Crédito: Adriano Machado - Reuters

No Brasil o salário é barato, mas o emprego é caro. A afirmação, que não é nova, foi feita pelo dirigente de uma multinacional, quando informado que, no final das contas de seu Departamento de Pessoal, os gastos com cada funcionário correspondiam ao dobro, pouco mais, do valor inicialmente acertado, devido aos encargos incorporados à folha de pagamentos. A informação é antiga, muito provavelmente o autor da frase não esteja mais no País, mas a realidade pouco ou nada se modificou, muito embora os dados sobre desemprego, subemprego e informalidade sejam ainda alarmantes, contrariando a lógica.

Faz tempo que o assunto é discutido, faz tempo que o problema persiste, embora não tenham sido poucas as promessas de sucessivos governos, sempre garantindo que tais encargos seriam aliviados, com a adoção de políticas que estimulassem a expansão da oferta de empregos formais, fazendo baixar na mesma proporção a informalidade, em que o trabalhador, que nessa condição é maioria, não tem qualquer tipo de garantia.

Hoje em Brasília, no embalo das discussões sobre as chamadas desonerações, o assunto está novamente em pauta e a equipe econômica sob comando do mineiro Paulo Guedes, está para anunciar medidas que a administração federal aponta como capazes de assegurar a expansão da oferta de empregos, numa estratégia construída a partir da redução de encargos. A ideia central, antecipada por fontes ligadas ao governo, é favorecer, especialmente, a geração de postos de trabalho que possam ser ocupados pelos mais jovens, no outro extremo, pelos mais idosos.

É também no sentido de não interferir nos negócios, num processo de tutela não raro hostil e que inibe tanto investimentos quanto a geração de empregos, que inúmeros empresários têm insistido, e faz tempo, tem cobrado de sucessivos governos essa tutela descabida e onerosa, que inibe todo o ciclo de atividades econômicas e, claro, em nada contribuiu para fazer crescer a massa salarial, antes justamente o contrário. Nessa lógica, que igualmente deve contemplar melhor distribuição das riquezas geradas, é que as reformas devem ser vistas, como um convite à racionalidade, o que implica também num tratamento melhor a quem trabalha e produz, sem as amarras que ao invés de produzir resultados produzem desvios.

Falta a percepção óbvia, e este não é um problema apenas brasileiro, que a concentração da renda, que começa pelo desemprego e subemprego, encolhe o poder de compra de uma parcela majoritária da população e, da mesma forma, encolhe o consumo, encolhe mercados. É disso que estamos falando e é o que se deve esperar dos mais lúcidos.