Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Nas rodas políticas em Brasília as conversas giram, no momento, em torno do desentendimento entre o presidente da República e seu partido, o PSL. Todos querem saber o que se passa, querem compreender o significado de cada movimento, que indubitavelmente está associado às eleições municipais no próximo ano e, principalmente, à sucessão em 2022, tudo isso passando por um objetivo mais pragmático, o controle dos recursos partidários, via financiamento público de campanhas, que no caso do PSL deverá passar dos R$ 300 milhões no próximo ano.

A escolha do partido para abrigar, ou patrocinar, a candidatura presidencial no ano passado, certamente não teve o cimento das convicções e não será exagero afirmar que tenha sido acidental, o que só valoriza, na perspectiva dos envolvidos, os bons frutos, muito provavelmente inesperados para a maioria, que foram colhidos mais tarde. Assim, não seria de se esperar que desse encontro acidental surgisse, pelo menos, uma aproximação mais efetiva e, sobretudo, uma aliança de propósitos. Só não se poderia esperar que a inconsistência fosse exposta em tão pouco tempo, o que evidentemente não pode ser bom para o País, tendo em conta que o partido, na carona do sucesso de seu candidato, praticamente tenha saído do nada para se transformar na maior bancada no Congresso Nacional.

Em suma, um problema a mais, como se problemas já não nos bastassem, é o risco de que as questões de fundo, aquelas que dizem respeito à administração pública e o desafio de recolocar o País de volta à rota do crescimento econômico, sejam mais uma vez postergadas. Como agravante de que há quem considere que outro elemento importante na contenda é a possível, quase certa, imagina-se, candidatura do presidente Bolsonaro, que nem completou seu primeiro ano de governo, à reeleição daqui a três anos.

A economia do País este ano deverá crescer menos que 1%, muito pouco, pouquíssimo, diante das necessidades e de uma recuperação que, ao contrário do prometido e esperado, se revela lenta e incerta. Reeleição deveria ser consequência, ou prêmio, pelos acertos e nunca resultado de concessões que adiam soluções. Vale para o atual presidente, valeria para qualquer outro, em qualquer tempo, mas não é o que tem acontecido. Nesses movimentos frenéticos e contínuos, que não tem fim, falta tempo para governar, programar, acertar, fazer escolhas que não sejam de conveniência, mas colocados na linha de objetivos a serem alcançados pelo País e para o País.

Tudo isso deixa no ar a impressão de que a nova política que nos foi prometida, que ajudaria a explicar o resultado das eleições de 2018, parece ter envelhecido antes da hora.