 51% dos brasileiros das sete maiores capitais do País que pretendem viajar até maio deste ano devem fazê-lo de avião.

Segundo levantamento do aplicativo brasileiro Voopter - especializado em dicas e promoções de viagens e um dos principais na comparação de preços de passagens aéreas -, turistas de lazer e corporativos que gostam de pesquisar podem ter grandes vantagens se tiverem organização e um pouco de tempo e paciência. O Voopter Data, sistema que oferece dados estratégicos baseados nas pesquisas de seus usuários, aponta que em 2017 o melhor mês para comprar passagens aéreas nacionais baratas foi março. Quando os bilhetes internacionais são o assunto, o mês de setembro apresentou mais ofertas.

De acordo com o CEO do Voopter, Pettersom Paiva, a tendência são as viagens mais curtas. O consumidor não vai deixar de sair de férias com a família, porém, vai optar por ficar menos dias longe de casa. Essa tendência é confirmada pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), entidade que representa as operadoras de turismo do País. O Voopter Data aponta que as viagens nacionais terão duração média oito dias, já os roteiros no exterior, 18 dias.

“Nos últimos anos observamos que houve o início de uma retração na procura por passagens para viagens clássicas como Miami e Orlando (EUA) e Europa. Com a chegada da crise teve uma retração total. Agora com essa tomada não dá pra dizer que saímos da crise, mas o que observamos que se a frequência das viagens ainda não voltou a ser o de antes da crise, o perfil se restabeleceu. A demanda maior é para viagens domésticas e regionais. Os destinos da América do Sul estão mais demandados e as companhias aéreas nacionais reagiram bem a isso, abrindo rotas para esses lugares”, analisa Paiva.

Aqui vale destacar que a Argentina não mais lidera a lista de desejo dos turistas brasileiros. De acordo com o sistema do Voopter Data, Chile e Uruguai aparecem na liderança.

Ao passo que as companhias aéreas utilizam a inteligência artificial para localizar demandas específicas e oferecer soluções para clientes dispostos a pesquisar e, assim, cobrir possíveis buracos nas listas de embarque, as redes hoteleiras ainda não conseguiram reagir no mesmo sentido.

“Hoje as companhias aéreas usam inteligência artificial para calcular o preço do assento em tempo real, com o objetivo de atingir eficiência econômica. A inteligência está trazendo a economia por oportunidade. Se a demanda por voos de lazer baixa em março, por exemplo, há uma adaptação dos preços. As cadeias hoteleiras, ao contrário, são lentas nesses movimentos. As companhias aéreas inovam e os hotéis vão ter que acompanhar. Até porque eles têm novos concorrentes, como o Airbnb, por exemplo. Assistimos nos últimos tempos o surgimento de startups que se encarregam de ocupar quartos na última hora.

Assim como está acabando a cultura de que um avião pode decolar com assentos vazios, é preciso acabar com a ideia de que um quarto de hotel pode passar a noite desocupado”, alerta o CEO do Voopter.

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