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Economia

08/12/2017

Vulcabras investirá R$ 100 mi em suas três fábricas em 2018 para ganhar em produtividade

Reuters
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São Paulo - A fabricante de calçados Vulcabras retomou investimento em seu parque fabril e está se preparando para reativar sua marca voltada ao público feminino Azaleia, aproveitando recursos de uma recente oferta de ações e a recuperação da economia.

A companhia prevê investir cerca de R$ 100 milhões em renovação de equipamentos de suas três fábricas, a maior parte em 2018, algo que não era feito há cinco anos diante das dificuldades financeiras que levaram o grupo a uma reestruturação que culminou com uma oferta de ações de quase R$ 700 milhões no fim de novembro e a entrada da empresa no segmento Novo Mercado da B3, informou o presidente-executivo, Pedro Bartelle.

A empresa, criada há 65 anos e controlada pela família de Bartelle, acumula neste ano uma valorização na B3 de cerca de 250%, atingindo no terceiro trimestre a maior margem de lucro operacional do setor, de 24%.

O desempenho marca uma virada geradapor plano de reestruturação executado entre 2012 e 2015 em conjunto com a consultoria Galeazzi, após a empresa ser pressionada por forte volume de importações e competição de preços irracional fomentada pela conjugação da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil.

Entre 2011 e 2012, a dívida da Vulcabras, que disputa mercado com grupos como Alpargatas e Grendene, era de R$ 1,1 bilhão e a expectativa de Bartelle, que assumiu como presidente-executivo em 2015, é que a linha caia para perto de zero até o final de deste ano.

“Vamos começar a modernizar nosso parque fabril depois de cinco anos e vamos ganhar em produtividade, vamos aplicar R$ 100 milhões, a maior parte em 2018... O nosso foco está em crescimento sustentável”, disse Bartelle, estimando que o mercado brasileiro de calçados, quarto maior do mundo e que comercializa 800 milhões de pares por ano, poderá dobrar de tamanho no curto prazo.

As principais marcas da companhia são Olympikus, que é a mais vendida de calçados esportivos do País, segundo dados de levantamento Kantar Worldpannel citados por Bartelle, e Azaleia. A primeira é responsável por cerca de 80% do faturamento do grupo, que apurou de janeiro ao fim de setembro receita de R$ 948 milhões. A Azaleia produz menos que 20% do faturamento do grupo.

“A Azaleia é uma marca adormecida que precisa ser reativada... A Azaleia vende hoje cinco vezes menos que no início dos anos 2000”, disse Bartelle, citando que a estratégia da companhia nesta recuperação da tradicional marca feminina está centrada em mídias sociais e aceleração de renovação de coleções.

Mercado - Dentro do plano de crescimento, a Vulcabras deverá manter seu foco sobre a América Latina, onde mantém 70 lojas na Colômbia, Peru e Chile, disse Bartelle. A empresa não tem lojas no Brasil, mas pode vir a investir em abertura de pontos de venda no País no futuro, afirmou o executivo sem mencionar prazo.

Segundo Bartelle, o Brasil tem cerca de 25 mil pontos físicos de venda de calçados e a Azaleia está presente em menos de 10 mil deles. Para ajudar no crescimento, a empresa criou neste ano um departamento independente focado no desenvolvimento da marca feminina, algo que deverá produzir “frutos no ano que vem”, com a chegada da nova coleção.

“No feminino, as marcas lançam coleções novas quase todos os meses e estamos um pouco atrás nisso”, disse Bartelle. Ele acrescentou que atualmente o preço médio da Azaleia fica entre R$ 70 e R$ 100 e que a Vulcabras pretende reposicionar a marca para ficar mais perto do topo da variação.

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