Crédito: arquivo pessoal

Os grandes bancos negligenciaram, por muito tempo, as fintechs, achavam que era utopia, sonho de jovens inconformados.

Mas, hoje, não é o que vem acontecendo – e os grandes sabem muito bem disso. O sistema financeiro passa por uma transformação totalmente disruptiva. A forma de consumir e relacionar com os bancos nunca mais será a mesma, pode acreditar!

Pode até mesmo demorar um pouco mais a se consolidar no Brasil, face o nosso atraso tecnológico. O acesso à internet ainda é restrito, em 2018, ultrapassamos 70% de penetração nos lares brasileiros.

A cultura digital é incipiente em algumas regiões do País, e, grande parte da população, ainda não é bancarizada.

Segundo o Ipea, mais de 39% dos brasileiros estão fora do sistema bancário.

Mas, as fintechs já começaram a incomodar os grandes bancos. Ahhh, antes que vá ao Google pesquisar o que seria uma fintech, vou explicar bem resumidamente.

Uma fintech seria toda empresa de base tecnológica que oferece serviços financeiros que se diferenciam pela agilidade e facilidades proporcionadas através da tecnologia e, com efeito, pela internet. Resumindo ainda mais, seriam startups que entregam serviços financeiros.

Fintechs não precisam se posicionar como marcas digitais, já nascem como plataformas digitais.

Focam na qualidade, na experiência, e até mesmo na exclusividade. A quantidade de produtos, pelo menos nesse primeiro momento, pouco importa. Disponibilizam poucos, mas excelentes serviços.

A Nubank, startup brasileira pioneira no segmento de serviços financeiros, possui uma área específica de encantamento ao cliente, o objetivo é criar momentos Wow! experiências para surpreender e fidelizar a sua base de clientes.

Inovação, isenção de taxas, desburoctarização e atendimento diferenciado nos canais digitais, são premissas das fintechs.

O principal álibi dos grandes bancos é a segurança e credibilidade, além do vasto portfólio de produtos e serviços. Não podemos deixar de citar que parte da população brasileira ainda não tem intimidade e confiança com o ambiente digital.

Não posso garantir que é verdade, mas, dizem que o maior projeto desenvolvido pela IBM no Brasil, através da Inteligência Artificial Watson, foi a assistente virtual do Bradesco, a Bia. Um chatbot criado para oferecer atendimento imediato as respostas dos clientes e mitigar dúvidas dos colaboradores.

Realmente é um projeto incrível, Já “utilizei” a “Bia” algumas vezes e, é uma tecnologia customer centric (centrada no cliente).

Mas não basta focar exclusivamente na tecnologia para acompanhar o crescimento exponencial das fintechs. Muito menos criar contas digitais. Redesenhar toda a cultura organizacional é fundamental para a sobrevivência nesse Tesarac financeiro.

Hoje, presenciamos uma corrida desenfreada pela a reestruturação. Programas de demissão voluntária (PDVs) lançados a cada dois anos, agências bancárias sendo fechadas em massa, spin-offs (caso do banco Next do Bradesco), dentre outras ações.

Por falar em spin-off, acredito ser uma excelente alternativa para a competitividade nesse atual cenário. Mas cuidado! Não adianta achar que uma spin-off irá “carregar” a empresa mãe. É preciso desvincular e dar total autonomia para essa nova empresa.

Aquele sonho de jovens talentos buscarem posições em instituições financeiras, ainda existe. Mas, já não são banking como BTG Pactual e J.P. Morgan, e sim, startups como; Nubank, Creditas, Stone Pagamentos, dentre outras.

Será que os grandes bancos não perderam o timing e, agora estão correndo atrás do tempo perdido?

Muito dificilmente os grandes bancos conseguirão acompanhar as fintechs na entrega de soluções e experiencias digitais. Uma organização robusta, com regras e processos já muito bem definidos, não tem a agilidade, flexibilidade, capacidade de teste e abertura ao erro que as fintechs usufruem.

Vejo o Banco Santander um pouco à frete dos demais que atuam no varejo brasileiro. Suas agências boutiques não são somente enxutas, mas possuem uma nova forma de atender e relacionar com os seus clientes.

As pessoas não querem é o modelo tradicional de agências bancárias, frias e morosas.

Quem não gostaria de ter momentos Wow! Em um ponto de contato da empresa?

A experiência deve acontecer em todos os canais (omnichannel), seja na abertura da conta digital pelo seu smartphone, queira no cafezinho, ideação ou mentoria de negócios com o seu consultor de negócios ou de sucesso do cliente, o antigo gerente.

Estive no Chile ano passado e me deparei com várias agências do Santander dentro desse conceito. Nem de longe lembrou-me uma agência bancária. Tinha estações de trabalho, internet, consultorias, palestras, música de fundo e muito networking.

Me senti nos coworkings que costumo frequentar. Posso afirmar que a instituição está transformando suas agências em verdadeiros WeWorks financeiro.

Em São Paulo já chegou esse modelo de agência, vale a pena conferir de perto, é realmente uma experiência bacana.

A verdade é que a nova economia colaborativa veio para transformar o sistema financeiro.

Crowdfunding, bancos sociais, moedas sociais, blockchain intermediando transações e players assimétricos oferecendo serviços financeiros, são alguns do exemplos que mudaram toda a forma de consumir produtos/serviços e relacionar com o mercado.

Estamos presenciando uma verdadeira Odisséia, uma briga de David x Golias, com uma grande diferença dentro do contexto atual.

“Já não é o peixe maior que come o menor, mas o peixe mais rápido que come o mais lento.”

Na era da transformação digital, ser veloz é muito mais importante que ser o maior. Pense nisso!

Nós, enquanto clientes e consumidores de produtos/serviços financeiros, só temos que agradecer. Toda essa transformação veio para nos favorecer.

O cenário mudou e as fintechs vieram para ditar as regras do sistema financeiro.

O futuro é agora!

Grande abraço.

Bruno de Lacerda