CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

Tilden Santiago*

O jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO completou na semana passada 87 anos de existência. Vale a pena pesquisar a sua essência. Nasceu em 18/10/1932, depois que seu fundador José Costa, um capixaba que o próprio DC transformou em ilustre jornalista e cidadão mineiro, em montanhês que veio habitar entre nós nas alterosas.

Nasceu como Informador Comercial, com seu idealizador usando um mimeógrafo na impressão de uma lista de mercadorias, que chegavam à capital mineira nos vagões da Central do Brasil, em busca de consumidores e rodando de bicicleta ao encontro de empresários e comerciantes, agentes de negócios, que possibilitavam o acesso da população ao abastecimento das famílias, das empresas mineiras e dos órgãos de Estado.

Com o passar do tempo, esse processo foi crescendo e consubstanciando o desenvolvimento de Minas, contemplado e incentivado pelo próprio DC. Vejo aí a “essência” do Diário do Comércio, fruto da visão destemida e genial de José Costa, materializada pelo espírito e empenho dele, de sua família, dos jornalistas e funcionários que não negligenciaram a “essência” do jornal.

É nesse sentido que entendo as loas do amigo Paulo Brant, vice-governador de Minas, neste aniversário, com sua perspicácia: “Eu diria que o DC é esse ‘essencial’. Eu leio o jornal todos os dias, desde que entrei no BDMG. Traz informações ‘essenciais’ para a economia mineira… ele, (DC), é ‘essencial’ para o processo democrático e para a informação econômica… jornal ‘essencial’ para quem acompanha a economia de Minas Gerais”. Assino embaixo, Paulo Brant, como testemunha.

Outros empresários e políticos foram verdadeiros e incisivos nos elogios, neste aniversário. Lembro também Paulo Lamac, vice-prefeito, destacando “o legado de José Costa, sua família e seus jornalistas, como responsável pelo desenvolvimento econômico de BH e Minas, com democracia e liberdade de expressão”.

Hoje, caro editor de Opinião, envio-lhe não um artigo, mas um testemunho. Não falo como leitor, político ou embaixador ao apontar o aspecto “essencial” do DIÁRIO DO COMÉRCIO: sua ligação umbilical com Minas e seu desenvolvimento, pois me orgulho de ter descoberto e aprendido a arte de fazer jornal e ensinar a Comunicação Social, dentro de sua redação, como repórter, redator, editor, copydesk, secretário de redação, editor de política no DC e no Jornal de Casa. Saudades daquela redação, dos companheiros jornalistas e funcionários, verdadeira escola de jornalismo e de vida sob os olhos de José Costa, Marcílio Gonçalves, Luiz Carlos Costa, Costinha, Guy de Almeida e outros diretores e editores, e os colegas jornalistas, amigos que nunca se esquece.

Essa escola de jornalismo forneceu profissionais para o mercado de comunicação, além de suas paredes e fronteiras do Estado. Sem nos esquecermos dos que entraram para a vida pública e entidades empresariais ou na política e na diplomacia (dois embaixadores) entre estes, lembro José Aparecido, Guy de Almeida e este escriba. Estes e outros ainda herdaram a efervescência cívica e de luta da redação unida e da inspiração visionária e revolucionária de seu fundador José Costa, adentrando nas lides sindicais e partidárias. O DC foi e é um celeiro, gerador de brasileiros e brasileiras com cidadania firme e generosa. Alguns militaram no Sindicato dos Jornalistas e em iniciativas partidárias  autênticas dos anos 80.

Quero brindar o aniversário e a renovação (brava terceira geração de netos com Adriana e Yvan na liderança), com este testemunho, fruto de uma vida e da alegria hoje desta primavera de happy birday.

A nova presidente Adriana Muls, jornalista, conhece profundamente, mesmo sendo jovem, a comunicação para gestão de crise, a comunicação empresarial, assessoria de imprensa, marketing e publicidade. Já atuou em grandes empresas. Seu irmão, Yvan,  na Diretoria Executiva e de Mercado do DC, nos novos negócios, no ambiente digital, fará com ela uma dupla dirigente responsável, digna do avô e dos tios e de todos nós que lá editamos jornal. Ambos com a garra de Nair Costa e Willy Muls, seus pais. Acompanhar com violão o batismo de Yvan em 1973, com a menina Adriana brincando ao lado foi a porta que o Eterno abriu para mim, no rumo do jornalismo, através do DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Ouso dar esse testemunho porque sei que a gente só conhece bem aquilo e aqueles que amamos. Só a estima e o amor podem compensar o DC e a família Costa por ter feito de mim e de meu filho Vladimir, eternos jornalistas. Feliz de ainda ser hoje, um articulista-colaborador das páginas de Opinião.

*Jornalista, embaixador e sacerdote anglicano